17 junho, 2014

A ARTE DE DIALOGAR


Olá, pessoas!


A morte de Sócrates, pintura de Jacques Louis David, 1787


Vi ontem na internet a propaganda de um curso sobre a arte de dialogar. E pensei: já não era sem tempo! Tem gente demais perdendo a elegância; quando não concordam com algum ponto de vista, esquecem logo o debate, abandonam as ideias e atacam as pessoas. Sei lá, parece que são vocacionadas para o confronto. Imagino que aprisionadas em sua estreiteza de espírito, vivam em constante tensão e por isso extravasam suas frustrações, combatendo pessoas em lugar de combater ideias. Uma estupidez pungente. 

Eu fujo, quero distância dessa grei.

Fujo... mas dia desses, lá no facebook, alguém não gostou de um ponto de vista meu e apelando para a violência, verbalizou uma série de agressões. Tentou me atingir com uma voadora, direto na cara. Mas se deu mal: o golpe falhou. Luta corporal, o conhecido 'vale-tudo' não é comigo. Não atuo nessa área, jogo no campo das ideias.
  
Lembro de Sócrates, importante nome da filosofia ocidental, considerado por seus contemporâneos como um dos homens mais sábios e inteligentes da época, ele vivia dizendo "só sei que nada sei". Para ele o diálogo era a única forma de buscar e transmitir sabedoria e verdade. Ele acreditava que através do diálogo era possível despertar a consciência das pessoas e ajudá-las na busca do saber. 

Eu também penso assim.

Penso no diálogo como uma atitude interna de cada um de nós. Uma exposição pacífica de razões e argumentos, um empenho em tecer uma explicação de coisas que possam ser compartilhadas e entendidas por todos os que têm capacidade de pensar e que buscam não só a verdade, mas os modos de acessá-la. Assuntos, opiniões, livros, músicas, etc são coisas que podem ser compartilhadas, debatidas e compreendidas, ou seja, você toma conhecimento e outras pessoas também, e a partir daí busca-se, no diálogo, as nossas compreensões. O diálogo não é uma via de mão única, ele inclui convergências e divergências.

E suporta os mais variados pontos de vista.

Tenho esperança nas relações dialogais. Talvez os preconceituosos, donos da verdade, me achem sonhadora, e sou mesmo (do contrário eu já teria jogado a toalha e deixado de me ocupar com essas questões). Creio que o que aconteceu lá no FB, foi um modelo de comunicação travada, mas que pode ser melhorado através do diálogo. Dialogando, é possível ampliarmos os limites do espírito, questionarmos nossas próprias idéias e aguçarmos nosso raciocínio, pois como Sócrates não cansa de nos lembrar, nada nos afasta mais do conhecimento do que o pseudo-conhecimento, esse miasma que se parece tanto com o conhecimento, mas que, de fato, não é.

Sem guerras, please, estamos em tempo de paz.

Marli


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