- Marli Soares Borges -
Era uma vez um Papai Noel que não desejava mais entregar presentes. Ele estava exausto; não de um cansaço físico, mas de um cansaço da alma, um desencanto acumulado por séculos testemunhando os desvios da natureza humana.
Sentado numa nuvem, ele fitava a gigantesca "Lista de Desejos" que teria de cumprir na noite de Natal e quanto mais lia, mais a tristeza o consumia. A lista era um inventário de materialidades: pedidos de celulares, fones de ouvido, roupas de grife, consoles de videogame, robôs, drones e até likes nas redes sociais. Itens vazios e superficiais que, no fundo, não acrescentavam nada de essencial à vida de ninguém.
"Eles não querem mais a magia, Gabriel", desabafou para um anjo que, ao seu lado, tentava inutilmente consertar um sino que perdera o som. "Eles desejam gratificações instantâneas; transformaram o Natal numa maratona de consumo e estresse."
"Paciência", ponderou o anjo.
Mas a tristeza falava mais alto e Noel disse consigo mesmo: "neste Natal farei as últimas entregas e, na sequência, irei aposentar-me. Vou viver na Terra, em algum lugar quente, talvez no Brasil, onde a magia do verão possa, quem sabe, derreter minhas tristezas."
E na noite de 24 de dezembro, ele fez os preparativos habituais: carregou o trenó, vestiu seu traje e partiu para o trabalho. Começou a viagem e, em cada casa que chegava, o cenário se repetia: crianças dormindo com fones nos ouvidos, famílias discutindo por dinheiro, mesas decoradas com adornos excessivos e milhões de LEDs piscando agressivamente, sem alma e sem calor. Noel deixava os presentes e se retirava, discretamente, cada vez mais triste, pois o brilho nos olhos das pessoas simplesmente não existia mais.
Continuou seu trabalho e andou por muitos lugares até quase perder as forças. Sentiu que precisava descansar um pouco. Foi então que avistou uma pequena casa, logo ali, (e que nem constava na Lista). Entrou silenciosamente e notou que a casa era bem humilde. Na sala, o Natal estava representado por uma pequena árvore de galhos secos e alguns enfeites de papel. Duas crianças dormiam num colchão improvisado no chão, e na mesa da cozinha, apenas um prato com biscoitos caseiros. Ao lado dos biscoitos havia um bilhete rabiscado que chamou sua atenção:
"Querido Papai Noel,
Não precisamos de presentes caros. Mamãe trabalha muito e está doente, e papai anda muito desanimado. Por favor, traga apenas um pouco de saúde para a mamãe e ânimo para o papai. E faça meu irmãozinho acreditar que a vida vai melhorar.
Obrigada, assinado: Sofia."
Noel leu o bilhete duas vezes e seus olhos marejaram. Aquele pedido não era sobre o "ter", mas sobre o "ser" e o "sentir". Ele olhou para o saco de presentes, ignorou os brinquedos caros e retirou uma singela caixa de madeira que guardava como lembrança dos natais passados, num tempo em que as crianças ainda eram crianças. Dentro da caixa havia um pequeno sino dourado (mágico, ele dizia) que, quando tocado, só podia ser ouvido por aqueles que acreditavam "de verdade" no significado do Natal. Colocou a caixa ao lado dos biscoitos e retirou-se.
Na manhã seguinte, lá do céu, ele ouviu o sino tocando... e seu coração encheu-se de felicidade! Chamou os anjos e contou-lhes a história. E todos juntos, com um sopro gentil, infundiram naquela humilde casa a energia, a saúde e a esperança. Não era magia de brinquedos, era magia de cura, conforto e amor.
Nesse meio tempo lembrou-se de que até ontem, não via a hora de terminar o trabalho e anunciar sua aposentadoria. Mas de ontem para hoje seu coração era outro: a nuvem de melancolia que desencantava sua alma, desapareceu sem deixar rastros. E pela primeira vez na vida, ele sentiu a verdadeira essência de seu trabalho de Papai Noel. E compreendeu que, embora o mundo estivesse continuamente mudando, sua missão permanecia inalterada: ser um farol de esperança nos corações desesperados, um ponto de alento em um mundo que abandonava sua própria luz.
Decidiu então que não se aposentaria, que trabalharia enquanto pudesse, pois havia muitas Sofias que precisavam de um toque de magia em suas vidas.
Feliz Natal a todos.
🌲 🌲 🌲
Lindo texto e até o Papai Noel cansa...Pelas caertinhas que vi ,algumas dos Correios, ele pode ver que as crianças quwerem luxo, modernismos e coisas assim... Ainda bem ele encontrou uma casa onde ainda vivem o verdadeiro Naral, com simplicidade! Sempre há salvação e assim Noel pode se reanimar!
ResponderExcluir🎄Que seja um Natal muito lindo, abençoado pra ti e teus!
Que o brilho permaneça em nossos corações por todo novo ano! beijos, chica🎄
Uauuuuuuuuuu que texto lindo, encantador e cheio de esperança! O Natal é essa esperança que não pode morrer, essa tristeza que deve sair e ser substituída pela alegria, pela fé e confiança que ainda existe amor no coração dos homens. O ter deve ser substituído pelo ser, pelo sentir e a fé ser reacendida nesse período e ser forte para iluminar todos os períodos da nossa existência.
ResponderExcluirBeijos!
Que linda e reflexiva história, Marli
ResponderExcluirE que o Papai Noel nunca se aposente e siga levando presentes fazendo a alegria de grandes e pequenos.
Te desejo um Abençoado Natal
Beijinhos
Verena
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ResponderExcluir┊┊🎄 MERRY🎅┊┊
🎅CHRISTMAS!🎄
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(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.
💋Kisses💋
Acho que pedidos de presentes no Natal só fiz quando criança.
ResponderExcluirQuando muito pequena papai nos fazia escrever numa cartinha.
Devo ter escrito o que nunca poderia ganhar.
Lembro dos lindos Natais com a família.
E lembro das mesas lindas arrumadas pela minha tia e cheia de frutas secas que só comíamos nos Natais.
Meus Natais continuam lindos porque eu aceitei que os tempos mudam e os Natais também mudam.
E vamos em frente que atrás vem gente.
Beijo,
Que vivamos a magia dessa data. Viva o Natal e tudo que ele nos proporciona!
ResponderExcluirBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
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Até mais, Emerson Garcia
Lindo conto na essência do que o Natal representa nas nossas vidas.
ResponderExcluirQue o Natal ilumine nossos caminhos com esperanças de um mundo mais fraterno e amoroso e que o SER supere o TER. Norma Bjs
https://pensandoemfamilia.com.br/poesia/natal-5/
Oxalá tudo volte às prendinhas do coração e que o sorriso e a simplicidade nos reúna na alegria da família .
ResponderExcluirFeliz Natal , Marli
Um texto maravilhoso, Marli.
ResponderExcluirQue a esperança continue a reinar nos corações.
Que o Menino Jesus ou o Pai Natal venham neste
tempo e em todo o tempo trazer o alívio de que
precisamos.
Feliz Natal!
Beijinhos
Olinda
Querida Marli,
ResponderExcluirUm belíssimo texto!
que o Natal te envolva com serenidade e doçura, como um abraço que chega na hora certa. Que esta noite especial traga luz aos teus pensamentos, aconchego ao coração e esperança renovada para os dias que virão.
Que não faltem motivos para agradecer, nem gestos simples capazes de aquecer a alma. Que o amor se faça presente nas pequenas coisas, nos encontros sinceros e na paz que nasce quando estamos em harmonia com o que realmente importa.
Desejo-te um Natal de calma, afeto e bons sentimentos.
Feliz Natal!
Beijinho
Fernanda