14 outubro, 2013

QUERO-QUERO QUANDO GRITA


Meu netinho Pedro (6) e seu avô Nilton, my husband, são carne e unha. Às vezes eles se desentendem, mas é coisa pouca e tudo fica numa boa. Mas ontem... calma, já vou contar. Você conhece o quero-quero? É uma ave pequena, de aparência modesta, que gosta de viver nos campos e nas pastagens. Tem um grito estridente que lembra a palavra quero e é um vigilante nato. Quando percebe a aproximação de qualquer criatura, ele avisa. Por isso nós, gaúchos, o chamamos "Guardião dos Pampas". Detalhe: são passarinhos curiosos: não pousam em árvores e fazem seus ninhos no solo. E costumam defender seus filhotes com gritos e ataques rasantes às pessoas e, embora nunca atinjam ninguém, eles assustam demais. E é aqui que começa a história. 



O Pedro insistindo e o avô avisando: não vai, olha o quero-quero, eles estão com ninho, tem filhotinhos, não mexe com eles. Mas vô, eu já disse que não vou mexer, eu só quero ver, VÔ! Já falei, menino, não chega perto deles, eles atacam as pessoas. Pra quê? Nem te ligo, o Pedrinho não deu a menor bola, saiu de tranco duro, a passos largos, no firme propósito de ver os filhotes bem de perto. E não deu outra, foi mal. Você precisava ver os apuros, o corre-corre, a choradeira! Nada do que eu escrever aqui dará a dimensão exata do que aconteceu naquele instante. Só sei que foi tudo muito engraçado, a família inteira dos quero-quero (pai, mãe, tio, primo, sobrinho) todo mundo voando e gritando ao mesmo tempo, era vôo rasante que não acabava mais, quero-quero pra todo lado, uma esquadrilha de guerra, e o Pedrinho bem ali, no meio do tiroteio, no maior susto, correndo em círculos, agitando os braços e berrando a plenos pulmões. Uma doideira. E a assistência -- sim, tinha assistência, hahaha -- aos berros, acenando com as mãos, corre Pedrinho, aqui, por aqui, rápido! No final das contas foi preciso a intervenção do avô para colocar tudo em pratos limpos e trazer a paz de volta ao sítio. A paz? Que nada, não deu meia hora e lá vem o Pedro novamente tentando aprontar noutro campo de pastagem. Dessa vez o esperto avô, na maior calma do mundo, e em pouquíssimos decibéis, disse apenas: "Pedro, olha o quero-quero!" E eis que o milagre acontece: o céu se abre e o Pedrinho obedece, de boa vontade, sem contestar! Maravilha, tudo sob controle. Agora sim, com esse poder na mão, certamente haverá por aqui, -- por pouco tempo, eu sei --, um netinho obediente, sonho dourado de todos os avós! O quê, denunciar o avô? Enlouqueceu? Aprender com os erros não tem absolutamente nada a ver com bullyng! De onde você tirou uma bobagem dessas? Ninguém merece. Rsrsrs.
Marli Soares Borges, 2013

P.S. por motivos óbvios não consegui bater fotos. As imagens são do Google.

18 comentários:

Calu B. disse...

Um avô sempre presente é providência divina nos dias dos Pedrinhos sapecas, curiosos de nascença, de temperança teimosa, mas conhecedores da voz protetora, anunciadora dos perigos que rondam os ninhos.Sabido, esse Pedrinho.

Os meus três quero-quero pousaram ainda há pouco no ninho deles, em POA.

Bjos daqui, Marli.
Calu

✿ chica disse...

rssssssssss...Eles não ouvem, acham que nada vai acontecer e;....rs...Lindo de ver ainda mais que tudo acabou bem! beijos,chica

lis disse...

Oi Marli
Conheço bem a fúria dos quero-quero _ vejo-os sempre as margens da praia um areal imenso todo gramadinho_ eles vivem por ali criam seus filhotes e como cuidam !! rs ai de quem chegar perto!
Os gritinhos denunciam sua presença e para fotográfa-los fico sempre a meia distância já com medo de bicadas.
São só assustados, eu acho. rsrs
Aprecio muito a relaçao dos avós com seus filhotes também.
Bonito texto Marli
Obrigada pela presença agradável,
abraços

Lúcia Soares disse...

Um susto e tanto, o Pedro passou! rs Melhor obedecer aos mais velhos, ele agora tem certeza!
Crianças são nossos encantos, Marli. Aproveitar, ter o privilégio de estar com os netos é de uma riqueza sem par para a vida. Os netos podemos curtir sem as obrigações de pais, mas com carinho igual, amor enorme e vontade de querer que a companhia deles seja constante.
Beijo nesse Pedrinho lindo, teimoso e obediente ao mesmo tempo. rs
Beijo!

Márcia Balz disse...

Oi Marli! A natureza reclama seu espaço. Meu mor joga bola todos os sábados num campo de futebol quando os quero=queros fazem ninho acabam com a festa dos boleiros. Eles só tomam posse do campo depois que os ovos eclodem. 10 a 0 para as aves.
Bjim!

Beth/Lilás disse...

Querida Marli,
Que história deliciosa de se ler!
Dá peninha do susto que o Pedrinho levou e pior seria se os quero-quero o bicassem, mas salvo pelo super-vô ele se safou desta. E, olha, é assim que criança aprende! Pois se não deixarmos que eles sintam um pouco do perigo, se a proteção for demais, não aprendem, querem sempre testar até onde podem.
Este teu post está muito parecido com os escritos de Rubem Alves num livrinho que ele fez especialmente para seus netos, conta histórias interessantes e amorosas como esta.
Adorei!
beijinhos cariocas

(Ahh ia esquecendo de dizer-lhe que, no sábado, voltando de outra cidade ali perto de Petrópolis, numa curva, tinha lá um quero-quero, sentadinho no meio da grama, no descampado. Só podia estar guardando o ninho, vi de dentro do carro.)

Jeanne Geyer disse...

fiquei só imaginando a cena,kkkkkkkkkk mt boa tua narrativa a aprendi sobre o quero quero. bjs

Jeanne Geyer disse...

fiquei só imaginando a cena,kkkkkkkkkk mt boa tua narrativa a aprendi sobre o quero quero. bjs

Anônimo disse...

Adorei esta cumplicidade de avô/neto e... quero-quero!

Simplesmente delicioso.

Tudo de bom.

:)
;)

Ives disse...

A mãe natureza é a mãe de toda criação! Gostei do seu blog e escrita A sigo, abração

Marlene Pires disse...

Oi Marli que delícia de blog menina, eu adorei a saga do quero-quero e a insistência do Pedrinho, mas como sempre eles têm que experimentar para comprovar o que os pais e avós falam né!!!
Obrigada pela visita e volte sempre.
Beijos e fique com Deus,
Marlene

Lau Milesi disse...

Oi Marli, já sou sua seguidora há muuito tempo. Que bom!!
Muito bom, também, voltar essa aproximação através dos blogs,que estão perdendo terreno pra rede social facebook. Lutemos por eles.:)
Que texto gostoso,vi a cena nitidamente.Corri também do quero-quero e sua família gigante.Que sufoco que Pedrinho passou. Ainda bem que apareceu um herói: o avô. Avós são heróis. :)Marli,no Maracanã já vi cenas hilárias de quero-queros querendo bicar as canelas de alguns jogadores pernas de pau.O que não é o caso do Pedrinho, dá pra sentir.

Um beijo e parabéns pela bela crônica.

Malu Machado disse...

Adorei ler ! Lindo. E isso não é bulling, é sabedoria. A gente não aprende com os erros? Beijos querida ! E parabéns pelo netinho. Meu filho tem 9 anos viu. :-)

Élys disse...

Uma historia deliciosa que só o netinho não gostou, mas aprendeu que o avô sabe das coisas e tem de obedecê-lo.
Beijos,
Élys.

ONG ALERTA disse...

Adorei a história é exatamente assim a gente avisa e não adianta até acontecer....foi divertido....
Beijo Lisette.

Sylvio de Alencar. disse...

Sim sim sim...!
Você tem o dom da escrita. E se o tem, então tem o dom de viver com a atenção que a vida merece. Que a vida merece e nós, os humanos, sem duvida agradecemos.
Agradeço de coração sua passagem pelo meu espaço. Pessoas como você o enobrecem, e justificam sua existência.

Abração, Marli.

Anete disse...

Marli, obrigada pelo carinho no Vida & Plenitude... Seja Bem-Vinda!
Gostei do seu relato, cheio de vida, graça e aprendizado... Vivendo e aprendendo, né?!

Um abraço... Bom Final de Semana...

Pepi,Xixo,Juja,Jujuba disse...

Os avós são os anjos da guarda dos netos
Amei a história
Linda semana e tuuudo de bom, Marlí
Beijinhos mil de
Verena e Bichinhos