23 junho, 2010

ELOGIO À PREGUIÇA

Olá, pessoal, Bom Dia.

Hoje estou a zero por hora. Estou com a mãe das preguiças! Mas não pensem que estou triste. Que nada! Afinal, a "preguiça amamenta muita virtude", hehe! Não é mesmo? A propósito, você conhece o autor da frase? Como? Ora você não sabe o que está perdendo. Tá vendo esse respeitável senhor aí, todo engravatado? Pois é ele: Juvenal Antunes, o poeta de bronze do Acre. Ele foi homenageado com uma estátua de bronze.


Nessa foto aí ele aparece todo paramentado, de terno e gravata, mas isso, é só pra enganar a torcida, afinal ele era um Promotor de Justiça! Verdade. Nascido no Ceará ele foi para o Acre ser Promotor, mas o negócio dele era mesmo a boemia. E tanto isso é verdade, que nos apontamentos que encontrei a seu respeito, consta que ele vivia metido num robe, feliz da vida, na porta do hotel Madrid, onde morava, em Rio Branco. Que era um boêmio inveterado, sempre bebendo cerveja, fazendo versos e proclamando seu amor à Laura, uma mulher casada. E dizem as más línguas, que ele não abandonava o hotel nem pra receber o ordenado. Imagine, o ordenado é que vinha à suas mãos por exercícios findos!  Que tal hein?!  Vá saber viver!! Rsrs.

O poema que lhe trouxe a fama definitiva chama-se "Elogio da Preguiça", e aqui está pra vocês se deliciarem.


ELOGIO À PREGUIÇA


Bendita sejas tu, Preguiça amada, 
Que não consentes que eu me ocupe em nada!


Mas queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras, 
Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.


Não permuto por toda a humana ciência 
Esta minha honestíssima indolência.


Lá esta, na Bíblia, esta doutrina sã:
-Não te importes com o dia de amanhã. 


Para mim, já é grande sacrifício
Ter de engolir o bolo alimentício. 


Ó sábios , daí à luz um novo invento:
A nutrição ser feita pelo vento! 


Todo trabalho humano, em que se encerra?
Em na paz, preparar a luta, a guerra! 


Dos tratados, e leis, e ordenações,
Zomba a jurisprudência dos canhões! 


Juristas, que queimais vossas pestanas,
Tudo que legislais dá em pantanas. 


Plantas a terra, lavrador? Trabalhas
Para atiçar o fogo das batalhas... 


Cresce o teu filho? É belo? É forte? É loiro?
- Mas uma rês votada ao matadouro! ... 


Pois, se assim é, se os homens são chacais,
Se preferem a guerra à doce paz, 


Que arda, depressa , a colossal fogueira
E morra assada, a humanidade inteira! 


Não seria melhor que toda gente,
Em vez de trabalhar, fosse indolente? 


Não seria melhor viver à sorte,
Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte? 


Queres riquezas, glórias e poder? ...
Para que, se amanhã tens de morrer? 


Qual mais feliz? O mísero sendeiro,
Sob o chicote e as pragas do cocheiro, 


Ou seus antepassados que, selvagens,
Viviam, livremente, nas pastagens? 


Do Trabalho por serem tão amigas,
Não sei se são felizes as formigas! 


Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,
As preguiçosas, pálidas cigarras! 


Ó Laura, tu te queixas que eu, farcista,
Ontem faltei, à hora da entrevista, 


E, que ingrato, volúvel e traidor,
Troquei o teu amor - por outro amor... 


Ou que, receando a fúria marital,
Não quis pular o muro do quintal. 


Que me não faças mais essa injustiça! ...
Se ontem não fui te ver - foi por preguiça. 


Mas, Juvenal, estás a trabalhar!
Larga a caneta e vai dormir... sonhar ...


Juvenal Antunes nasceu no Ceará-Mirim em 1883 e morreu em 1941, em Manaus. Foi personagem da Mini-série Global "Amazônia", de Gloria Peres.

Saiba mais aqui e aqui

Por enquanto era isso.
Beijos. Fui. 
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