domingo, março 01, 2026

SOMOS SERES CONTAGIANTES





- Marli Soares Borges -

Se a gente fala baixinho, as pessoas tendem a murmurar, se bocejamos, daqui a pouco todo mundo começa a bocejar. Se estamos meio down, inevitavelmente as pessoas nos acompanham nesse sentir. E fica todo mundo com cara de poucos amigos. Podemos dizer então que além de sermos seres contagiantes, somos também epidêmicos. A gente dissemina doenças. - De vários tipos e etiologias, diriam os médicos -. Mas não quero saber dessas coisas de medicina, estou pensando é nesse poder disseminador que a gente tem. 

Que tal disseminar a doença dos sorrisos, das cores, das flores, dos aromas, dos amores? Aposto que logo, logo, vai virar epidemia! Que tal uma epidemia incurável de alegria? De entusiasmo pela vida? Uma epidemia do bem? Por que não? 

Claro que a nossa vida não é esse mar de rosas que andam vendendo por aí em todas as mídias. As coisas às vezes saem bem erradas, a gente luta e perde, perde-se coisas, perde-se pessoas. Sofremos roubos e traições. Mergulhamos num mar de tristezas, contradições e conflitos. 

Mesmo assim, passado o momento de sofrimento intenso, nada nos impede de renascer e disseminar coisas boas, podemos fomentar o entusiasmo pela vida. É dureza, eu sei, principalmente porque as pessoas que estão próximas são, muitas vezes, as mais turronas e difíceis de lidar. Mas pode ser que elas se contaminem e peguem as coisas boas, umas nas outras. E aí a boa doença se instala e vai se alastrando. Pense nessa ideia, não é simples, e a vida é simples, por acaso? mas quem pode afirmar que atitudes de alegria não possam ser a salvação contra a APATIA, esse mal terrível, outra pandemia que se avizinha e ameaça o mundo?


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