"Se o mundo pensou que somos um povo sem educação por causa das vaias à Dilma, acertou! Sem educação, sem saúde e, finalmente, sem paciência!"
© Marli Soares Borges, 2013
Aqui estou: vivendo, pensando e escrevendo; de repente você me lê e tudo muda para melhor.
"Se o mundo pensou que somos um povo sem educação por causa das vaias à Dilma, acertou! Sem educação, sem saúde e, finalmente, sem paciência!"
"... eu já estava indo dormir quando dei de cara com uma foto do Jô, numa lastimável entrevista que aconteceu no dia 23/maio. Fiquei estarrecida. Olha, assino embaixo de tudo o que o jornalista Gilberto Pinheiro publicou. Trouxe aqui pra você ler. Mais do que nunca precisamos de envolvimento. Não dá pra levar numa boa. Até porque é numa ruim... muito ruim mesmo.
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ZOOFILIA E O PROGRAMA DO JÔ SOARES
Autor: Gilberto Pinheiro
É preciso entender que os tempos são outros e que muitos valores estão mudando. A defesa dos animais veio para ficar. É irreversível, pois somos a alma, o coração, a voz dos animais. Quem os maltrata, maltrata a mim e aos defensores.
Digo isso, pela decepção em relação a algumas pessoas populares e emblemáticas e ficar ciente do deboche em relação aos animais, como aconteceu quinta-feira passada, durante o programa do Jô Soares, quando o ator André Gonçalves falou sobre sua iniciação sexual, exatamente com galinhas, vacas, etc - o incauto ator não deve saber que prática de zoofilia ou apologia da mesma é crime.
O apresentador, assim como o público riam muito. E o público é universitário. O Brasil está mal de estudantes. Aliás, falar de estudantes universitários até envergonha - o Brasil possui 74% de analfabetos funcionais (leem mas não entendem) e, nesse contingente, pasmem, 38% estão nas .....universidades. Qual o futuro dessa nação medíocre com universitários que não sabem pensar e escrevem erradamente???
ZOOFILIA (crime previsto na Lei Federal 9605/98, artigo 32)
O deslumbrado e abobalhado ator, com a anuência do senhor Jô que não o advertiu, riram muito, debocharam dos animais, simularam sexo com eles. Como é possível isso na tv, um incentivo grotesco ao crime contra os infelizes animais? E o salário desses irresponsáveis e astronômico.
ISSO NÃO PASSARÁ INCÓLUME
Todavia, os defensores dos animais não deixarão passar esse ato de irresponsabilidade em branco.
Eu mesmo já entrei em contato com a equipe do Jô repudiando sua atitude maniqueísta e esdrúxula de achar graça de um ator que ridicularizou os animais, como se isso fosse algo superior a aceitável. Eu assisti à entrevista e fiquei pasmado, horrorizado com essa infâmia e decadência moral. O ataque é sempre contra os mais fracos. E todos riram muito. Deus, ó Deus, onde estás que não respondes??????
Zoofilia é crime, previsto na lei 9605/98, artigo 32. Embora o fato tenha acontecido na infância desse infeliz ator, a apologia é criminosa. Fazer propaganda como algo aceito, é ilícito, como nesse caso.
Jô Soares terá que se explicar, pedir desculpas publicamente. Inclusive, citarei o fato em meu programa de rádio.
Acabou o silêncio; terminou a impunidade e agora, quem falar sobre os animais, terá que medir as palavras, pois liberdade de comunicação é uma coisa; fazer apologia criminosa de zoofilia, gera processo criminal e será cobrado.Bom, por enquanto era isso.
OS ANIMAIS PRECISAM SER RESPEITADOS - O HOLOCAUSTO DELES TEM QUE TER FIM
Embora vivamos num país medíocre, onde as leis são sufocadas pelo jeitinho brasileiro, mesmo assim, não iremos nos calar. Agora, terão que aturar para sempre os defensores dos animais. A minha vida não passará em branco, isso eu posso assegurar. NÃO tenho medo de nada - se eu viver mais 10 anos, sinceramente, ficarei grato a Deus. Não preciso mais do que isso. Estou cansado desse mundo mau, de gente falsa, hipócrita; estou saturado de ver e ouvir notícias de maldade contra os mais fracos, no caso, crianças, idosos e animais.
A prática de zoofilia é tão abominável quanto a pedofilia. São pessoas abjetas, desprezíveis, inferiores, seus pensamentos são miasmáticos, exalam mau-cheiro assim como suas atitudes inferiores fazem mal à sociedade educada, que defende a vida em sua complexidade."
Saiba reconhecer quando os pensamentos negativos estiverem ocupando sua mente, em especial nos períodos de conflitos e sofrimentos. Feito isso, ataque sem demora esses pensamentos infames. Ponha-os pra nocaute, sem dó nem piedade. É fácil! Substitua-os imediatamente por pensamentos positivos! É tiro e queda. E convença-se de uma vez por todas, que você tem esse poder, afinal, quem comanda seus pensamentos é você! Caramba, não se deixe intimidar, engane logo seu cérebro, oras. Faça ele pensar que você está feliz!! Toque aqui!! E que venham as endorfinas, serotoninas e dopaminas! Yesss!!! \o/© Marli Soares Borges, 2010

Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio.Clique aqui e saiba mais: Desiderata é um poema em prosa escrito em 1927 pelo escritor norte americano Max Ehrmann, 1872 - 1945. Em 1956 o pároco da igreja de São Paulo de Baltimore, reproduziu o texto e distribuiu entre seus fiéis. Na sequência saíram outras reproduções sem os créditos originais, constando por engano, que o texto havia sido "achado na Igreja de São Paulo de Baltimore em 1692", ano de fundação da Igreja. Um equívoco que circulou como verdade durante muito tempo.
Tanto quanto possível sem se humilhar, mantenha boas relações com todas as pessoas.
Fale a sua verdade mansa e claramente e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, pois eles têm também sua própria história.
Evite as pessoas agitadas e agressivas; elas afligem o nosso espírito.
Se você se comparar com os outros, você se tornará presunçoso e magoado, pois sempre haverá alguém superior e alguém inferior a você.
Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui! E mesmo sem você perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino.
Desfrute de suas realizações, bem como de seus planos.
Mantenha-se interessado em sua carreira, ainda que humilde, pois ela é um ganho real na fortuna cambiante do tempo.
Tenha cautela nos negócios, pois o mundo está cheio de astúcias; mas não se torne um cético, porque a virtude sempre existirá.
Muita gente luta por altos ideais, e em toda a parte a vida está cheia de heroísmos.
Seja você mesmo.
Principalmente não simule afeição, nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva.
Aceite com carinho o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os arroubos inovadores da juventude.
Alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado, e não se desespere com perigos imaginários.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão; e, a despeito de uma disciplina mais rigorosa, seja gentil para consigo mesmo.
Portanto, esteja em paz com Deus, como quer que você O conceba.
E quaisquer que sejam os seus problemas, trabalhos e aspirações, na fatigante confusão da vida, mantenha-se em paz com sua alma.
Apesar de todas as falsidades, fadigas e desencantos, o mundo ainda é bonito.
Seja prudente! Faça tudo para ser feliz!
E jamais desesperes, porquanto sejas quem seja e estejas onde estiveres, ninguém te pode furtar o privilégio da imortalidade nem te arredar do Esquema de Deus.
"Onde os homens estão condenados a viver na miséria, os direitos humanos são violados”.
"Último lembrete: a pobreza é uma consequência da esmola. Corta a esmola que a pobreza acaba, como dois mais dois são quatro."E prossegue dizendo:
"Não me leve a mal por este protesto público.(A íntegra você encontra no Google. É só digitar (sem aspas) -- carta aberta martha --. A carta é longa, mas vale a pena ler)
Tenho obrigação de protestar, sabe por quê?
Porque, a cada delírio seu, quem paga a conta sou eu..."
"Quando você perceber que para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada."
"QUEM TE FAZ FELIZ? (autoria desconhecida)
Durante um seminário para casais, perguntaram a uma das esposas: - Seu marido lhe faz feliz? Ele lhe faz feliz de verdade? Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando total segurança. Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento. Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro NÃO, daqueles bem redondos! - Não, o meu marido não me faz feliz! (Neste momento o marido já procurava a porta de saída mais próxima). Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz. E continuou: O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas. Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável. Eu decido ser feliz! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não: eu sou feliz! Sou casada, mas era feliz quando estava solteira. Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria e tristeza. Quando alguém que eu amo morre eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza. Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar. Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem felizes, porque meus amigos não me fazem felizes, porque meu emprego é medíocre e por aí vai. Eu amo meu marido e me sinto amada por ele desde que nos casamos. Amo a vida que tenho, mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade. Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregar nos ombros. A vida de todos fica muito mais leve. E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos. Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade."
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| Hilda Hilst |
O poeta pode ser violento. A maior parte das vezes contra si mesmo. Um tiro no peito, gás, veneno, um tiro na boca, como fez Hemingway, que também foi poeta em O Velho e o Mar; Maiakóvski, um tiro no peito; Sylvia Plath, gás de cozinha; Ana Cristina César, um salto pelos ares; etc etc etc. "Os delicados preferem morrer", dizia Drummond. Mas esta modesta articulista, sobretudo poeta, diante das denúncias feitas pela revista Veja, todos aqueles poços perfurados em prol de uma única pessoa ou em prol de amiguelhos de sua excelência, presidente da Câmara, senhor Inocêncio (a indústria da seca), e o outro com seu lindo carro às custas de gaze e esparadrapo... Credo, gente, quando você vê televisão ou in loco o povão famélico, desdentado, mirrado... Um amigo meu foi para o Ceará e passou os dias chorando! As crianças todas tortas, todos pedindo comida sem parar... e 500 toneladas de farinha apodrecendo... e montes de feijão desviados para uma só pessoa... (um parênteses, porque meu coração de poeta pede a forca, o fuzilamento, cadeia, cadeia para aqueles que se locupletam à custa da miséria absoluta, da dor, da doença). Gente, eu já estou uma fúria e para ficar mais calma proponho algumas coisas mais sutis, por exemplo: o Esquadrão Geriátrico de Extermínio, a sigla óbvia seria EGE. Arregimentaríamos várias senhoras da terceira idade, eu inclusive, lógico, e com nossas bengalinhas em ponta, uma ponta-estilete besuntada de curare (alguns jovens recrutas amigos viajariam até os Txucarramãe ou os Kranhacarore para consegui-lo) nos comícios, nos palanques, nas Câmaras, no Senado, espetaríamos as perniciosas nádegas ou o distinto buraco malcheiroso desses vilões, nós, velhinhas misturadas às massas, e assim ninguém nos notaria, como ninguém nunca nota a velhice. Nossas vidas ficariam dilatadas de significado, ó que beleza espetar bundões assassinos, nós faceiras matadoras de monstros!
O curare é altamente eficiente, provoca rapidinho a paralisia completa de todos os músculos transversais (bunda é transversal?) e em seguidinha sobrevém a morte por parada respiratória. Ficaríamos todas ao redor do coitadinho, abanando: óóóó, morreu é? Um pedido ao presidente Itamar: severidade, excelência, é ignominioso, indigno, insultante para todos nós, deste pobre Brasil tão saqueado, que essas terríveis denúncias terminem no vazio, no nada, na impunidade. É sobretudo perigoso porque:Beijos a todos e um ótimo final de semana.
de cima do palanque
de cima da alta poltrona estofada
de cima da rampa
olhar de cima
LÍDERES, o povo
Não é paisagem
Nem mansa geografia
Para a voragem
Do vosso olho.
POVO, POLVO
UM DIA.
O povo não é o rio
De mínimas águas
Sempre iguais.
Mais fundo, mais além
E por onde navegais
Uma nova canção
De um novo mundo.
E sem sorrir
Vos digo:
O povo não é
Esse pretenso ovo
Que fingis alisar,
Essa superfície
Que jamais castiga
Vossos dedos furtivos.
POVO. POLVO.
LÚCIDA VIGÍLIA.
UM DIA.
CRIANÇA
Porque sim.
PROFESSORA PRIMÁRIA
Porque o frango queria chegar ao outro lado da rua.
PLATÃO
Porque buscava alcançar o Bem.
ARISTÓTELES
Porque é da natureza do frango atravessar a rua.
MARX
Porque o atual estágio das forças produtivas exigia uma nova classe de frangos capazes de atravessar a rua.
MARTIN LUTHER KING
Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos serão livres para atravessar a rua sem que sejam questionados seus motivos.
FREUD
A preocupação com o fato de o frango ter atravessado a rua é um sintoma de insegurança sexual.
DARWIN
Ao longo de grandes períodos de tempo, os frangos têm sido selecionados naturalmente, de modo que, agora, têm uma predisposição genética para atravessar as ruas.
EINSTEIN
Se o frango atravessou a rua ou a rua se moveu sob o frango, depende do ponto de vista. Tudo é relativo.
HELOISA HELENA
Porque as elites estelionatárias, caucasianas e aristocráticas usurparam a população de frangos tirando-lhes a capacidade de luta em defesa dos seus direitos.
ZECA PAGODINHO
Porque do outro lado da rua tinha uma Brahma gelada.
AMIR KLINK
para ir aonde nenhum frango jamais esteve.
NELSON RODRIGUES
Porque viu sua cunhada, uma galinha sedutora, do outro lado.
DATENA
É uma pouca vergonha! Uma Barbaridade! Põe no ar! Põe no ar aí as imagens do frango atravessando a rua.
POLIANA
Porque estava feliz.
MACONHEIRO
Porque ele queria fazer uma 'viagem'.
CAETANO VELOSO
O frango é amaro, é lindo, uma coisa assim... amara! Ele atravessou, atravessa e atravessará a rua porque Narciso, filho de D.Canô, quisera comê-lo…ou não!!
GILBERTO GIL
Porque a metáfora da música brasileira na globalização efetiva dos carentes objetos da sinergia do frango, fizeram a pluralização chegar aos ouvidos eternos da geografia assimétrica do outro lado da rua.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Porque ele queria se juntar aos outros companheiros mamíferos.
LER POUCO
Jovem, eu sonhava ter uma grande biblioteca. E fui assim pela vida, comprando os livros que podia. Tive de desenvolver métodos para controlar minha voracidade, porque o dinheiro e o tempo eram poucos. Entrava na livraria, separava todos os livros que desejava comprar e, ao me aproximar do caixa, colocava-os sobre o balcão e me perguntava diante de cada um: “ Tenho necessidade imediata desse livro? Tenho outros, em casa, ainda não lidos? Posso esperar?” E assim ia pegando cada um deles e os devolvendo às prateleiras. A despeito desse método de controle cheguei a ter uma biblioteca significativa, mais do que suficiente para as minhas necessidades.
Notei, à medida em que envelhecia, uma mudança nas minhas preferências: passei a ter mais prazer na seção dos livros de arte nas livrarias. Os livros de ciência a gente lê uma vez, fica sabendo e não tem necessidade de ler de novo. Com os livros de arte acontece diferente. Cada vez que os abrimos é um encantamento novo! Creio que meu amor pelos livros de arte têm a ver com experiências infantis. Talvez que os psicanalistas interpretem esse amor como uma manifestação neurótica de regressão. Não me incomodo. Pois, em oposição à psicanálise que considera a infância como um período de imaturidade que deve ser ultrapassado para que nos tornemos adultos, eu, inspirado por teólogos e poetas, considero a maturidade como uma doença a ser curada. Bem reza a Adélia Prado: “ Meu Deus, me dá cinco anos, me cura de ser grande...” E não pensem que isso é maluquice de poeta. Peter Berger, um sociólogo inteligente e com senso de humor, definiu “maturidade”, essa qualidade tão valorizada, como “ um estado de mente que se acomodou, ajustou-se ao status quo e abandonou os sonhos selvagens de aventura e realização...” Menino de cinco anos, eu passava horas vendo um livro da minha mãe, cheio de figuras. Lembro-me: uma delas era um prédio de dez andares com a seguinte explicação: “Nos Estados Unidos há casas de dez andares.” E havia a figura de um caçador de jacarés, e de crianças esquimós saudando a chegada do sol.
O fato é que comecei a mudar os meus gostos e chegou um momento em que, olhando para aquelas estantes cheias de livros, eu me perguntei: “Já sou velho. Terei tempo de ler todos esses livros? Eu quero ler todos esses livros?” Não, nem tenho tempo e nem quero. Então, por que guardá-los? Resolvi dar os livros que eu não amava. Compreendi, então, que não se pode falar em amor pelos livros, em geral. Um homem que diz amar todas as mulheres na verdade não ama nenhuma. Nunca se apaixonará. O mesmo vale para os livros. Assim, fui aos meus livros com a pergunta: “Você me ama?” ( Acha que estou louco? É Roland Barthes que declara que o texto tem de dar provas de que me deseja. Há muitos livros que dão provas de que me odeiam. Outros me ignoram totalmente, nada querem de mim... ). “Vou querer ler você de novo?” Se as respostas eram negativas o livro era separado para ser dado. Essa coisa de “amor universal aos livros” fez-me lembrar um texto de Nietzsche sobre o filósofo Tales de Mileto, em que ele recorda que “a palavra grega que designa o “sábio” se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphos, o homem de gosto mais apurado; um apurado degustar e distinguir, um significativo discernimento, constitui, pois, (...) a arte peculiar do filósofo. (...)A ciência, sem essa seleção, sem esse refinamento de gosto, precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço; enquanto o pensar filosófico está sempre no rastro das coisas dignas de serem sabidas...” E depois, no Zaratustra, ele comenta com ironia: “Mastigar e digerir tudo - essa é uma maneira suina.”
O fato é que muitos estudantes são obrigados a ler à maneira suina, mastigando e engolindo o que não desejam. Depois, é claro, vomitam tudo... Como eu já passei dessa fase, posso me entregar ao prazer de ler os livros à maneira canina. Nenhum cachorro abocanha a comida. Primeiro ele cheira. Se o nariz não disser “sim” ele não come. Faço o mesmo com os livros. Primeiro cheiro. O que procuro? O cheiro do escritor. Se não tem cheiro humano, não como. Nietzsche também cheirava primeiro. Dizia só amar os livros escritos com sangue.
Ler é um ritual antropofágico. Sabia disso Murilo Mendes quando escreveu: “No tempo em que eu não era antropófago, isto é, no tempo em que eu não devorava livros - e os livros não são homens, não contém a substância, o próprio sangue do homem?” A antropofagia não se fazia por razões alimentares. Fazia-se por razões mágicas. Quem come a carne do sacrificado se apropria das virtudes que moravam no seu corpo. Como na eucaristia cristã, que é um ritual antropofágico: “Esse pão é a minha carne, esse vinho é o meu sangue...” Cada livro é um sacramento. Cada leitura é um ritual mágico. Quem lê um livro escrito com sangue corre o risco de ficar parecido com o escritor. Já aconteceu comigo...
"CONCLUSÃOLeia a íntegra no site Olhar Animal
Pela primeira vez na história do direito brasileiro chega-se a uma decisão judicial de mérito reconhecendo que a atividade circense exploradora de animais caracteriza abuso, prática que viola o dispositivo constitucional proclamado no artigo 225 par. 1º, inciso VII, que veda a crueldade. Neste sentido, os reclamos defensivos não tinham mesmo razão de ser porque a empresa LE CIRQUE efetivamente utilizava-se de animais em seus espetáculos, violando também o artigo 21 da Lei 11.977/05 (Código Estadual de Proteção aos Animais), cuja constitucionalidade foi expressamente afirmada pelo Poder Judiciário. Apesar dos esforços defensivos em levar a questão até a última instância jurisdicional, conforme se pode verificar pela sucessão de recursos interpostos perante os Tribunais Superiores, a decisão final do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça, ao negar seguimento ao derradeiro embargo, deu inteira razão ao juiz sentenciante, Gustavo Alexandre da Câmara Leal Belluzzo, reconhecendo ele que a exploração de animais em circo configura abuso e, conseqüentemente, prática cruel. Isso tudo representa, em síntese, uma inédita decisão jurídica, que ora se transforma em jurisprudência, em favor do reconhecimento de direitos aos animais."
Fonte:
Arquivo do Fórum de São José dos Campos Processo n. 1071/06 - 6ª Vara Cível de São José dos Campos