02 maio, 2014

VOSSOS FILHOS


Faz muito tempo. Eu era adolescente ainda, e foi na biblioteca do colégio que li pela primeira vez esses dizeres do Gibran Khalil. Achei a coisa mais linda, mais perfeita e tratei de copiar e guardar comigo..., pensava nos meus filhos quando eu fosse mãe. Mas não sei como, sabe aquelas coisas que acontecem... na verdade não sei se perdi ou emprestei para alguém que não me devolveu. O fato é que simplesmente o dito texto sumiu das minhas mãos e nunca mais o encontrei. Coisa doida, ninguém tinha, ninguém sabia, ninguém nunca vira. Fiquei tão chateada, mas não desisti de procurar. Muitas vezes tentei lembrar do texto, mas nunca consegui, quando muito lembrava de alguns pedaços. Mas hoje, aconteceu! Encontrei na internet. Imagina se eu não iria trazer para cá e mostrar a você!

Para ilustrar o poema, taí o Pedrinho, meu netinho mais novo, que adora brincar com "meus olhos", rsrsrsrs. (Ele não sabe que coisa chata é depender de óculos para enxergar, tsc). Mas eu o trouxe aqui, porque, tal como disse o poeta, sua alma reside no amanhã, que nem mesmo em sonho poderei visitar. 


vossos filhos
Meu Pedrinho e meus óculos, não faça isso menino! 

Vossos filhos não são vossos filhos. 
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. 
Vêm através de vós, mas não de vós. 
E embora vivam convosco, não vos pertencem. 
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, 
Porque eles têm seus próprios pensamentos. 
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; 
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, 
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. 
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, 
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. 
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. 
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força 
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. 
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: 
Pois assim como ele ama a flecha que voa, 
Ama também o arco que permanece estável.


Beijos a todos
Marli

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