18 março, 2010

VIAGEM À PORTUGAL

Olá!











José Saramago é "o cara". Vejam só o que ele escreveu no livro "Viagem a Portugal". A gente lê e pensa, ah isso eu já sabia, é assim mesmo, é isso aí. Pois saibam que essa é uma das razões pelas quais ele é um "prêmio nobel" festejado por milhares de leitores no mundo afora. Ele mesmo disse numa entrevista que sua arte consiste em tentar mostrar que não existe diferença entre o imaginário e o vivido, pois o vivido poderia ser imaginado, e vice-versa. E conseguiu. Pelo que sei, esse livro resultou de uma viagem que ele fez por Portugal, buscando descobrir novos caminhos, diferentes daqueles que todos já conhecem. "Não sei por onde vou, só sei que não vou por ai". Pois bem. Há poucos anos, andei pensando na vida como se fora uma viagem, e confesso, senti uma pontinha de inquietação. Bem que eu gostaria de ter trocado umas idéias a respeito, mas, já viram, nas férias ninguém quer saber desses assuntos. Noutro dia, lendo o dito livro, constatei que eu não estava sozinha, o grande Saramago, com sua percepção aguçada e invejável fluência verbal, já havia anunciado que a vida é uma viagem, mas com um detalhe, ele diz que é preciso recomeçar sempre essa viagem. E é aí que o bicho pega. Céus, como (re)fletir, (re)ver, (re)começar, nessa correria, nessa doideira atroz que a gente vive, nesse salve-se quem puder? Aliás você já notou que o caos (isso mesmo, o caos) está informatizado? Sim, e muito bem, obrigada. É mole? E sobra o quê pra nós? Seguir caminhando e cantando numa viagem sem volta. Confesso que isso me inquieta muitissimo. Caracas! Mas sossegue, descobri um remédio, acabou de cair a ficha. É o seguinte: não tem conversa, temos que literalmente, "comprar" um tempo para nós, afinal, é óbvio que ninguém vai nos dar esse tempo. Muito simples, então a gente compra, paga, assume as consequências! Beleza, aí, alimentaremos nosso espírito e tomaremos coragem para (re)começar nossas viagens pelos caminhos a vida. Os nossos (re)começos. Agora sim, de alma lavada, posso concordar com Saramago, "é preciso voltar aos passos que não foram dados".

Pronto chega de conversa. Eis o último parágrafo do livro. Delícia!


«A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.»


A propósito, "Viagem à Portugal" é um abraço pra quem gosta de história e arte. Saramago passeia por castelos e ruínas, entra nos museus e nas igrejas, dá uma palhinha sobre estilos arquitetônicos, conhece , pintores, azulejistas, escultores, enfim, dá uma aula de história pra gente. Ele inicia sua viagem lá no norte do país, na fronteira com a Espanha e vem descendo em direção ao sul.

Mas o que mais me agradou, foram as opiniões que ele vai dando, as coisas que vai contando... cada coisa... show de bola! Podes crer, se um dia eu for a Portugal, com certeza o livro vai comigo, (ah, se vai!) Conto com Saramago, ele vai me fazer prestar atenção nos detalhes das coisas que, caso contrário, passariam batidas.

Bom, gente, até aqui tudo beleza, mas sinto dizer que nada é perfeito: o livro não tem fotos. Como? É, tem razão, acho que estou querendo demais, rsrsrs!

Em tempo, ainda ele: "Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo."
Tchau. Beijos.

16 março, 2010

O QUE NÃO TEM REMÉDIO...

Olá!


Aponte o dedo quem nunca ouviu dizer que "o que não tem remédio, remediado está". Acho que dá pra contar nos dedos quem não conhece essa máxima. Uns de um jeito, outros de outro. Recordo que nos meus tempos de criança (ih, a long time ago, rsrs) acontecia qualquer muvuca, e lá estava minha vó com o verbo na ponta da língua. Guardei na memória e fui utilizando na minha vida, serviu até para apaziguar as crises existenciais dos meus filhos quando eram adolescentes. E é claro, sempre funcionou. Sigo utilizando, pois contém uma verdade, e como disse meu amigo Churchill, a verdade é absolutamente irrespondível. Well. O tempo passou, ou melhor, voou, hehe. Pois não é que agora encasquetei em saber a origem desse ditado? (eita, a idade nos apronta cada uma... rsrs) Procura daqui, procura dali e então, sabem quem é o pai da criança? Shakespeare, isso mesmo. Gente, minha vó era mesmo muito esperta, vai ver ela andou trocando umas telepatias com Shakespeare. Só pode. O quê, tá me achando maldosa? Nada! Tô é feliz, ou você também não ficaria, se sua avó aprendesse umas e outras com aquele figurão? Só tenho a agradecer. Pois é, fiz todo esse discurso para apresentar a vocês uma poesia, ops, A poesia. Porque nunca vi versos tão exatos. Maravilha total. Aproveitem.

"Quando não há mais remédio,
terminam os males que as esperanças alimentavam.
Lamentar um sofrimento do passado
é dar um passo no sentido de atrair um novo mal.
Quando o destino leva algo que não podemos preservar,
o melhor é deixar que a paciência zombe do infortúnio.
O sorriso de quem é roubado rouba algo ao ladrão;
aquele que dá margem a mágoas inúteis
rouba-se a si próprio."
(Shakespeare)

Era isso. Fui. Até breve.

13 março, 2010

ESCREVER É ESQUECER

Olá, pessoal,


Sim é ele mesmo, Fernando Pessoa. Considero Fernando Pessoa um poeta vulcânico. Com sua escrita escorreita e objetiva ele transmite uma explosão de sentimentos que não deixa ninguém indiferente. Acho ele sensacional, tudo o que ele escreve adquire vida própria e nos convida a pensar, refletir e raciocinar. Taí um exemplo.


No texto abaixo, ele escreveu sobre a relação vida-literatura e fez uma abordagem que considero inédita. Mas prestando bem atenção, ele não disse novidade, não disse nadinha que a gente não soubesse de antemão, e vem daí o meu fascínio, pois o plus de tudo isso é que, alinhando palavras simples (ah, os poetas!) ele revelou-nos o prazer de escrever na sua forma mais genuína, exatamente no ponto em que deixamos explodir nossas emoções através da escrita.


Ora, é de clareza solar que simulamos a vida ao escrever, (quem não sabe?), aliás, transformamos a vida como bem queremos, não damos a mínima, e olhaí, ignoramos a vida! Pois é, todo mundo sabe disso, mas ele nos faz sentir essa verdade, nos mostra o valor dessa verdade em toda sua extensão.


Gente, fico impressionada, o poeta ousou (quem pode, pode, rsrs) traduzir em palavras uma constatação, uma constatação corriqueira, mas acontece que ele escreve tão bem, mas tão bem mesmo, que a gente fica literalmente de queixo caído. Eu fico. Já reli esse texto umas trocentas vezes e não me canso. Sua palavras são de uma simplicidade de doer. Sente só!


Gente, vamos combinar, sem literatura, nossa vida seria em preto e branco. Bem, pelo menos a minha... já falei isso aqui no blog, mas repito.

Volto em breve.
Fui

09 março, 2010

MANIA DE AGRADAR

Olá,



  
Hoje vou falar um pouquinho sobre o "não". Palavra pequenina, mas que traz consigo conflitos e responsabilidades. A primeira vista, parece tão fácil dizer não, não posso, não quero, etc. Mas sei que para muitos de nós isso é muito difícil. É que a gente tem mania de querer estar sempre agradando os outros, não é?  Pois saiba que quando a gente não sabe dizer “não” a um pedido que não se pretende ou que a gente já sabe que não vai conseguir atender, causamos problemas aos outros e a nós, tanto em nossa vida pessoal, como profissional.

Pense na violência que praticamos contra nós mesmos ao dizer “sim” quando deveríamos dizer “não”.  Quando isso acontece, ficamos com sobrecarga em nossas costas, pois acabamos carregando os "macaquinhos" dos outros.  Sem falar que com essa atitude, estamos enganando o outro.  A propósito, você conhece a história dos macaquinhos?  É assim: 

Era uma vez uma garota que tinha um macaquinho de estimação, lindo, bem cuidado, saudável e cheiroso! Todos admiravam aquele bichinho e não demorou para que começassem a pedir ajuda, que ela cuidasse também dos macaquinhos deles. Ela aceitou o encargo, mesmo sabendo que eram muitos e que talvez não conseguisse cuidar bem de todos. Mas cuidou, cuidou e cuidou. Acontece que cuidou mal e os resultados foram péssimos. Até o seu próprio macaquinho, antes tão bem cuidado, acabou numa pior!



Resultado: Ela perdeu a credibilidade perante as pessoas que haviam depositado confiança em seu trabalho. Se tivesse conseguido dizer "não", teria evitado esses dissabores e cada uma daquelas pessoas teria procurado outra forma de resolver seus problemas.

Contei essa história para mostrar a você até onde pode ir a sobrecarga causada pelo bloqueio do “não”.  Dizer “sim” indevidamente, causa estresse e sobrecarrega você, que inevitavelmente, atrasará ou deixará de cumprir aquilo a que se propôs. É um duplo prejuízo que resulta, para ambas as partes, em frustração e rejeição, além de fazer com que você deixe de ser levado(a) a sério.

Acorde, tenha a coragem de dar um basta. Comece por aqueles amigos que estão sempre pedindo para que faça alguma coisa que eles deveriam fazer. Se o pedido vai atrapalhar a sua vida, não pense duas vezes: diga "não".  Se silenciar, a chance de se arrepender depois é muito grande. Pense que o "não" pode até ser uma forma de ajudar a pessoa a encontrar seu caminho, de ajudá-la a crescer.

Mas lembre-se, diga um "não" gentil e educado, pois isso fará com que você não se sinta mal e evitará que a pessoa se indisponha com a sua negação. É importante deixar transparente suas posições, até para não dar a entender que você é simplesmente “do contra”.

Repito, o "não"  é uma palavra muito importante e deve ser dita no momento certo. E positivamente.

Era isso. Fui. Até breve.

05 março, 2010

MANIA DE SOFRER

Olá!

Você já notou como tem gente que adora sofrer? Que adora se lamentar? Fico pensando, de onde teria vindo essa quedinha que temos, em maior ou menor grau, para o sofrimento. Realmente não sei, tenho apenas uma vaga idéia. Lembro que quando eu era criança, às vezes me machucava brincando, e chorava, e minha vó corria e me acalentava... e eu ficava feliz. Aliás, todo mundo faz assim com as crianças, é supernormal. Também cansei de ouvir "quem não chora não mama". Daí vai que, bingo! chorar, sofrer,... claro, virou solução. Tenho a impressão,-- como disse, é só uma idéia, -- de que essas atitudes levam alguns de nós a intuir desde cedo que sofrer sempre traz compensação. Ahã.

A bem da verdade, é muito mais fácil sofrer do que manter a alegria, pra sofrer a gente nem precisa fazer esforço, o sofrimento vem ao natural, você há de convir. E nós mulheres, principalmente, carregamos um fardo que nos acompanha desde os tempos bíblicos. Sempre fomos encorajadas a sofrer, o sofrimento dignifica, diziam, tudo que se conquista pelo sofrimento tem mais sabor, (pura baboseira, eu sei!) e desfiavam um amontoado de sandices na nossa cabeça, e nesse embalo, queria o quê, o sofrimento grassou e nossa saúde (física, mental e social) desmoronou, também pudera, isso acaba com qualquer um.

Agora, ao outro lado da moeda. Todo mundo gosta da alegria, tenho certeza. Well, well, então porque a gente não vive alegre? Sabemos por experiência própria que a alegria é um sentimento ótimo, nos encoraja e fortalece. Nos dá mais saúde, rejuvenesce e embeleza. Quando sorrimos, nosso organismo fabrica anticorpos para combater as doenças. Amor, isso é pura ciência, e da boa...rsrsrsrs. Meu Deus, porque então a gente não sorri mais? Por que a gente não escancara a boca de orelha-a-orelha todos os dias?

Não sei, mas acho que os fatos que referi acima, há muito vem contribuindo para impedir que cultivemos, (como uma plantinha), o hábito saudável de manter-nos alegres, mesmo nas adversidades. Gente, parece que temos até vergonha de dizer que passamos uma tarde alegre no nosso trabalho. E o que dizer da culpa, quando estamos alegres no cotidiano, sem alguma razão aparente que possa justificar?

Céus, isso não faz a minha cabeça. Sou a favor da alegria. Sofrer por sofrer me dá nos nervos. Acredito que a alegria está entre os ingredientes que tornam nossa vida mais agradável e, portanto, deve ser praticada e doada ao próximo, pois alegria também é uma forma de amor, pela vida e pelas pessoas.


Então proponho uma coisa, mesmo que você esteja por aqui com a vida, pare com essa neura de sofrer. Pratique a alegria. Se está triste e quiser chorar, chore, soluçe, faça o que lhe der na telha, mas depois, levante a cabeça, olhe-se no espelho e sorria. Não, não é bobagem não. No carro, olhe-se no espelho e sorria. Sempre que fizer isso, segure o sorriso, um pouquinho só. Assim você engana seu cérebro e sem se dar conta, você ficará alegre. Tente, dá certo. Aprendi isso há bastante tempo num livro, já nem lembro mais o nome, mas é muito legal. Claro, no início a gente custa um pouco, parece meio fora de órbita, ainda mais quando a gente está triste verdadeiramente. Mas vale a tentativa, é um esforço pessoal, um aprendizado constante, e a gente consegue recuperar as forças, não duvide.

Sorria, pois como dizia Chaplin, a alegria é o único jeito da gente enfrentar os problemas da vida e sair ganhando!

Mas não esqueça de levantar a cabeça. Aposto que você nunca viu alguém chorar de cabeça erguida não é mesmo?

"Posso ficar acordada e deixar que as dores do mundo me despedacem. Então, permitir que as alegrias me recomponham e, embora diferente, eu me torne inteira outra vez." (OMDreamer)

Era isso. Fui, até breve.

02 março, 2010

CASA DOS POLÍTICOS JÁ.

Olá amigos, gostaram daquela maldade do post anterior, hein... Eu também.

Agora vejam como a criatividade humana é infinita mesmo.  É claro que uma idéia desse quilate só poderia vir da genialidade da Rita Lee.

No programa do Amaury Jr. ela reclamou da inutilidade de programas como o Big Brother, A Fazenda, etc, e sugeriu o seguinte:

"Colocar todos os pré-candidatos á presidência da República trancados em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo. Sem marqueteiros, sem assessores, sem máscaras e sem discursos ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa, o vencedor ganharia o cargo público máximo do país. Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos. Assim, quem financiaria essa casa seria o repasse de parte do valor dos telefonemas que a casa receberia e ninguém mais precisará corromper empreiteiras ou empresas de lixo sob a alegação de cobrir o ‘fundo de campanha’"
E aí, a idéia não é genial? Se você também gostou, avise os amigos e faça coro pela campanha: Casa dos Políticos JÁ!

FONTE: Abril.com

Volto em breve. Beijos