domingo, outubro 20, 2013

PNL-10 Auxiliares Linguísticos da PNL

"A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto." 
Provérbios 18:21
  
"Guarda tua língua do mal, e teus lábios das palavras enganosas."
Salmos 34:13


A linguagem dirige nossos pensamentos para direções específicas e, de alguma maneira, ela nos ajuda a criar a nossa realidade, potencializando ou limitando nossas possibilidades. A habilidade de usar a linguagem com precisão é essencial para nos comunicarmos melhor. A seguir, andei pesquisando, e achei uma lista de palavras e expressões que devemos observar quando falamos, porque podem dificultar nossa comunicação. Modifiquei a redação para facilitar a leitura e trouxe aqui para você. Na verdade, são algumas armadilhas da nossa linguagem.

Enjoy.

  • Cuidado com a palavra NÃO. 
  • A frase que contém "não", para ser compreendida, traz à mente o que está junto com ela. O "não" existe apenas na linguagem e não na experiência. Por exemplo, pense em "não"... (não vem nada à mente). Agora vou pedir a você que "não pense na cor vermelha". Pois é, pedi para você não pensar no vermelho e você pensou. Por isso, procure falar sempre no positivo: o que você quer, jamais o que você não quer. 

  • Cuidado com a palavra MAS
  • A frase que contém "mas", nega tudo que vem antes. Exemplo: "Fulano é um rapaz inteligente, esforçado, mas..." Nesse caso, substitua "mas" por "e". 

  • Cuidado com a palavra TENTAR 
  • A frase que contém "tentar" pressupõe sempre uma possibilidade de falhar. Por exemplo: "vou tentar acordar amanhã às 8h". Nesse caso, tenho grande chance de não ir, pois apenas vou "tentar". Se for possível utilize "fazer". 

  • Cuidado com as palavras DEVO, TENHO QUE ou PRECISO
  • A frase que contém alguma dessas palavras, pressupõe sempre que sua vida é controlada por algo externo. Em vez delas, use "quero, decido, vou". 

  • Cuidado com as palavras NÃO POSSO e NÃO CONSIGO
  • A frase que contém essas palavras, sempre dá ideia de incapacidade pessoal. Use "não quero", "não podia" ou "não conseguia", que pressupõe que você terá sucesso no que for fazer. 

  • Use a palavra AINDA
  • Ao falar nos seus problemas, ou fazer descrições negativas de si mesmo, utilize o verbo no passado ou diga a palavra "ainda". Isto libera o presente. Exemplo: "eu tinha dificuldade de fazer isso", "não consigo ainda". A palavra "ainda" pressupõe que vai conseguir. 

  • Substitua SE por QUANDO
  • Em vez de falar "se eu conseguir ganhar dinheiro, vou viajar", diga: "quando eu conseguir ganhar dinheiro, vou viajar". A palavra "quando" pressupõe que você está decidido. 

  • Substitua ESPERO por SEI
  • Em vez de falar, "eu espero aprender isso", diga: "eu sei que eu vou aprender isso". A palavra "espero" transmite a ideia de dúvida e enfraquece a linguagem. 

  • Substitua o CONDICIONAL pelo PRESENTE
  • Em vez de dizer "eu gostaria de agradecer a presença de vocês", diga: "eu agradeço a presença de vocês". O verbo no presente fica mais concreto e mais forte. 

  • Fale das mudanças desejadas
  • Use o verbo no PRESENTE ou no GERÚNDIO. Exemplo, em vez de dizer "vou conseguir", diga "estou conseguindo". 

Mas, por favor, EVITE o gerundismo, que é terrível.
Bom, por enquanto é isso.


sexta-feira, outubro 18, 2013

O PODER DAS PALAVRAS


Esse texto que você vai ler agora é um dos meus preferidos. Eu acho simplesmente fantástico, bonito, elegante, elaborado. Puro talento. Sua matéria-prima é a palavra, e é impressionante a forma com que o autor(a) expressa seu sentimento. Sigo cada vez mais, fascinada pelas palavras.

Não, não foi bobeira, de onde eu copiei não constava a autoria, mas se você souber, please, me diga. Independente disso, enjoy!!

Já perdi a voz,
já perdi avós,
já me perdi em nós e
já perdi momentos a sós.

Já me perdi em pós.
Já recalquei algo atroz.
Já naveguei do interior dos sonhos até à foz e
já gritei meio louco meio feroz.

Já me senti a correr parado e
já fiquei estagnado no instante mais veloz.
Em todos estes momentos fui pelas palavras.
É por lá que caminho.

Por uma ponte de consoantes
suspensa por inflexões de ritmo,
com intertextualidades pendentes.

Percorro-a pelas aliterações e
através das pontuações,
sem reticências... para pontuar o prazer.

Porque sou pelas palavras.

Uns são pelos cães.
Eu sou pelas palavras.
Outros são pelas ações.

Bem sei que as ações falam.
Mas as palavras, essas, atuam.
Em qualquer filme ortográfico.

Bom final de semana
Marli Soares Borges, 2013

Em tempo: esse post foi publicado originalmente em 30 de outubro de 2010 com o título: AS PALAVRAS ATUAM

segunda-feira, outubro 14, 2013

QUERO-QUERO QUANDO GRITA


Meu netinho Pedro (6) e seu avô Nilton, my husband, são carne e unha. Às vezes eles se desentendem, mas é coisa pouca e tudo fica numa boa. Mas ontem... calma, já vou contar. Você conhece o quero-quero? É uma ave pequena, de aparência modesta, que gosta de viver nos campos e nas pastagens. Tem um grito estridente que lembra a palavra quero e é um vigilante nato. Quando percebe a aproximação de qualquer criatura, ele avisa. Por isso nós, gaúchos, o chamamos "Guardião dos Pampas". Detalhe: são passarinhos curiosos: não pousam em árvores e fazem seus ninhos no solo. E costumam defender seus filhotes com gritos e ataques rasantes às pessoas e, embora nunca atinjam ninguém, eles assustam demais. E é aqui que começa a história. 



O Pedro insistindo e o avô avisando: não vai, olha o quero-quero, eles estão com ninho, tem filhotinhos, não mexe com eles. Mas vô, eu já disse que não vou mexer, eu só quero ver, VÔ! Já falei, menino, não chega perto deles, eles atacam as pessoas. Pra quê? Nem te ligo, o Pedrinho não deu a menor bola, saiu de tranco duro, a passos largos, no firme propósito de ver os filhotes bem de perto. E não deu outra, foi mal. Você precisava ver os apuros, o corre-corre, a choradeira! Nada do que eu escrever aqui dará a dimensão exata do que aconteceu naquele instante. Só sei que foi tudo muito engraçado, a família inteira dos quero-quero (pai, mãe, tio, primo, sobrinho) todo mundo voando e gritando ao mesmo tempo, era vôo rasante que não acabava mais, quero-quero pra todo lado, uma esquadrilha de guerra, e o Pedrinho bem ali, no meio do tiroteio, no maior susto, correndo em círculos, agitando os braços e berrando a plenos pulmões. Uma doideira. E a assistência -- sim, tinha assistência, hahaha -- aos berros, acenando com as mãos, corre Pedrinho, aqui, por aqui, rápido! No final das contas foi preciso a intervenção do avô para colocar tudo em pratos limpos e trazer a paz de volta ao sítio. A paz? Que nada, não deu meia hora e lá vem o Pedro novamente tentando aprontar noutro campo de pastagem. Dessa vez o esperto avô, na maior calma do mundo, e em pouquíssimos decibéis, disse apenas: "Pedro, olha o quero-quero!" E eis que o milagre acontece: o céu se abre e o Pedrinho obedece, de boa vontade, sem contestar! Maravilha, tudo sob controle. Agora sim, com esse poder na mão, certamente haverá por aqui, -- por pouco tempo, eu sei --, um netinho obediente, sonho dourado de todos os avós! O quê, denunciar o avô? Enlouqueceu? Aprender com os erros não tem absolutamente nada a ver com bullyng! De onde você tirou uma bobagem dessas? Ninguém merece. Rsrsrs.
Marli Soares Borges, 2013

P.S. por motivos óbvios não consegui bater fotos. As imagens são do Google.