26 março, 2010

TEMPO PARA CONTAR ESTRELAS

Conte minha filha, conte, quantas você puder, olhe elas estão sorrindo pra você! Não pense em nada, só conte as estrelas... Você vai ver, elas são mágicas, é só contar e a alegria vem. E a tristeza vai embora. Sabe, filhinha, vou te contar um segredo, conforme a gente olha para o céu e conta, nosso coração se acalma e ao mesmo tempo, cada estrelinha nos entrega um sorriso e um brilho, e a gente começa a se alegrar. Acredite, é verdade. Experimente, você vai ficar brilhante e sorridente e todo mundo vai gostar de você. Ninguém gosta de pessoas tristes, você sabia? A tristeza faz as pessoas ficarem muito feias. Nunca esqueça de levantar a cabeça, olhar para o céu e contar as estrelas.

E a menininha seguiu contando as estrelas e quanto mais contava, mais sentia a alegria invadir seu coração. Ela não se descuidava, não se deixava entristecer. Ela era capaz de "sentir" em sua alma a intensidade do brilho e do sorriso que cada estrelinha lhe oferecia.

O tempo foi passando e a menininha crescendo, cada dia mais iluminada e feliz. Todo mundo gostava dela, de seu temperamento extrovertido e suave. Mas a infância despediu-se e num belo dia chegou o amor. O coração bateu forte e ela começou a trilhar os caminhos da existência ao lado do companheiro que escolhera. Sentia-se realizada, dona do mundo! Em sua felicidade, ela não imaginara que a vida adulta tivesse tantos mistérios e tantos desígnios. Um dia a tristeza bateu à sua porta, bateu forte, e nesse tempo, nada de estrelas. Os infortúnios a fizeram esquecer suas amigas brilhantes.

Mas foi numa noite insone que aconteceu o milagre. Ela levantou-se, e, sem forças apoiou-se na janela, o coração despedaçado. Sem saber como, seus olhos voltaram-se para o céu... e lá estavam elas, sorridentes a cintilar. No mesmo instante, ouviu com incrível nitidez, as palavras de sua querida vó, conte, minha filha, conte... e então, lentamente, sem pensar em mais nada, com a cabeça erguida e o olhar no céu, ela começou a contar as estrelas, um, dois, três... e foram muitas, quando deu-se conta as lágrimas haviam secado e sumido completamente. Naquela noite ela dormiu energizada, expulsara a tristeza de seu coração. Ela pôde então compreender a mágica, tão singela, tão acessível, e tão fugaz..., contar estrelas é apenas um momento, mas é um momento de luz, que nos convida a vislumbrar outras perspectivas de viver. A partir daí, ela seguiu dedicando um tempo para as estrelas e notou que seus caminhos começaram a clarear.

A vida seguiu sua trajetória e a tempestade cedeu lugar à calmaria. Ela decidiu não contar essa mágica a ninguém, afinal, ninguém entenderia mesmo, e ainda diriam que contar estrelas era coisa de crianças.

Tempos depois, passeando com seu netinho pela mão, ele olha para o céu, abre um sorriso e diz: vovó, olha lá a estelinha céu... ele apontou com o dedinho e começou a contar, um, dos, teis... Então ela ouviu sua própria voz dizer num acorde, conte meu filho, conte, quantas você puder....

by Marli Borges

Beijos e bom findi
Fui.
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