domingo, julho 03, 2016

FELICIDADE



droga da felicidade


Estou exercitando minha capacidade de discernir entre uma imbecilidade e uma coisa digna de maior atenção. Às vezes alguém me diz algo e me emociono e me dá vontade de argumentar, insistir, bater o pé. Noutras, a vontade vem, mas fico quieta, não reajo, fico só ouvindo, nem me importo. E me surpreendo comigo mesma por ter chegado a esse estágio 'superior' de controle da razão! será mesmo, ou é um problema de pino? Pode ser também porque me dei conta de que não preciso mais agradar esse ou aquele. Sei lá. E também não estou ligando mais em estar por dentro de todas as novidades, das mentiras e verdades de cada um. 

Tem coisas que nem quero saber. E isso está me fazendo um bem...

Casualmente ontem ouvi minha nora rindo e dizendo para meu filho: você sabia que os ignorantes são mais felizes? Ouvi a frase e pensei: taí! encontrei a droga da felicidade!

Marli Soares Borges

sexta-feira, julho 01, 2016

ARTE DAS RELAÇÕES




"A inteligência é a arte das relações."

Entendo assim: quando aprendemos profundamente alguma coisa e conseguimos estabelecer as relações desse conhecimento com outros conhecimentos e vivências, - e isso é uma arte - está aí a mais pura inteligência. A verdadeira arte das relações. Mas isso não é muito comum. O que tenho observado é que as pessoas tendem a compartimentalizar o conhecimento e não se importam em, pelo menos, tentarem estabelecer conexões. Haveria então poucas inteligências no mundo? Não sei.

Marli Soares Borges

quarta-feira, junho 29, 2016

ISAAC ASIMOV



científica


Relendo Isaac Asimov. Fazia tempo que não lia nada dele e (re)apaixonei-me.

Quando fui apresentada a Isaac Asimov eu era adolescente (anos 60). Lembro que me apaixonei na mesma hora. PhD em Bioquímica e divulgador da ciência, seus romances não eram considerados alta literatura, ele mesmo se intitulava um "escritor de idéias", mas para mim, o conhecimento aliado à paixão pela escrita fez com que seus textos - cientificamente embasados - continuem ainda hoje, a brilhar com tanta intensidade aos olhos de quem os lê. Nas entrevistas ele sempre dizia que o que mais gostava na vida era escrever! Conta-se que certa vez, ao ser questionado sobre o que faria se um médico o diagnosticasse com pouco tempo de vida, ele respondeu "Datilografaria mais rápido!" (E escreveu mesmo, mais de 500 títulos, em vida, é mole? rs) Lembrei agora da trilogia da "Fundação". Era minha série favorita. Adorei também o "Eu, Robô" e as três leis da robótica.

Hoje em dia, a par dos avanços nas áreas da biônica, cibernética e inteligência artificial, seus livros viraram realidade e no andar dos acontecimentos, acho que as "Leis da Robótica" em breve terão status de lei. Como no passado, Asimov, continua a renovar em mim a esperança no poder da ciência e do desenvolvimento humano.

"A ciência em si, em sentido abstrato, é um instrumento autocorretivo e direcionado para a verdade. Pode haver enganos e concepções equivocadas, em razão de dados incompletos ou errôneos; no entanto, o movimento vai sempre do menos verdadeiro para o mais verdadeiro. (...) Os cientistas, todavia, não são a ciência. Por mais gloriosa, nobre e sobrenaturalmente incorruptível que ela seja, infelizmente os cientistas são humanos."

Marli Soares Borges

quinta-feira, junho 09, 2016

COM OUTRA TINTA


Gosto quando a Justiça age em face de pessoas que cometem crimes, e não acho que isso seja comemorar a dor do outro - qualquer que seja o outro. A justiça tem que ser feita e os criminosos devem ser punidos, pois temos urgência em acreditar que a Lei e a Justiça não foram feitas só para nós. Todos esses que estão sendo alvo de prisões, vazamentos e delações, há muito vêm apropriando-se indevidamente do que não lhes pertence e desviando os bens públicos da forma mais abjeta. Sempre intocáveis, acobertados por prerrogativas de toda ordem. Mas eis que alguns (poucos ainda...) são finalmente expostos e chamados à responsabilidade. E não podemos achar que é bom? Menos, petralhas, bem menos.

Eu fico feliz sim! embora saiba que o correto seria que esses ladrões de colarinho branco, devolvessem o dinheiro roubado! Dinheiro que roubaram dos pobres. Sim, dos pobres, dos mais pobres. Que ninguém se engane, foram eles os vilipendiados. E são eles os que mais passam necessidades por causa dessa ladroagem e dessas impunidades perversas. A infinita miséria dos pobres é resultado direto das atitudes dessa oligarquia repulsiva e praticamente inquebrantável que rouba e esbanja o roubo, sem o menor pudor. 

Enfim. 

Seria ótimo se estivesse surgindo verdadeiramente um novo país, onde ninguém pairasse acima da lei, mas, por enquanto, ainda não acredito. Todavia, parece-me que um passo muito tímido, mas não menos importante, já foi dado. Que bom que nossa história pudesse de imediato, começar a ser reescrita. De agora em diante. Com outra tinta.

Marli Soares Borges

terça-feira, junho 07, 2016

EU ABALEI O MUNDO




Faço parte de uma geração que durante muitos anos questionou os silenciamentos que permeavam as nossas vidas em quase todos os espaços sociais. Hoje em dia presencio, com tristeza, muitos colegas do passado utilizando-se da mesma prática escusa que tanto lutamos para banir. 

Incomoda-me esse papo esclerosado de que precisamos nos desconstruir para nos transformar. Que bobice isso. Incomoda-me essa necessidade mórbida de pedir perdão aos oprimidos e licença aos especialistas para emitir uma opinião sobre determinado assunto. Pedir permissão à esquerdalha, para emitir uma opinião sobre seus líderes intocáveis e símbolos vazios? Comigo não. 

(Estou tocando nesse assunto, porque, a propósito da morte de Muhammad Ali, acabei lembrando da célebre frase dita por ele: "engulam as vossas palavras. Eu abalei o mundo. Eu sou o maior. Eu sou o rei do mundo. (Ele teve coragem de abrir a boca. Ele disse o que achou que deveria dizer. E o momento era efervescente de conflitos.)

Marli Soares Borges

sexta-feira, maio 27, 2016

VIOLÊNCIA A GRANEL



A solução? 
A Justiça.

Um estupro coletivo, perpetrado por 30 homens. Uma barbárie. Violência real, explicita, sanguinolenta, uma selvageria que não encontro palavras para qualificar. E o que mais me assombra é que tudo está publicado na Internet e "devidamente" compartilhado. Não vi o vídeo e não verei, não multiplicarei atrocidades, não contribuirei para a banalização de um crime tão horrendo. Esses 30 criminosos precisam ser identificados, julgados e condenados à penas exemplares, penas que demonstrem e atestem à sociedade que existe um limite. Mas, lamentavelmente, o histórico brasileiro sinaliza outro caminho: o da impunidade, da tolerância com a barbárie, mormente a que é praticada contra as mulheres. (A turma do direitos humanos já deve estar de prontidão para defender os criminosos e jogar a bruxa na fogueira).

Marli Soares Borges



domingo, maio 15, 2016

A PEDRA DE SÍSIFO

absurdo liberdade


Aprecio a mitologia grega, embora não tenha grandes conhecimentos a respeito. Estou falando nisso, porque ontem indignei-me com um trabalho e acabei pensando em Sísifo, e em como nos perdemos entre tarefas inúteis; como esquecemos nossa liberdade de escolha e perdemos tantas chances de viver a vida com criatividade, bom senso e poder de questionamento. Assumimos a pedra de Sísifo e subimos a montanha todos os dias, numa rotina de trabalhos repetitivos e sonhos insaciáveis. Um absurdo. A vida é um absurdo. Pronto: aceito esse absurdo. Revoltei-me, indignei-me e agora sinto que posso novamente despertar para a liberdade e a renovada paixão pela vida.

Marli Soares Borges



sábado, maio 07, 2016

Minha mãe...





Minha mãe, nos idos de 1946.
Esta foto é uma das únicas que tenho de sua juventude. Naquele tempo foto era artigo de luxo, tudo muito caro, muito difícil mesmo.

Agora ela está com 84. Saudável, lúcida, bela, alegre e forte. Em plena autonomia, graças a Deus! Que Ele continue abençoando seus dias assim. Que permita aos espíritos amigos continuarem ali, junto com ela, confortando e alegrando sua vida e sobretudo ajudando-a a enfrentar a velhice, que, por melhor que seja, tem suas dificuldades. Sei disso, também caminho nessa trilha. Sempre brinco com ela, digo que ela fez tudo muito cedo e que agora nossa diferença de idade é mínima, rsrsrs. Quase irmãs, somos duas idosas, mãe e filha. Juntas, é difícil saber quem é quem. (E eu rapidamente lhe passo um corretivo, aff! onde já se viu uma mãe parecer mais moça que a filha, affe! hahaha). 

Obrigada, Deus, por essa graça de ter minha mãe viva e estar aqui escrevendo e prestando minha homenagem no dia das mães de 2016.

Amanhã, depois do abraço, pretendo tirar uma selfie com ela e postar aqui. E vocês vão ver como eu tenho razão no que disse.

Feliz Dia das Mães, dona Odete!
Um beijo, mãezinha.

Marli Soares Borges