21 março, 2010

CINDERELA QUE LARGA O PRÍNCIPE E BRANCA DE NEVE QUE TOMA PROZAC


Quem não conhece a história da Cinderela e da Branca de Neve? E da Bela Adormecida?
Sei, você já está careca de saber. Eu também. Aliás, já andei lendo umas modernizações desses contos, algumas até gostei. Mas agora é diferente. Uma escritora e uma desenhista fizeram um livro pra lá de bacana. Tanto que, recém lançado, já é o mais vendido entre os espanhóis. Trata-se de “La Cenicienta que no queria comer perdices” (“A cinderela que não queria comer perdizes”, uma alusão aos finais dos contos espanhóis que sempre acabam com a frase “foram felizes e comeram perdizes”).

Imagine você que a Cinderela simplesmente se cansa e larga o príncipe, e a Branca de Neve sai da depressão e abandona o Prozac! Genial não? E olha só os detalhes: a Cinderela é vegetariana convicta e tem que cozinhar perdizes para o príncipe, que está sempre reclamando. Basta! Largou ele sem demora. Perdizes, never more!  A Branca de Neve, por sua vez, não quer mais saber de cozinhar pra sete marmanjos e abandona essa vida cruel, decide cuidar da beleza, pega um bronzeado e fica moreníssima!  E a Bela Adormecida, pasme, acordou sozinha, sem precisar de ninguém! Há ainda o reencontro de outros personagens, Pinóquio, Chapeuzinho Vermelho, etc., que, em nova fase, mudaram suas vidas.

Já li o livro em espanhol (baixei em pdf, disponibilizado pelas próprias autoras na rede). O livro é leve, fácil de ler, tem poucas páginas, pouco texto e várias ilustrações. Mas, alto lá, não pense que é mais uma bobagemzinha daquelas que a gente está acostumada a ver editada por aí. Não, não é mesmo, e inclusive as autoras o dedicaram "às mulheres valentes que querem mudar de vida".   A mensagem é belíssima!
Aqui um parêntese: Achei muito legal a estratégia que elas usaram para juntar dinheiro para publicação: divulgaram o livro na internet e pediram a colaboração de quem tivesse gostado. Sei que tem muita gente que é contra os livros na net, mas acho ótimo, a tecnologia veio trazer um novo modelo de negócios para esse segmento, taí um exemplo.

Voltando ao foco. Veja só como são as coisas, as autoras (a escritora Nunila Lopez Salamero e a desenhista Myriam Cameros Sierra) cansadas de oferecer a história nas editoras espanholas e não receberem nenhum pio de resposta, decidiram pedir ajuda para amigas e associações de combate à violência contra a mulher. Foi assim que juntaram dinheiro para a publicação. E na seis primeiras semanas após o lançamento, venderam a bagatela de 50 mil exemplares! (que golaço hein!) Agora elas estão com a bolinha cheia, pois além de receberem apoio de intelectuais espanhóis, uma das maiores editoras da Espanha, a Planeta, resolveu publicar a obra! (a gente já viu esse filme, rsrs).

Deixo aqui o link para quem quiser baixar o livro em espanhol, em pdf.

Marli Soares Borges

Em tempo: publicado originalmente no Blog da Marli em 21.03.2010. Na época, vi na internet que o livro seria lançado no Brasil em 2010. 
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