domingo, agosto 23, 2026

COMENTÁRIO INFELIZ

- Marli Soares Borges -


No post anterior, escrevi uma prece pela minha saúde. Diante das dores absurdas que compõe os efeitos colaterais de um tratamento que me exaure a cada aplicação, busquei consolo na fé e dividi esse momento aqui, pois acredito no poder que emana da união de energias. Meus blog-amigos rezaram comigo e formamos uma poderosa corrente de apoio. 

Pois bem. 

Qual não foi a minha surpresa ao me deparar com o comentário de um autoproclamado ateu e cético, despejando ofensas gratuitas contra mim. Ele se dizia ultrajado pela ingenuidade da minha fé. Mostrou-se tão obcecado em criar uma tese complexa para justificar sua verdade que acabou esquecendo o fato mais óbvio da existência: somos apenas carne, osso e medo. Quer saber? Printei a tela, excluí o lixo e segui em frente. 

Acontece que as coisas não funcionam assim. A estupidez e a ferocidade daquele comentário são imperdoáveis. Acalme-se: não tenho a menor intenção de revelar a sua identidade. Cada um acredita no que quiser, a fé é livre — ou a ausência dela. O que não é livre e jamais será aceitável, é você invadir o meu espaço e querer impor suas frustrações com agressões direcionadas a mim. Nenhuma tese justifica a ofensa ao sentimento sagrado de alguém. O delírio ofensivo que você desferiu contra mim comprovou que você não tem o menor equilíbrio. Você falou e esbravejou. Sua arrogância atacou a minha fé. Mas não anulou o que escrevi. 

Millôr Fernandes tem uma frase que diz tudo: "o cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde". Concordo plenamente. Quando a base biológica falha, o edifício intelectual desmorona. A doença grave e os momentos de dor intensa transformam ideias abstratas em vivências físicas reais e a mente começa a reavaliar certezas e buscar novos sentidos para a vida. A dor é o terreno onde a fé mais prospera, quer você queira, quer não. A razão explica o como, mas só a fé entende o porquê. Acreditar em algo maior ajuda a suportar os dias ruins. A fé direciona nossos sentidos para um amparo invisível que nos sustenta. 

Se a minha fé, a minha prece ou a minha dor o ultrajam, o problema é seu. Nem tudo o que nos sustenta na vida cabe em teses e manuais. Louve sua boa saúde em vez de sair por aí destilando asneiras e ofendendo os outros, seu erudito de fachada. Cai fora. Vaza. Não volte mais aqui.


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Obrigada pelo comentário. Bom ver você por aqui! Um abraço, Marli.