10 fevereiro, 2014

UM SONO QUE NÃO É SONO


Millôr disse que estamos condenados à esperança. Concordo. Uma das mais assustadoras sentenças condenatórias que poderíamos receber no processo da vida, é a esperança. Do verbo esperar, bem entendido. Os que recebem tal sentença, a menos que apelem para a Luz, restarão invariavelmente aprisionados na estagnação pessoal e social. Eles simplesmente desistirão da viagem, "na véspera de não partir nunca, ao menos não há que arrumar malas", ah, meu amigo Pessoa, você foi direto na jugular! Tenho medo dessa esperança "pirata", essa bruxa perversa que sufoca e aprisiona as pessoas numa prisão insalubre. Deixa você fora do ar, dormindo... eternamente. Inerte como naquele filme, onde o gigante deitado em berço esplêndido, espera não sei o quê. Dorme um sono pegajoso, que não é sono, é uma absurda inação. (Esse filme costuma passar muito por aqui). Mas, fora da prisão, a vida segue outro rumo. Na liberdade as pessoas enxergam a Luz! Livres da esperança "pirata" todos têm plena capacidade de agir e fazer acontecer! Animam-se a lutar, a viver e a buscar. Porque sabem que, longe da inércia, há possibilidade concreta de conquistarem os sonhos possíveis. Isso é o que eu chamo, gozar os efeitos da verdadeira Esperança, aquela do verbo esperançar. Um santo remédio, como diria minha esperta avó.
- Marli Soares Borges -
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