terça-feira, fevereiro 03, 2026

A PATRULHA DA BONDADE


Le Déjeuner du chat (O almoço do gato)
Pintura da artista francesa Marguerite Gérard (1761–1837).



- Marli Soares Borges -

É bater e valer! Bastou eu dizer que entre adotar uma criança ou um animal, eu comprarei o saco de ração, e as "patrulhas da bondade" já surgem alucinadas do bueiro mais próximo. — "E as criancinhas?" perguntam indignadas. Estranho é que essa indignação nunca se traduz em um centavo sequer para ajudar uma criancinha. Aliás esses patrulheiros são pessoas incríveis, eles passam o dia inteiro salvando a humanidade... pelo teclado do celular.

Penso que amar os animais não exclui o amor que sinto pelo ser humano. Amo a todos indistintamente. Acontece que, no meu caso, entre adotar um animalzinho e uma pessoa, escolho adotar um animal. cada um é livre para escolher a quem ajudar. A lógica que fala ao meu coração me diz que o ser humano tem voz e tem leis que o protegem. Já o animal não tem nada disso. Ele é um ser indefeso por definição. Ele não tem advogado e não faz textão reclamando da vida. Sou pelos indefesos. Ao ver um desconhecido precisando de ajuda e um bicho no mesmo estado, meu GPS emocional recalcula a rota direto para o quatro patas.

É fascinante como as pessoas adoram meter a colher no altruísmo dos outros. "Olha, tuas atitudes de amor ao próximo estão mal direcionadas, por que gastar tanto tempo e dinheiro com gatos e cachorros? teu dinheiro deveria ser gasto com humanos, a vida humana em primeiro lugar!" Ah, me poupe, estou cansada dessas baboseiras. Meu coração não é um sistema de cotas e meu dinheiro não faz parte do orçamento público. 

Sou uma pecadora confessa. Cometo o terrível crime de olhar para um animal abandonado e sentir mais vontade de ajudar do que se fosse um ser humano. É um desvio de caráter terrível, eu sei. Aceito minha sentença condenatória pelo tribunal da internet e das calçadas. Mas isto não muda em nada minha posição. Continuo e continuarei a mesma: sou pelos animais e pronto. 

No meu tribunal particular, a inocência de quem não conhece a mentira sempre estará acima da complexidade de quem mente até para si mesmo. O mundo é dos humanos, mas o meu sofá — e a minha assistência — é dos bichos. Entre quem fala demais e quem apenas sente, eu já escolhi o meu lado. E ele mia e late.


💗 🐾💗 🐾💗 🐾💗

28 comentários:

  1. E isso aí, Marli. Com argumentos tão sólidos, com tamanha convicção, estou aqui aplaudindo.
    Epa, não sei se o texto, ou se a atitude, risos.
    Relaxe, minha amiga! As duas coisas. Vejo melhor diante da sua argumentação, aliás, veria melhor até de olhos fechados, risos.
    A minha vizinha tem um gato que basta abrirmos a porta simultaneamente para ele cair nos braços da nossa família!
    Minhas meninas adoram-no.
    Siga em frente!
    Bjsss

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  2. Adoro crianças e bichinhos e sempre que posso ajudo, não apenas de papo ou diante das telinhas... Gostei de te ler e sou cachorreira, mas tive de tudo ...Chegamos a ter 9 gatos, 3 cachorras, porquinhos da índia, etc... Era lindo e na nossa frente, nenhuma criança ou adoilescente se atreveria a fazer mal a nenhum bichinho, com certeeeeeeeeeza!
    Adoreicte ler! beijos, chica

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    1. Obrigada por comentar, Chica.
      Só quem tem ou já teve animais é capaz de compreender esse sentimento que a gente tem.

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  3. Tão imenso é o mundo, tão imenso os problemas. Precisamos de pessoas que se dediquem a tirar o lixo dos mares, cuidem dos botos, dos idosos, dos cachorros, das árvores, das crianças. A internet tornou a muitos, chatos. Que maravilhoso termos as pessoas que se mobilizam pelos animais e tantas outras se mobilizam por ambos, pelos humanos... bradamos por paz, mas fazemos guerra a todo momento.
    Que sofá delicioso esse teu!
    Beijo Marli

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    1. É isso aí, cada um no seu quadrado, tem muita necessidade no mundo. Para termos paz, precisamos da guerra.
      bjssss

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  4. Não vou dizer que você está errada. Os donos da virtude da internet são chatos pra caramba. Acontece que o excesso de zelo por bichos também me incomoda. Humanizar bichos é uma coisa que eu não faço, ainda que eles sejam infinitamente menos complexos do que um ser humano.

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  5. I have 5 cats and a son. Some people think I should have more children and fewer cats.
    I think opinions should only be given if we ask for them. Annoying and meddlesome people exist by the thousands in the world, they're like cockroaches.
    What are our qualities? Kindness should not be seen as a quality, but rather as an obligation for everyone.
    Have a great month of February.
    (ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.
    💋Kisses💋

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    1. You're absolutely right!

      Everyone knows their own life and has the right to make their own choices.

      Hugs

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  6. Marli,

    teu texto é um manifesto voltado para o desenvolvimento humano, desses que não pedem licença para existir simplesmente existem, firmes, honestos, sem maquiagem moral. Há nele uma ironia afiada, mas também uma ternura escondida nas entrelinhas, especialmente quando teu “GPS emocional” recalcula a rota em direção aos que não têm voz.

    Você desmonta com coragem essa falsa hierarquia do amor, como se o coração fosse repartição pública com fila, senha e prioridade obrigatória. E acerta em cheio ao lembrar que compaixão não é competição. Amar animais não diminui o amor pelos humanos apenas revela um tipo de sensibilidade que se inclina naturalmente para quem depende mais.

    O trecho do “sofá dos bichos” é quase poético: transforma um espaço doméstico em território afetivo, em trincheira silenciosa contra o abandono. Ali não há discursos grandiosos, há presença, ração, colo e cuidado real que valem mais que mil opiniões digitadas.

    Teu texto não late nem mia por barulho. Ele late por proteção. Mia por afeto. E isso, no fundo, é uma das formas mais puras de humanidade.

    Beijinho
    Fernanda

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    1. Olá, Fernanda!
      Você acertou em cheio.
      Obrigada pelo comentário tão carinhoso e amável.
      Bjsssssss

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  7. Marli, estou contigo, as pessoas tem a mania de
    comparar humanos com animais, como se fossem
    a mesma coisa, nada a ver!
    Se pensar assim, os animais do mundo viveriam na
    rua, pois adotá-los é negativo, já que tem tantos humanos
    para serem adotados também.
    Deixem a livre escolha para as pessoas decidirem o que
    querem e o que podem!
    Nós também adotamos um cachorrinho atropelado, que
    zanzava de noite na rua sangrando e chorando, ficou conosco
    15 anos. Nunca vi um bichinho tão agradecido!
    Isso não quer dizer que não se deva pegar crianças, claro que sim, sem dúvida. Mas deixa a pessoa decidir!
    Não gosto destes palpiteiros.
    Beijinhos, querida.

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    1. Oi, Taís!
      Isso mesmo.
      Se todos gostassem do azul, que seria do amarelo?
      Obrigada por comentar.
      Bjsssssss

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  8. Oi, Marli amiga. Olha te aplaudo viu. Uma verdade que poucos dizem, embora saibamos que é corriqueiro até. Adorei o seu texto. Um fraterno abraço Marli.

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    1. Oi, Luciano!
      Sabes que tens razão?
      É mesmo uma verdade que muitos sabem, mas poucos dizem e outros tantos não têm coragem de assumir.
      Obrigada por comentar.
      Bjsssssss

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  9. Minha amiga Marli,
    O comentário de Taís fez-me lembrar da história do deficiente no circo. O leão tinha escapado da jaula e os espectadores fugiam para o lugar mais alto do “poleiro” quando perceberam que o deficiente ficara embaixo e todos gritavam: “o deficiente, o deficiente”. Este encurralado, gritou assustando a todos, incluindo o leão: “Poxa, (ele gritou um palavrão), deixem o leão decidir.
    Bjss, amiga Marli.

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    1. Pois é. E dizem que o leão, espantado com tamanha coragem (ou com o palavrão), deu meia volta e entrou na jaula por conta própria. hahahahaha

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  10. Marli, minha amiga... E você ainda dá ouvidos para esses fiscais do mundo?
    Larga de ser boba.
    Faz o que te faz feliz desde que não atrapalhe a vida de ninguem, e pronto.
    Eu sigo no Instagram o Santuário amor que salva, que é um lugar que acoleh animais encontrados com problemas e cuida deles até se curarem. Nossa, como eu invejo a moça que cuida dos bichos de lá.

    Um abraço minha amiga!

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    1. Ao contrário, André, há muito deixei de dar ouvidos. Se essas opiniões me afetassem eu não teria coragem de falar e nem tomaria certas decisões.
      Fico muito feliz que você também faz alguma coisa pelos animais.
      Obrigada por comentar.
      Bjssssss

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  11. Ri-me com gosto pelo lado sarcástico da sua defesa...
    De facto, os humanos têm a seu favor uma série de emergências...
    Dias de Fevereiro felizes na companhia dos seus amigos peludinhos.
    Abraços
    ~~~

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    1. Obrigada por comentar. Na verdade eu não queria ter sido sarcástica, mas acabei sendo, rs. "Coisas do futebol" como diria meu avô.
      Obrigada por comentar.
      Bjssssssss

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  12. Ah, que bela postagem contra estes falsos defensores dos invisiveis espalhados pelas ruas das grandes cidades. Gente que não move um dedo sequer. Os patrulheiros estão na janela amiga e se for dar valor aos seus questionamentos a gente perde muito tempo. Cada um no seu cantinho aplica o seu carinho. Os quatro patas agradecem, os de duas nem sempre.
    Uma linda semana sem estresse amiga.
    Bjs de paz amiga.

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    1. Verdade, Toninho, quanto menos ajudam, mais abrem as bocas pra incomodarem. Mas eu não dou a mínima. Sigo no meu propósito.
      Obrigada por comentar.
      Bjsssssssss

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  13. Faça o que gostar mais minha amiga. Se gosta de ajudar animais, ajude. Se gostar de ajudar crianças, ajude também. Ninguém pode cobrar a sua escolha.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Obrigada, Graça.
      Tem tantos precisando, tantas vidas precárias que a gente até se apavora. Mas desde que o mundo é mundo, existem essas disparidades.
      O importante é ajudar, cada um do jeito que pode e quer.
      Bjsssssssss

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Obrigada pelo comentário. Bom ver você por aqui! Um abraço, Marli.