terça-feira, julho 06, 2021

MEDO E CORAGEM


"Um Grito de Alegria"
 - Releitura de "O Grito" de Edvard Munch -
Site Makepic Quadros Decorativos

- Marli Soares Borges -

Não conheço ninguém imune ao medo, mas conheço muita gente corajosa que enfrenta o medo. O medo e a coragem são riquezas existenciais, aprendizagens dinâmicas e significativas que incluem a aceitação de nossos limites e nossa história de vida. Já fraquejei inúmeras vezes, mas também já enfrentei o medo com valentia e coragem. Muitos medos e muitas coragens. Mas tem dias que minha coragem pega um cochilo e um medo gigante se instala em mim, o pior de todos, o que não tem remédio. E isso acontece exatamente no momento em que, num descuido, dou asas a pensamentos perturbadores. Aí, a primeira coisa que me vem à cabeça é um pensamento, que, no dizer de Camus, traduz "o desespero maior que todos temos": a certeza de que esse planetinha azul é só uma estação experimental, um lugar onde estou ancorada apenas para cumprir algumas tarefas e depois - compulsoriamente - terei que seguir viagem rumo ao desconhecido. 

(O quê? viajar rumo ao desconhecido? Peraí).  

Sempre gostei - e continuo gostando - de viajar e conhecer lugares novos, mas nunca viajo sem antes ler sobre o lugar de destino e conferir algumas dicas de viagem. A bem da verdade, "rumos desconhecidos" não me atraem, quero mais é viajar pra lugares bacanas e dar uns gritos de alegria, como o carinha aí dessa imagem que postei. 

Analisando friamente, parece bizarra essa viagem rumo ao desconhecido, surreal até. Mas nada disso! Tudo é absolutamente real, público e notório. Tão real que, quase sempre, ignoro as entrelinhas e passo batido, pois se começar a pensar, o medo se instala e um arrepio gelado me percorre a espinha. Surtada, começo a pensar num monte de coisas que, hoje em dia, inevitavelmente, culminam nessa situação de angústia mundial que estamos vivendo: ah, meu Deus, quando acabará essa aflição que tomou conta do mundo? Reconheço que para mim o excesso de realidade é bastante perturbador. Preciso de um oásis para atravessar o deserto. Ainda bem que tenho o meu: minhas artes manuais, - abençoadas artes - que me fazem adejar aqui e ali e voar com as estrelas! Distraída, nem vejo a coragem chegar, não a vejo, mas sinto-lhe o vigor, que espanta o medo e me fortalece por inteiro. Quer saber o segredo? anote aí: tudo isso é divino. Essas artes, essa coragem e essa disposição que me movem, tudo vem de Deus. É socorro divino, amparo maior, que sempre agradeço, de joelhos.

Parabéns aos viajantes - se é que existe algum - que conseguem transitar nesse planetinha, sem qualquer temor.

❤ ❤ ❤

quinta-feira, julho 01, 2021

PALAVRAS NÃO DITAS



O desafio para o mês de junho, proposto por Marta Vinhais, do Blog "Com Amor" é escrever um pequeno texto e/ou poema sobre as palavras. Começar por "Nem todas as palavras são de amor". Explicar: o que escondem quando não são palavras de amor? As palavras definem realmente o destino de alguém? ou são simplesmente ocas?




Esta é a minha participação no desafio 

"Nem todas as palavras são de amor"...
Tem palavras sinceras e palavras mentirosas
Tem palavras atrevidas, sem noção e exibidas
Tem palavras doloridas, que ferem e vão além
E de certa forma definem o destino de alguém.

As palavras não são ocas, elas têm força e poder
Podem nos desesperar, ou nos fazer alvorecer

Cada palavra não dita, também pode nos magoar
Pode ser a mais maldita e impossível de olvidar.

Mas no meio disso tudo, lembro sempre as coloridas
São essas, as que mais gosto, palavras de todas as cores...
Estão sempre me animando e impulsionando na vida
E dizem tudo que sabem pra manter meu bom humor
Sábias, jamais esquecem, de falar sempre de AMOR!

Marli Soares Borges

terça-feira, junho 29, 2021

ALICE'S ADVENTURES IN WONDERLAND (RPS)

 


Quando a gente quer chegar em algum lugar é sempre bom ter um caminho em mente. 

Ora, quem não sabe? Pois é. Mas tem muita gente que segue andando às cegas por aí. E isso não é de agora. Quer ver? Leia esse diálogo -- superbatido, eu sei -- publicado em 1865. Ah sim, o livro é Alice's Adventures in Wonderland, frequentemente abreviado para Alice in Wonderland (Alice no País das Maravilhas), a obra mais conhecida de Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudônimo de Lewis Carroll. 
-- Você poderia me dizer, por gentileza, como é que eu faço para sair daqui?
-- Isso depende muito de para onde você pretende ir - disse o Gato.
-- Para mim tanto faz, para onde quer que seja... 
-- Então, pouco importa o caminho que você tome - disse o Gato.
Lembro seguidamente esse livro. Aliás, acho que esse é um livro que deve ser lido em todas as idades. Na infância a gente tem uma ideia completamente diferente da que vai ter, mais tarde, na adolescência. E na fase adulta os horizontes se ampliam. E é precisamente aqui que o mundo de Alice se descortina e ela passa a fazer a sua própria leitura da vida e do mundo. E a gente junto. 

E o que dizer das suas descobertas? é um mundo. O mundo de Alice! 

Estou escrevendo e pensando em como nosso entendimento se modifica nas diferentes etapas da vida. Pelo menos, comigo tem sido assim. O passar do tempo tem lá seus segredos. E o livro também: a cada leitura uma nova descoberta! 

Marli Soares Borges

terça-feira, junho 22, 2021

O BARCO DA VIDA


O Barco da Vida


- Marli Soares Borges -

Positiva e alegre. Em sua casa, tudo funcionava perfeitamente, afinal, ela, insubstituível, empurrava o barco da vida com todas as suas forças e sempre arranjava as coisas de cada um. Com rapidez e perfeição, como era do seu feitio. Ela não era pessoa de fugir de suas responsabilidades de mãe, esposa e administradora da casa.

O tempo correu seu tempo. Alegrias genuínas ela nem sabia mais o que eram, mas estava tão ocupada em tocar a vida, que nem sentiu falta. E envelhecia sem perceber. E ninguém dizia nada, tudo era muito natural. Com o correr do tempo ela foi perdendo as forças e sentindo-se triste e só. Perdeu a vontade de tudo, até de olhar-se no espelho para pentear seus cabelos. Quando a cabeça ficou toda branca, disseram-lhe que parasse com o trabalho e fosse descansar. Que iriam substituí-la. E, de fato, no seu lugar, tiveram que colocar várias pessoas, a peso de ouro, para manejar as lidas. Mas o pessoal não se importou e tudo continuou funcionando muito bem. A vida seguiu para todos. As coisas simplesmente se arranjaram. 

Ninguém mais quer saber de mim, ela pensou. Ninguém mais precisa de mim. Que faço agora? Que fiz eu nesse tempo todo? Porque não cuidei de mim? talvez, se tivesse me cuidado, eu não estivesse tão acabada assim. E percebeu com tristeza, que seus olhos não viam na vida a mesma graça daqueles tempos distantes em que levava a vida mais leve e não se achava insubstituível a ponto de gastar suas forças como se fosse a única trabalhadora do mundo. Foi então que lembrou-se de sua infância e das palavras de Dona Maria, sua querida avó: "a gente tem o direito de deixar o barco correr... as coisas se arranjam, não é preciso empurrar com tanta força”. 


💜 💜 💜

Nota: Esta é minha participação na BC da Norma, do Blog "Pensando em Família". A proposta é escrever um conto com a imagem dada.


segunda-feira, junho 21, 2021

MEU TEMPO MUDOU (BC 400)

Esta é minha participação na BC proposta no Blog "Devaneios e Desvarios" 

UMA IMAGEM, 140 CARACTERES #400

Parabéns Mari pelo número expressivo de blogagens coletivas!



Joguei meu relógio fora
Não quero saber mais disso
Meu tempo é aqui e agora
Chega de compromisso
Quero andar a vida afora
Com calma sem reboliço!

Marli Soares Borges

(Nota: meu post está restrito a 140 caracteres conforme propõe a BC

quinta-feira, junho 17, 2021

PARE DE SABOTAR SEU TRABALHO

 


                
- Marli Soares Borges -

Temos uma mania indigesta de achar que trabalho para ser trabalho tem que ser difícil e "trabalhoso" e que a gente tem que "passar trabalho" para trabalhar. 

Se você fez um trabalho e foi fácil, ah, não pode ser trabalho... de onde tiramos esse pensamento tão absurdo? Não tenho a menor ideia, mas sei que isso já está tão arraigado em nossa mente que a reação já é automática: se executarmos facilmente uma tarefa e estivermos falando sobre isso numa roda de amigos, por exemplo, tratamos de colocar um ingrediente doloroso para valorizar nossa situação. 

Parece que trabalhar numa boa e obter um ótimo resultado não nos agrada, queremos o peso, a dor, o sofrimento, a aridez e o cansaço que nos aniquila. De alguma forma sempre acabamos equiparando o trabalho com o sacrifício. Perceba que nas mais diversas situações da vida achamos seguro apelar para a "luta" e a severidade do trabalho, pois sabemos que esse argumento ninguém vai colocar em xeque, afinal, está combinado que trabalho é trabalho e que trabalho é dureza. Bom mesmo é derreter o nosso tempo lutando na guerra fria do trabalho! (ah, gostei dessa frase, rs). É mais ou menos assim: estamos sempre em "guerra" e na guerra a gente sempre "luta".

Mas eu não me conformo com isso. É óbvio que trabalhar é dever, mas pode ser também um prazer e uma ótima fonte de gratificações. Por que não? Para facilitar, a gente deveria trabalhar naquilo que gosta ou que tem talento para fazer. Infelizmente, porém, isso nem sempre é possível e a gente acaba tendo que trabalhar em outras coisas completamente diferentes daquilo que nos apaixona. E aparecem as frustrações para complicar. Talvez daí tenha surgido essa associação do trabalho com algo desagradável e dolorido. Não sei, só pensei. Contudo, sigo acreditando que embora estejamos trabalhando em algo que não é bem o que desejávamos, ainda assim é possível trabalhar sem "passar trabalho". É possível obter boas compensações e dar uma rasteira nas frustrações. Basta que redirecionemos nosso pensar e que encaremos nossa realidade de frente, sem vitimismos: ideal é uma coisa, real é outra. E bola pra frente. Acho que já passou da hora de colocar um ponto final nessa maldita sina de sabotar nosso próprio trabalho.

Não, eu não disse que é fácil. Eu não falei em facilidade. Eu falei em possibilidade.


❤ ❤ ❤

VAMOS BRINCAR COM A CHICA? 24

 



O termo da semana é

GAMBIARRAS


Minha frase:

Tem urgências que só gambiarras conseguem resolver.

Bjs
Marli

quarta-feira, junho 16, 2021

CANTINHO ACOLHEDOR

É a primeira vez que participo dessa BC "Botando a Cabeça Pra Funcionar", que acontece nos dias, 5, 15 e 25, coordenada pela querida Chica. A proposta é fazer uma interpretação livre de uma imagem.


Esta é a imagem e leitura que fiz


 
CANTINHO ACOLHEDOR

Duas cadeiras vazias, um quadro e um aparador
        Com tanto esmero dispostos num cantinho acolhedor,
          Avivam minhas lembranças, que chegam a todo vapor.
 Esse cantinho tão terno, tem mágica e tem sabor!


-Marli Soares Borges-

domingo, junho 13, 2021

DESAFIO 244 - 77 PALAVRAS - TELHADO


Esta é minha participação no desafio




A partir desta imagem construam o vosso texto de 77 palavras.




Um telhado emoldurando uma nesga de céu. Mas não é apenas um simples telhado e um céu azul. As lentes do fotógrafo capturaram o instante mágico: o dia que amanhece! Uma casa amarela é a única que se pode ver desse ângulo e ainda está dormindo. Dentro em pouco as janelas se abrirão para o recomeço. Adoro amanheceres, amo ver as coisas se espreguiçando e a vida acontecendo. Logo mais esse lindo telhado irá vestir-se de luz.

Marli Soares Borges

DESCONTROLE DIGITAL

 

Esta é minha participação na BC proposta no Blog da Mari (Devaneios e Desvarios). 

UMA IMAGEM, 140 CARACTERES #399



Equilíbrio e bom senso são ingredientes capazes de evitar
 a dependência e o esgotamento mental resultantes do descontrole na vida digital. 

Marli Soares Borges


sexta-feira, junho 11, 2021

ROSA E MOMO

 

- Marli Soares Borges -

Um filme maravilhoso e comovente. Adorei ver Sophia Loren novamente na tela e atuando de forma tão vibrante e impecável, aos 86 anos!


Sophia Loren interpreta Madame Rosa, uma sobrevivente do Holocausto, que tem aos seus cuidados um menino órfão cheio de problemas. Sua imagem no filme não é de uma diva glamurosa, mas de uma mulher humilde que com pequenos gestos e postura simples confere beleza e dignidade à personagem que interpreta. Seu cabelo grisalho e despenteado e seu olhar perturbador dão a noção exata do que está passando pela sua mente. Às vezes sua expressão é de um terror absoluto, expressão que raríssimas atrizes conseguiriam sustentar.

Que atriz, meus amigos, que atriz! (Bem que merecia um novo Oscar).


Quem conta a história é Momo, interpretado por Ibrahima Gueye, (cuja empatia conquista a gente para sempre). Momo é um menino de 12 anos, órfão refugiado do Senegal, que sobrevive com pequenos roubos e tráfico de drogas. Infância difícil e garoto difícil. Madame Rosa percebe tudo de imediato mas não desiste e, de maneira gentil e ao mesmo tempo, austera, trata de fazer com que ele aceite as regras e consiga viver em harmonia com os demais. É nesse contexto que o filme se desenrola. É um filme pesado, comovente, de partir o coração.


O roteiro foi baseado no romance "A Vida Pela Frente" (La vie devant soi, 1975), de Romain Gary.


A amizade que vai surgindo entre os dois é simples e honesta. Rosa e Momo são diferentes apenas na aparência... 

Bom, vou parar por aqui. Veja o filme, (Netflix) vale a pena. É ótimo!


💟💟💟

segunda-feira, maio 24, 2021

O MENINO QUE DESCOBRIU O VENTO




- Marli Soares Borges -

O Emocionante, adorei! (Netflix)

O filme é baseado na história real de William Kamkwamba, um garoto nascido num vilarejo no Malauí, que cresceu vendo os pais sobreviverem como agricultores em meio a uma série de questões políticas que estavam levando (e levaram) o povo do vilarejo à miséria, apesar de viverem sobre um solo riquíssimo. 

O que se vê no filme é apenas a realidade crua e dolorosa de um povo que vive numa região esquecida e assolada pela fome. Mas mesmo sem metrópoles nem ruas sofisticadas, o filme é lindo e prende nossa atenção do início ao fim. 

Achei a fotografia primorosa e os cenários tão perfeitos que quase me sentia ali, no próprio vilarejo, no meio daquelas casas rústicas e estradas de terra. A atuação magnífica dos atores, me fez rir e chorar.

Perfeita a lição sobre a importância do estudo e da união familiar em momentos de crise. Uma história realmente inspiradora. 

(Fica a dica. Se puder e quiser, assista).


💙💙💙

sábado, maio 22, 2021

CONQUISTA PESSOAL



- Marli Soares Borges -

Tão bom abandonar antigas certezas e velhos dogmas! Melhor ainda é ter coragem de admitir esse abandono diante dos afeitos ao zelo fanático pelas próprias crenças. Considero isso uma conquista pessoal e importante que fiz na vida: perdi a "necessidade" de convencer os outros a acreditarem no que acredito. Se me der na telha, posso até argumentar, mas aquela instância imperiosa de ter razão e convencer, não faz mais a minha cabeça. E isso é uma experiência de liberdade indescritível. Na sequência, perdi a necessidade de estar, eu mesma, plenamente convencida de qualquer coisa. Mais liberdade ainda.

❤ ❤ ❤

quinta-feira, maio 20, 2021

SEM SACO PRA FILOSOFANÇAS




Finalmente estou vacinada contra a covid-19! Semana que vem faz trinta dias da segunda dose, mas como nada é certo nessa vida, eu, apesar da imunização, pretendo continuar na mesma: devidamente confinada e ferrenha observadora dos protocolos sanitários. Mesmo assim, não sei se sairei dessa. E se sair, não tenho a menor ideia de como serei nos tempos pós-pandemia. Será que sairei mais confiante? mais amedrontada? mais leve? mais espiritualizada? mais atenta? Não sei. E nem quero saber. Nesse momento, isolada socialmente do mundo e atravessando esse mar de angústia, não tenho mais saco pra filosofanças que tais. O cansaço me define. Quero ser como meu gatinho, tranquilo e sereno, absolutamente despreocupado com a metafísica. E quer saber? não me interessam as possíveis configurações do meu eu. Gosto muito dessa minha velha configuração de septuagenária que se sente viva e energizada fazendo origami, escrevendo e tomando café sem açúcar com um pãozinho "fit" de frigideira.  

Marli Soares Borges

VAMOS BRINCAR COM A CHICA?

 Blog Sementes da Chica.


O termo da semana é
VIVENCIAR


Minha frase:
Difícil vivenciar essa longa espera pela vacina.



terça-feira, maio 18, 2021

NÃO, A VIDA NÃO PAROU

 




Aderi cem por cento ao fique em casa. Como não preciso trabalhar de forma presencial, só saio o necessário. Meu marido também. Seguimos à risca os protocolos sanitários de prevenção à COVID e desde o início da pandemia vivemos confinados. Por sorte moramos num sítio e podemos tomar sol, caminhar ao ar livre e alegrar nossos olhos vendo a paisagem e brincando com o Dongo, nosso gatinho de estimação. 

Em casa, ando de lá para cá, arrumando e limpando isso e aquilo. Aqui o serviço é conosco, (meu marido e eu), a gente salta e pula pra dar conta de tudo. Por causa da pandemia, nossa convivência aumentou cem por cento e pude ver com nitidez o verdadeiro significado do companheirismo e do comprometimento de amor. Agradeço à Deus, de joelhos, nosso convívio pacífico, solidário e alegre. 

Somos dois septuagenários bastante ativos. Mas somos septuagenários, essa é a verdade e temos consciência de que, sozinhos, não conseguimos manter a nossa casa nos brilhos de antigamente. Tivemos que aprender a deixar alguma coisa para amanhã e a ignorar outras tantas. Além do meu trabalho profissional e de todo o serviço da casa e cozinha, eu sempre trato de arranjar tempo para o origami, haicai, tricô e crochê. E não abro mão de jogar  xadrez e ver meus filmes. Durmo sempre depois das duas da manhã. Ocupo todinho o meu tempo.

Apesar das coisas estarem dentro dos conformes, de vez em quando me bate uma sensação de que parei no tempo, que não estou fazendo nada, sei lá, um vazio. Parece que preciso fazer algo, só não sei o quê. Não me apavoro porque tenho certeza que é só impressão minha. A culpa é desses tempos sombrios que -todos- estamos tendo que enfrentar. 

O fato é que nesse ano e dois meses de isolamento, minha rotina foi completamente alterada. Só saí para cortar os cabelos (que não suportava mais!) e para tomar a vacina. Fiquei com tanto medo do vírus, que ignorei completamente a necessidade de fazer o controle da hepatopatia grave que tenho. Mas, o bom é que já estamos vacinados e agora é esperar os trinta dias da segunda dose e ir para a vacina da gripe. Depois voltarei a encarar minha vida de paciente: ressonância, endoscopia e exames laboratoriais a cada seis meses. E ver o resultado... sempre com o coração na mão. É mole? rs. 

E não é que estou me sentindo bem melhor? Gostei de elencar minhas atividades e ver quantas coisas úteis eu faço para mim e para os que me cercam. Está decidido: quando essa sensação de vazio voltar, (sempre volta, esse isolamento é cruel...) daí então vou ler esse post e entrar no prumo novamente. 

Marli Soares Borges

segunda-feira, maio 10, 2021

ESPERANÇAS RENOVADAS


A pandemia segue. Mas agora a vacina chegou. Não como seria o ideal, - para todos ao mesmo tempo -, mas é preciso reconhecer o lado bom: milhares e milhares de pessoas já estão imunizadas e o curso da História lentamente começa a mudar. Pena que as informações disponíveis sejam utilizadas pelas mídias como moeda de troca para ideologismos, enquanto nós ficamos no olho do furacão, afogados num mar discussões sem pé nem cabeça. No momento, (com a esperança renovada, trazida pela vacina) temos coisas bem mais urgentes a fazer: “vigiar e orar” (vigiar: insistir/continuar com os protocolos sanitários; orar: exercitar a fé, pedindo sempre o amparo divino). Em outras palavras, minimizar os riscos. E aqui, peço desculpas, mas vou repetir minha cantilena: as saídas sem proteção podem custar vidas. Tenha empatia pelo outro, tenha compaixão, abaixe o dedo e pare de julgar quem precisa sair para trabalhar. E por favor, prestigie as pessoas que estão fazendo bicos para sobreviver. Ajudar é um verbo que pode ser conjugado em qualquer tempo, em qualquer modo. 

 Marli Soares Borges


quinta-feira, maio 06, 2021

REMEDIADO ESTÁ

 


Aponte o dedo quem nunca ouviu essas palavras: "o que não tem remédio, remediado está". Acho que dá pra contar nos dedos quem não conhece essa máxima. Uns de um jeito, outros de outro. Recordo que nos meus tempos de criança, acontecia qualquer muvuca e lá estava minha vó com o verbo na ponta da língua. Guardei na memória e fui utilizando na minha vida, serviu até para apaziguar as crises existenciais dos meus filhos quando eram adolescentes. E é claro, sempre funcionou. Agora encasquetei de saber a origem do tal ditado. Procura daqui, procura dali e então, sabem quem é o pai da criança? Shakespeare. Isso mesmo. Gente! minha vó era muito esperta, vai ver ela andou trocando umas cartinhas com ele. Só pode. O quê, tá me achando maldosa? Nada! Tô é feliz, ou você também não ficaria se sua avó aprendesse umas e outras com aquele figurão? Só tenho a agradecer. 

Taí a poesia de Shakespeare pra vocês conferirem.

"Quando não há mais remédio,
terminam os males que as esperanças alimentavam.
Lamentar um sofrimento do passado
é dar um passo no sentido de atrair um novo mal.
Quando o destino leva algo que não podemos preservar,
o melhor é deixar que a paciência zombe do infortúnio.
O sorriso de quem é roubado rouba algo ao ladrão;
aquele que dá margem a mágoas inúteis
rouba-se a si próprio."

Até breve.
Marli Soares Borges

segunda-feira, maio 03, 2021

OUTONO DA EXISTÊNCIA


Na velhice há coisas boas e ruins
Outono da existência

- Marli Soares Borges -

Desde que me conheço por gente ouço falar no outono da vida. Saí a procura de respostas e não encontrei. Resolvi... bem, tive que viver. Agora eis-me aqui aos 72 anos, no outono da minha existência. Só para esclarecer, outono aqui é sinônimo de velhice. Por favor, não torça o nariz, a nossa Carta utiliza o termo velhice, que é um estado natural da vida. Idoso é um eufemismo que a sociedade usa para dourar a pílula e encobrir o preconceito. 

Na minha modesta opinião, a velhice é uma fase da vida como tantas outras que venho passando. Há coisas boas e ruins.

Se a gente muda? Meu Deus, muito! Falando por mim, é claro, mudei interna e externamente. No momento ando me desentendendo (ainda!) com os efeitos da menopausa, com as lentes dos meus óculos, com os meus cabelos rareando, com a fadiga decorrente do meu fígado complicado e outras mazelas que nem vale a pena comentar. 

Mas, felizmente, nada disso me impede de rir, de emocionar-me e de continuar sendo útil aos meus semelhantes, pois tenho para mim que o que entristece e mata os velhos não é a velhice em si, mas a sensação de inutilidade social que traz consigo o desgosto pela vida. O outono da minha existência não está me impedindo de fazer o que gosto, e, por sinal, meus gostos também mudaram (abandonei os paradigmas da juventude: a jovem que fui era ótima, mas, no aqui e agora, aquele desabrochar constante, só estava me atrapalhando). Dei um basta em definitivo naquelas coisas que sempre me colocavam para baixo no passado, naqueles tempos nem tão dourados assim! Hoje, mais do que nunca, escolho estar de bem com a vida. 

Se você me questionar sobre o mérito da questão, sobre o que acho da velhice em si, respondo que NÃO É FÁCIL! A começar pelas armadilhas do espelho: tem dias que vou em direção a ele acreditando que tenho trinta, olho-me e vejo setenta. Avemaria, sei que tem outra ali dentro! e esse espelho que não me mostra? grrr. 

Brincadeiras à parte, reconheço que na velhice as perdas físicas são muitas e bem significativas. E a gente tem mesmo que aprender a lidar com elas. Temos que aprender a compensá-las para evitar frustrações e amarguras. Temos que apreciar a paisagem e tratar de colher os frutos. Tomar consciência da preciosidade do tempo e do poder que temos de fazer coisas legais enquanto a cortina ainda está aberta e o palco iluminado. 

Mas, atenção, nossa saúde física e mental precisa estar bem cuidada, principalmente se estivermos sofrendo de alguma doença crônica. E não podemos, sob hipótese nenhuma, descuidar da mente e EMBURRECER.

E nada de hostilizar os mais jovens e amargar a convivência de uns e outros. Mais interessante seria exercitar a arte da convivência num clima de respeito mútuo entre velhos e jovens e jovens e velhos. É hora de entender e aceitar que na convivência saudável há sempre uma renovação, pois os conhecimentos sempre se renovam. É certo que os jovens aprendem conosco, mas nós também temos muito a aprender com eles. Aprender e ensinar. Essas trocas são fundamentais no processo de envelhecimento. 

Bom, vou parar por aqui, não quero cansar a beleza de vocês.

Resumo da ópera: o outono é tempo de muitas mudanças, é tempo dos frutos. O cenário é outro, as folhas caem, as árvores perdem suas roupagens floridas e o chão ganha um lindo tapete multicor. Mas a gente tem de varrer o chão todos os dias para que o tapete se renove e mostre toda a sua beleza. Assim também, o outono da existência requer trabalho para resplandecer. São duas faces da mesma moeda. 


❤ ❤ ❤



quinta-feira, abril 29, 2021

PRIVACIDADE

- Marli Soares Borges -


Desconfio de gente que vive dizendo que sua vida é um livro aberto e que tem orgulho disso. Como se a exibição das vísceras atestasse a honestidade e a integridade de alguém. Prefiro os seres cujos segredos e desejos são revelados nos pequenos gestos, nas ações banais e cotidianas. Nossa condição humana necessita um mínimo de privacidade na vida, até mesmo, para não adoecer mentalmente.

❤ ❤ ❤

quarta-feira, abril 28, 2021

SE ACASO VOCÊ CHEGASSE...

Se acaso você chegasse

 

- Marli Soares Borges -

Acredito no acaso muito mais do que no mérito e considero que o esforço e o talento, por si só, não determinam o sucesso de ninguém. Li um artigo de um escritor franco-canadense - Malcolm Gladwell - sobre esse assunto e concordo com ele. Para mim, a meritocracia não passa de uma ideia falsa, quase uma fé "virada para baixo" com dizia Murphy. 

Se o esforço árduo fosse necessariamente recompensado, o sucesso estaria praticamente garantido para todas as pessoas. Era só se esforçar e pronto. Mas, infelizmente não é assim que funciona, tem gente que leva a vida inteira se esforçando e nunca chega lá. Acontece que a meritocracia é apenas uma crença e o acaso não. 

O acaso é real e está em todos os lugares. Observe: o acaso inaugural, que praticamente dá o 'tom' da nossa existência, começa precisamente no dia em que, direto da barriga de nossa mãe, desembarcamos nesse mundo. Desde a nossa mãe, a nossa família, o lugar do nosso nascimento, nossa escola, etc, até os atos e fatos casuais, anteriores e decisivos que nos dizem respeito, todos eles são acasos determinantes na nossa vida. Enfim, penso que o papel do acaso não é pequeno, ele é bem maior do que gostaríamos de admitir. Mas isso não significa que eu despreze o valor do esforço e da dedicação. Pelo contrário, o esforço, a dedicação, o comprometimento e as horas-bunda de estudo, contam muitíssimo na vida e, verdadeiramente, alavancam o sucesso. 

Apenas não concordo com a ideia de que o esforço árduo terá necessariamente sua recompensa, pois o acaso é moeda forte e não pode ser desconsiderado. Lembro de Santo Agostinho, "somos todos iguais, até o momento em que nascemos". Certamente, também ele, por acaso, andou encucando no acaso de todos nós. 


⛅ ⛅ ⛅
 

terça-feira, abril 13, 2021

OS DUENDES

 


Essa história já é conhecida de vocês mas, que fazer? a saga continua. 

Aqui em casa mora uma gangue de duendes mau-caráter. Há tempos procuro o esconderijo deles e não consigo encontrar. Já revirei a casa toda e... nada. Mas sei que estão aqui. Enquanto isso, eles divertem-se escondendo minhas coisas: eu guardo num lugar e eles, só pra incomodar, colocam em outro. E para completar, ainda fazem as coisas aparecerem num lugar onde eu já havia procurado um milhão de vezes! Que raiva! Eu fico p da vida! Olha, não sou vingativa, mas esses duendes safados, eu prometo, quando encontrá-los, vou meter-lhes umas boas porradas 👊👊 e depois vou fritar-lhes o fígado, um a um! 

Marli Soares Borges


domingo, abril 11, 2021

VELHICE

a vida é agora


A velhice é o último período de nossas vidas. Não há tempo a perder, a vida é agora. Esqueça essas besteiras de terceira idade, melhor idade e outras gambiarras que inventaram para escamotear o preconceito abissal que sufoca as pessoas velhas. Trate de viver, de suportar suas amarguras e gozar seus momentos de alegria. Não vá atrás desses aconselhadores que brotam como pragas em todos os cantos e estão sempre ditando regras em tudo. Geralmente quem se mete a escrever e “entender” de velhice está muito longe de chegar lá, e conta apenas com o achismo e o ego gigante. Siga seu próprio caminho, cada um sabe de si e você está em ótima companhia: você, a velhice e o sopro divino da vida. 

- Marli Soares Borges -


quinta-feira, novembro 05, 2020

BLOQUEIO MENTAL

 

- Marli Soares Borges -

A História tem nos mostrado que todos os “ismos” que se perpetuaram através dos tempos, foram nocivos ao tecido social, ou seja, são verdadeiras pragas. 

Atualmente é o abstracionismo que está no auge da moda. Não ter que pensar as coisas, como realmente as coisas são, é a bola da vez. E até que faz sentido: é muito mais fácil falar sobre uma ideia abstrata, (que não pode ser colocada à prova), do que objetivar a realidade, clarear e sujeitar as ideias a serem vistas e contraditadas. É muito mais fácil esconder-se e disparar chavões! Daí o manejo exponencial da abstração. 

Generalizar realidades, tecer considerações vazias, encher o peito e dizer simplesmente "é minha opinião pessoal" deve dar uma sensação de alívio para quem imagina que sua opinião pessoal esteja a salvo de objetivações concretas e não possa prestar-se a reflexões. Mas convém não esquecer que o abstracionismo (florescimento de ideias vazias) é sinal de outra praga no ar: o bloqueio mental. 

 ❤ ❤ ❤

quarta-feira, outubro 28, 2020

CONSTATAÇÃO




O que resta para nós, mais velhos, é torcer pelo melhor; não temos mais energia para todas as lutas.

Depois de uma certa idade viramos pragmáticos: calculamos o tempo que nos resta, nossa saúde e família, e passamos no máximo a reclamar.

Tudo é mais dolorido e nossa recuperação é mais lenta.


Marli.

terça-feira, outubro 02, 2018

SENHOR, ENVELHECI...







Senhor, envelheci. Dá-me Tua mão e me ajuda nessa trajetória. Me salva de ser um peso na vida do meu marido, dos meus filhos e dos meus netos... antes, apaga a luz e me tira da cena. A simples ideia de vê-los preocuparem-se com minhas doenças, me aterroriza. Por piedade, não me tira a autonomia, não me transforma num vegetal. A vida é tão bonita, tem tanta coisa boa a apreciar e não quero que meus afetos, por minha causa, acabem perdendo oportunidades preciosas de aproveitarem suas vidas se alegrarem. Quero-os livres desse tipo de preocupação. Me salva Senhor, me carrega em teus braços. Amém.

Marli Soares Borges

🎶🎈FELIZ DIA DO IDOSO!🎈🎶

segunda-feira, novembro 21, 2016

ANTÍDOTO PARA O ATORDOAMENTO







Nesses tempos em que o consumo e as aparências pretendem dar sentido à vida, poetizar as pequenas emoções é mais do que nunca, o antídoto para o atordoamento. Só a poesia nos salvará. 

Em meu altar de poesia reservo espaço iluminado para a genialidade poética de Manoel de Barros: "eu não sei nada sobre as grandes coisas do mundo, mas sobre as pequenas eu sei menos"; Emilio Moura, absolutamente cirúrgico, direto na jugular: "viver não dói. O que dói é a vida que não se vive"; Mario Quintana, profético e profundo: "eles passarão... eu passarinho". E para costurar toda essa poesia, só mesmo a sabedoria delicada de Cora Coralina: "se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.” 

Repito, só a poesia nos salvará.

Marli Soares Borges

segunda-feira, setembro 12, 2016

SEM PERDÃO





"SEM PERDÃO". Autor: Frederick Forsyth. 1982. Tradução de Pinheiro de Lemos.

Dez contos, cada um melhor que o outro. Livro antigo, o que tenho é de 1982, você encontra no sebo e talvez até em pdf, na internet. É bem baratinho. Literatura boa! Imperdível! Começo a ler e não consigo largar, a respiração fica sempre em suspenso. Forsyth tem uma capacidade única de escrever: muitas reviravoltas, milhões de surpresas... e nós dentro da história, vivendo naquele mundo espantosamente real. Nem precisamos ter imagens claras sobre os lugares descritos, ele não perde tempo com pontos desnecessários, só se ocupa com os principais momentos da trama. (Estou relendo mais uma vez. Já reli outras tantas, por puro prazer).

Tem dois contos que adoro! "Sem Perdão" e "Não Há Cobras na Irlanda". Fico pensando no caráter das pessoas, na bondade e na maldade. E na estupidez.

Resuminho básico de "Não há cobras na Irlanda", só uma palhinha: a fim de estudar Medicina para servir o seu povo, Harkishan Ram Lal saiu do Panjab, na Índia. Mas cadê dinheiro para concluir o último ano da faculdade? Acabou aceitando um emprego clandestino num trabalho de demolição - um subemprego, com um chefe ignorante, truculento e grosso. A partir daí, as cobras... bom, você vai ter que ler.

Já li, há bastante tempo, outros livros dele: O Dia do Chacal, O Dossiê Odessa, O Punho de Deus, O Quarto Protocolo e Cães de Guerra. Todos ótimos, mas "Sem Perdão" é medalha de ouro.

Marli Soares Borges

sexta-feira, setembro 02, 2016

NADA CONTRA





Saco cheio de falar de impeachment.

Vou mudar de assunto.

Todo mundo já deve ter ouvido essas pérolas: "odeio TV". "Boa noite, prefiro meu livro". "Amo ler, há anos não assisto tv." "Assim que terminar de ler esse, vou começar esse outro, tenho muitos na minha lista". E por aí vai. Leitores e mais leitores. O pessoal passa 24 horas lendo livros e mais livros! Verdadeiras bibliotecas ambulantes. Só falam em livros e autores e, de certa forma até "humilham" as pobres almas que não têm tempo nem paciência para navegarem nesse mar de leituras. Em contrapartida, esses mesmos leitores sabem tudo sobre a vida dos artistas, revistas, modas e tvs. Nada contra, gosto é gosto e cada um faz o que quiser do seu tempo. Mas como sou avessa a ostentações, não consigo entender o que se passa na cabeça dessas pessoas, pois quem realmente lê, não precisa exibir-se. A própria escrita demonstrará o conhecimento adquirido, o raciocínio, a apropriação vocabular. Fui criada pelos meus avós que, muito pobres, não tiveram acesso ao estudo, mas isso não os impediu de serem leitores contumazes e de, através dos livros, adquirirem muita cultura. Sólida cultura. E isso transparecia nas conversas, nos bate papos, no dia a dia. Eles conheciam o significado e o valor das palavras, liam e sabiam o que estavam lendo. Não precisavam se exibir. A interpretação de texto acontecia ali, no momento da leitura. Bem ao contrário de muitos que hoje se dizem devoradores de livros mas pelas abobrinhas que escrevem, deixam a nítida impressão de serem aquele tipo de leitores, que feito zumbis, zapeiam nas orelhas dos livros e colecionam dados, que depois são incapazes de transformar em conhecimento. Falta-lhes fluência vocabular que lhes dê suporte para interpretarem textos e expressarem seu pensamento, porque isso depende de muita leitura, muito estudo, muita paciência, muita concentração e muita determinação . E eles não têm. 

Marli Soares Borges

quarta-feira, agosto 24, 2016

DE SEGURANÇAS E CERTEZAS




Era uma vez... ops, apaga!
É dessa vez!

Ainda que muitos se apavorem e tentem demover-lhe daquilo que sua alma deseja e quer, não se incomode. As pessoas costumam falar porque estão viciadas em seguranças e certezas. Mas a própria vida está aí, com sua finitude, nos lembrando que algumas loucuras serão sempre bem-vindas! E você que vive esperando tudo tomar a forma exata para decidir melhor, lembre-se, isso nem sempre é possível. Muitas vezes temos que tomar decisões na incerteza, ou perdemos o bonde. No final das contas, o lance é mesmo movimentar a vida. De um jeito ou de outro, enquanto estamos vivos, sempre é tempo de começar alguma coisa, recomeçar outra e porque não, retomar e continuar outras tantas.
 
Marli Soares Borges

terça-feira, agosto 16, 2016

O TOM DAS OLIMPÍADAS






A geração mimimi, em forma de repórter, segue dando o tom nas Olimpíadas. O esporte é o que menos interessa. As preocupações têm sido patéticas.

A nossa imprensa é "especializada" em esportes, mas numa olimpíada, prefere tratar de "outros" assuntos. Na pauta, as questões "sócio-esquerdosas". Estas sim, uma especialidade que se tivesse modalidade olímpica, o Brasil seria campeão! Os feitos esportistas dos atletas ninguém se interessa, o lance é descobrir-lhes o passado e trazer a público suas vidinhas podres. E se o cara comeu o pão que o diabo amassou, aí sim ele vira um herói! E a reportagem vai à loucura!

Quais os movimentos obrigatórios na trave? Qual a postura desejável para esse ou aquele salto? O que é preciso para ser um atleta profissional? Tem tantos detalhes curiosos que o espectador gostaria de saber... mas do esporte mesmo, pouco ou nada se fala. Os atletas não são atletas, são entidades a serviço de uma ideologia. E nós suportando, diante do mundo, a vergonha alheia dessa mídia nojenta e desses esquerdistas patéticos.

Pelo menos tenho um alento, o meu facebook está muito bom, exclui todos os que faziam discurso esquerdoso de ódio e coitadismo.

Marli Soares Borges

domingo, julho 03, 2016

FELICIDADE


droga da felicidade


- Marli Soares Borges -

Estou exercitando minha capacidade de discernir entre uma imbecilidade e uma coisa digna de maior atenção. Às vezes alguém me diz algo e me emociono e me dá vontade de argumentar, insistir, bater o pé. Noutras, a vontade vem, mas fico quieta, não reajo, fico só ouvindo, nem me importo. E me surpreendo comigo mesma por ter chegado a esse estágio 'superior' de controle da razão! será mesmo, ou é um problema de pino? Pode ser também porque me dei conta de que não preciso mais agradar esse ou aquele. Sei lá. E também não estou ligando mais em estar por dentro de todas as novidades, das mentiras e verdades de cada um. 

Tem coisas que nem quero saber. E isso está me fazendo um bem...

Lembro de ter ouvido minha nora rindo e dizendo para meu filho: você sabia que os ignorantes são mais felizes? Ouvi a frase e pensei: taí! encontrei o remédio pra felicidade!

❤ ❤ ❤

sexta-feira, julho 01, 2016

ARTE DAS RELAÇÕES




"A inteligência é a arte das relações."

Entendo assim: quando aprendemos profundamente alguma coisa e conseguimos estabelecer as relações desse conhecimento com outros conhecimentos e vivências, - e isso é uma arte - está aí a mais pura inteligência. A verdadeira arte das relações. Mas isso não é muito comum. O que tenho observado é que as pessoas tendem a compartimentalizar o conhecimento e não se importam em, pelo menos, tentarem estabelecer conexões. Haveria então poucas inteligências no mundo? Não sei.

Marli Soares Borges

quarta-feira, junho 29, 2016

ISAAC ASIMOV



científica


Relendo Isaac Asimov. Fazia tempo que não lia nada dele e (re)apaixonei-me.

Quando fui apresentada a Isaac Asimov eu era adolescente (anos 60). Lembro que me apaixonei na mesma hora. PhD em Bioquímica e divulgador da ciência, seus romances não eram considerados alta literatura, ele mesmo se intitulava um "escritor de idéias", mas para mim, o conhecimento aliado à paixão pela escrita fez com que seus textos - cientificamente embasados - continuem ainda hoje, a brilhar com tanta intensidade aos olhos de quem os lê. Nas entrevistas ele sempre dizia que o que mais gostava na vida era escrever! Conta-se que certa vez, ao ser questionado sobre o que faria se um médico o diagnosticasse com pouco tempo de vida, ele respondeu "Datilografaria mais rápido!" (E escreveu mesmo, mais de 500 títulos, em vida, é mole? rs) Lembrei agora da trilogia da "Fundação". Era minha série favorita. Adorei também o "Eu, Robô" e as três leis da robótica.

Hoje em dia, a par dos avanços nas áreas da biônica, cibernética e inteligência artificial, seus livros viraram realidade e no andar dos acontecimentos, acho que as "Leis da Robótica" em breve terão status de lei. Como no passado, Asimov, continua a renovar em mim a esperança no poder da ciência e do desenvolvimento humano.

"A ciência em si, em sentido abstrato, é um instrumento autocorretivo e direcionado para a verdade. Pode haver enganos e concepções equivocadas, em razão de dados incompletos ou errôneos; no entanto, o movimento vai sempre do menos verdadeiro para o mais verdadeiro. (...) Os cientistas, todavia, não são a ciência. Por mais gloriosa, nobre e sobrenaturalmente incorruptível que ela seja, infelizmente os cientistas são humanos."

Marli Soares Borges

quinta-feira, junho 09, 2016

COM OUTRA TINTA


Gosto quando a Justiça age em face de pessoas que cometem crimes, e não acho que isso seja comemorar a dor do outro - qualquer que seja o outro. A justiça tem que ser feita e os criminosos devem ser punidos, pois temos urgência em acreditar que a Lei e a Justiça não foram feitas só para nós. Todos esses que estão sendo alvo de prisões, vazamentos e delações, há muito vêm apropriando-se indevidamente do que não lhes pertence e desviando os bens públicos da forma mais abjeta. Sempre intocáveis, acobertados por prerrogativas de toda ordem. Mas eis que alguns (poucos ainda...) são finalmente expostos e chamados à responsabilidade. E não podemos achar que é bom? Menos, petralhas, bem menos.

Eu fico feliz sim! embora saiba que o correto seria que esses ladrões de colarinho branco, devolvessem o dinheiro roubado! Dinheiro que roubaram dos pobres. Sim, dos pobres, dos mais pobres. Que ninguém se engane, foram eles os vilipendiados. E são eles os que mais passam necessidades por causa dessa ladroagem e dessas impunidades perversas. A infinita miséria dos pobres é resultado direto das atitudes dessa oligarquia repulsiva e praticamente inquebrantável que rouba e esbanja o roubo, sem o menor pudor. 

Enfim. 

Seria ótimo se estivesse surgindo verdadeiramente um novo país, onde ninguém pairasse acima da lei, mas, por enquanto, ainda não acredito. Todavia, parece-me que um passo muito tímido, mas não menos importante, já foi dado. Que bom que nossa história pudesse de imediato, começar a ser reescrita. De agora em diante. Com outra tinta.

Marli Soares Borges