23 abril, 2010

NÃO SEI...

Olá!

Trago hoje um poema que adoro. É de Cora Coralina.
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985).

Cora Coralina? Beleza, a gente já conhece, desde longa data. É verdade, parece que sempre a conhecemos, uma simpatia de velhinha. A grande poeta de Goiás.

Gente, eu amo Cora Coralina, grande poeta, um exemplo de coragem. Carregou um casamento infeliz durante quase toda sua vida e só na viuvez conseguiu se encontrar.  É impressionante como a vida tem surpresas, imagine só, quando ela soube, quando ela sentiu que era poeta, ela já estava bem velhinha, já havia passado todo o trabalho do mundo, gastado todas suas forças e levado muitas pauladas da vida. Mas nada disso a impediu, ela soube que precisava tomar consciência de sua real dimensão como mulher e como poeta.  E ofereceu ao mundo versos nunca vistos, de uma pureza ímpar, um talento que me emociona até às lágrimas.

Esse poema que eu trouxe, foi escrito quando seu rosto já estava bem enrugado e o corpo maltratado pela vida, mas a alma, nossa(!) a alma está aqui, límpida, pura, elevada, inteira, em versos cheios de vida, de amor e de grandeza, como ela sempre foi e como ela morreu. Em estado de graça, digna, amando e poetando. Acho que é bom morrer assim.


NÃO SEI...

Não sei... se a vida é curta...
Não sei...
Não sei...

se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.

que gostem.
Beijos e bom findi.
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