quarta-feira, fevereiro 25, 2026

NO HOSPITAL

 

Poeira de estrelas


"Entre o céu e a terra há mais coisas 
do que sonha a nossa vã filosofia."
Shakespeare na peça Hamlet.

- Marli Soares Borges - 

 
Apaguei a luz e entreguei-me à quietude reconfortante do sono. Em instantes, um doce perfume tomou conta do ar e senti a presença de alguém. Abri os olhos e vi uma figura. Não sei explicar, só sei que não era apenas uma visão... era muito mais. Era uma vibração etérea e iluminada de amor. Ela aproximou-se e envolveu-me num abraço de luz. Meu corpo ficou tão leve que eu poderia voar! E uma paz profunda e indescritível tomou conta de mim. Então ela segurou, gentilmente, minhas mãos e falou: "você foi abençoada com a imortalidade pois cumpriu fielmente sua missão terrena. Assim que atravessar o Portal, você estará livre para evoluir em outros céus e poderá atuar em instâncias de amor que jamais imaginou. O corpo físico que você habita aqui na terra, retornará às estrelas". Estas palavras tocaram a minha consciência e me lançaram como flecha ao raciocínio da verdade. E me bateu uma tristeza imensa e meus olhos encheram-se de lágrimas. Vai passar, ela disse baixinho; teu coração ainda está mergulhado nas imposições da vida corpórea. Tenha fé... a claridade virá e a tristeza se dissipará feito neblina ao sol. Tenha calma, não haverá um salto brusco entre as realidades. Você permanecerá algum tempo por aqui, até que a temporalidade se curve e essa dor se amenize. Aceite com serenidade o ciclo eterno da vida. Cultive a paz no teu coração e sinta pulsar o amor divino em cada acontecimento de tua vida. E aproveita para preparar-te junto aos teus. Confia em mim. No momento certo eu voltarei para ajudar na travessia do Portal... e segurarei tua mão... e tua transição será suave como uma brisa de verão. Você não está sozinha, estamos sempre ao teu lado.  

O dia estava amanhecendo quando acordei. E o perfume permanecia no ar. Meu primeiro pensamento foi de gratidão pelo calor daquela luz do astral... e brotou em mim uma clareza de propósitos e uma vastidão de esperanças. (Na sequência chegou o técnico de enfermagem e me levou para fazer a ressonância magnética).

Contexto: estive dez dias hospitalizada e recebi alta ontem. Numa das noites de hospital, tive este sonho. Hoje, em casa, me veio tudo na cabeça de novo, aí lembrei da frase icônica de Shakespeare e resolvi anotar a lembrança aqui no blog, até porque é um sonho recorrente que já sonhei algumas vezes. 



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Nota 1 - editei para inserir o vídeo e avisar que já estou lendo e respondendo os comentários do post anterior. A seguir visitarei os blogs amigos, para leitura e comentários.

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segunda-feira, fevereiro 09, 2026

LETRAS POÉTICAS

          
Letras Poéticas



            - Marli Soares Borges -


Quanto querer, quanto quero,
Quanto quis, quanta quimera
Quisera quinhão que quero
Querer quanto quis, quisera. 

Quanto querer, que quimera!
Quem quer quanto, quer questão,
Quem quer quase, quis quisera
Qualquer queixa quer quinhão.

Quisera quem quis quimera
Querer quinhão quanto quis,
Quem quis, queria, quisera
Quem quer quase, quanto quis?

Quanto querer qualifica
Quem questiona qualidade?
Quem quer quitar quando quica
Quita qualquer quantidade.


terça-feira, fevereiro 03, 2026

A PATRULHA DA BONDADE


Le Déjeuner du chat (O almoço do gato)
Pintura da artista francesa Marguerite Gérard (1761–1837).



- Marli Soares Borges -

É bater e valer! Bastou eu dizer que entre adotar uma criança ou um animal, eu comprarei o saco de ração, e as "patrulhas da bondade" já surgem alucinadas do bueiro mais próximo. — "E as criancinhas?" perguntam indignadas. Estranho é que essa indignação nunca se traduz em um centavo sequer para ajudar uma criancinha. Aliás esses patrulheiros são pessoas incríveis, eles passam o dia inteiro salvando a humanidade... pelo teclado do celular.

Penso que amar os animais não exclui o amor que sinto pelo ser humano. Amo a todos indistintamente. Acontece que, no meu caso, entre adotar um animalzinho e uma pessoa, escolho adotar um animal. cada um é livre para escolher a quem ajudar. A lógica que fala ao meu coração me diz que o ser humano tem voz e tem leis que o protegem. Já o animal não tem nada disso. Ele é um ser indefeso por definição. Ele não tem advogado e não faz textão reclamando da vida. Sou pelos indefesos. Ao ver um desconhecido precisando de ajuda e um bicho no mesmo estado, meu GPS emocional recalcula a rota direto para o quatro patas.

É fascinante como as pessoas adoram meter a colher no altruísmo dos outros. "Olha, tuas atitudes de amor ao próximo estão mal direcionadas, por que gastar tanto tempo e dinheiro com gatos e cachorros? teu dinheiro deveria ser gasto com humanos, a vida humana em primeiro lugar!" Ah, me poupe, estou cansada dessas baboseiras. Meu coração não é um sistema de cotas e meu dinheiro não faz parte do orçamento público. 

Sou uma pecadora confessa. Cometo o terrível crime de olhar para um animal abandonado e sentir mais vontade de ajudar do que se fosse um ser humano. É um desvio de caráter terrível, eu sei. Aceito minha sentença condenatória pelo tribunal da internet e das calçadas. Mas isto não muda em nada minha posição. Continuo e continuarei a mesma: sou pelos animais e pronto. 

No meu tribunal particular, a inocência de quem não conhece a mentira sempre estará acima da complexidade de quem mente até para si mesmo. O mundo é dos humanos, mas o meu sofá — e a minha assistência — é dos bichos. Entre quem fala demais e quem apenas sente, eu já escolhi o meu lado. E ele mia e late.


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