01 fevereiro, 2015

OS MONSTROS


... e no final das contas, eles nem precisariam ter se assustado dos monstros. Não havia monstros, como puderam comprovar ao acenderem a luz. Foi então que eles se deram conta de que os monstros que haviam visto nas noites em que ali estiveram, eram as próprias pessoas que, durante o dia, eles conheciam muito bem. Conheciam mesmo?... e a ficha caiu: eles pensavam que conheciam! Acontece que ninguém conhece verdadeiramente alguém, porque ninguém é absolutamente transparente. Ninguém se dá a conhecer totalmente. Nem para si próprio. Somos todos uns ilustres desconhecidos de nós mesmos. Essa transparência tão alardeada e desejada, é uma coisa midiática, apenas um ideal. Outra utopia posta na nossa mesa para nos confundir. 


Marli Soares Borges
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