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| Pablo Picasso "Mulher com espelho" |
- Marli Soares Borges -
Não lembro se li ou se ouvi dizer que numa certa idade, nós mulheres nos fazemos invisíveis, inexistentes, pois vivemos num universo que cultua a juventude eterna.
Eu, como sempre, transportei isso tudo para minha vida que é o que conheço melhor. E andei pensando. E quer saber? concordo em parte. É bem possível que eu tenha me tornado invisível para o mundo, que minha atuação no teatro da vida tenha diminuído, - afinal, vivo num mundo que cultua a juventude como se a passagem do tempo fosse apenas imaginária -. Mas se por um lado minha atuação no teatro da vida pode realmente ter diminuído, por outro, nunca me senti tão protagonista e nunca desfrutei cada momento da minha existência como agora. E nunca tive tanta consciência de que existo, como agora. Descobri que sou sensível e forte ao mesmo tempo, descobri em mim misérias e grandezas.
Estou de alma lavada, percebi que sou um ser humano, apenas. Posso me dar ao luxo da imperfeição! Posso ter fraquezas, enganar-me e até mesmo não corresponder ao que os outros esperam de mim. E daí? Decididamente não sou uma princesa de contos de fada! Mas sabe qual foi a maior descoberta? É que posso ter um montão de defeitos e assim mesmo gostar de mim.
Ao espelho.
O espelho reflete minha imagem agora. Sorrio. Já não me procuro mais na juventude... o passado lá ficou. Vou apenas caminhando. Encontro a jovem que fui, cumprimento-a e sigo adiante, afasto-a de mim. Ela agora só me atrapalha, seus sonhos e fantasias já não me interessam. Prefiro curtir a vida sem ter que correr atrás de tantos sonhos! Acho ótimo isso. Viajo agora em outras sensações e a alegria é uma delas. Alegro-me do caminho que percorri, assumo meus conflitos e contradições.
Cada dia que amanhece é o meu dia e me permito acreditar: hoje é o meu dia. Amanhã? Bom, amanhã só saberei amanhã. Acho mais divertido viver assim.
Beijos e bom início de semana.
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