- Marli Soares Borges -
Millôr disse que estamos condenados à esperança. Concordo. Uma das mais assustadoras sentenças condenatórias que poderíamos receber no processo da vida, é a esperança. Do verbo esperar, bem entendido. Os que recebem tal sentença, a menos que apelem para a Luz, restarão invariavelmente aprisionados na estagnação pessoal e social. Simplesmente desistirão da viagem pois "na véspera de não partir nunca, ao menos não há que arrumar malas", ah, meu amigo Pessoa, você foi direto na jugular!
Tenho medo dessa esperança "pirata", essa bruxa perversa que sufoca e aprisiona as pessoas numa prisão insalubre, deixando você fora do ar, dormindo... eternamente e inerte como naquele filme, onde o gigante deitado em berço esplêndido, espera não sei o quê. Dorme um sono pegajoso que não é sono, é um absurdo desânimo. A prisão da esperança (do verbo esperar) nos acorrenta à acomodação, à preguiça e inatividade.
Mas fora dessa prisão, a vida segue outro rumo. Na liberdade as pessoas enxergam a Luz! Livres da esperança "pirata" todos têm plena capacidade de agir e fazer acontecer! Animam-se a lutar, a viver e a buscar. Porque sabem que, longe da inércia, há possibilidade concreta de conquistarem os sonhos possíveis. Isso é o que eu chamo, gozar os efeitos da verdadeira ESPERANÇA, aquela do verbo ESPERANÇAR. Um santo remédio, como diria minha esperta avó.
💙💙💙

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