09 março, 2014

DO NASCIMENTO À MORTE

Pintura de Georgia O'Keeffe

Sorry, não torça o nariz, 8 de março é dia de alegria e não podemos passar em branco. "Dia Internacional da Mulher" é dia de saudar-nos umas às outras. Dia de abraços e apertos de mãos. E também de agradecer às mulheres e homens -- muitos deles -- que no passado deram seu sangue para que hoje pudéssemos ostentar os documentos que identificam nossa cidadania.


De lá para cá, estamos avançando a passos rápidos e somos vencedoras na luta pela conquista de nossos direitos. Somos unidas, inteligentes e informadas. Aprendemos a nos articular nos conflitos. Aprendemos que a união é nosso trunfo e estamos abandonando -- aos poucos, é verdade -- a maldita rivalidade que tanto nos escravizou e detonou nossa auto-estima, naqueles tristes tempos em que a gente não era ninguém. Aprendemos a ser solidárias umas com as outras. Confiamos em nós. E digo isso sem medo de errar, porque ninguém consegue avançar no campo dos direitos sem essas qualidades. Portanto, aviso aos navegantes: desistam de tentar nos jogar umas contra as outras. Isso de "dividir para melhor reinar" já era, e cá entre nós, foi um golpe baixíssimo que nos aplicaram durante quase um século e, reconheço, foi uma pedra no nosso sapato, e nos enfraqueceu demais como sujeitos de direitos. Ainda bem que conseguimos neutralizar os ataques e, hoje em dia, somos independentes de dentro para fora. E isso nada tem a ver com sustento, com riqueza, com independência financeira e tals. Nada mesmo. A independência emocional se alicerça em outros fatores e tem outra natureza. E não guarda qualquer relação com a classe social, é igual para todas. A gente simplesmente pensa com a nossa cabeça.

Aleluia!

Mas não pense que estamos com a vida ganha. Não mesmo. Ainda tem muito chão pela frente e muitos direitos a conquistar. Estamos engatinhando na arte de lidar com os homens. Eles não são fáceis quando se adentra no campo dos direitos, o que torna complicado ser mulher. Por exemplo, até hoje, no trabalho, ainda não estamos concorrendo com eles em igualdade de condições. Temos sempre de ser melhores, MUITO melhores. E isso é uma injustiça. Calma. É só uma questão de tempo, as mudanças acontecerão, acredito. E tem muito mais coisas, outro dia escrevo sobre. Agora um alerta, please, não caia naquela conversinha rançosa de que não é pra gente perder a ternura, que não precisamos competir com os homens porque já nascemos na frente e blablablá. Era o que nos diziam lá nas cavernas, para nos engambelar e surrupiar nossos direitos. Chega de papo furado. Nossos direitos são sagrados e vamos continuar lutando por eles. Todos os direitos que temos agora, tiveram de ser conquistados na marra. Ninguém nos deu de graça.

E agora um recadinho: valorizem-se mulheres, além de nosso intelecto, nossa sensibilidade, etc., carregamos em nosso corpo uma graça divina, a maior delas: podemos dar à luz um novo ser! Somos donas desse departamento e ninguém muda isso! E, de quebra, ainda gerenciamos o Departamento do Colinho. Explico. Vivemos a vida inteira dando colinho para os homens, aqueles fortões. Ao nascer lhes damos nosso colinho de mãe, nosso seio que amamenta; na mocidade lhes damos nosso colinho de amante, nosso seio que encanta, e na velhice lhes damos nosso colinho de aconchego, o porto seguro para amenizar suas mágoas. 

Já viu, estamos em todas, do nascimento à morte. Merecemos os parabéns.

- Marli Soares Borges - 
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