24 julho, 2014

REPARA BEM NO QUE NÃO DIGO


repara


Sempre achei que era boa ouvinte. Mas não! Na adolescência eu falava demais e ouvia de menos. Não aguentava ouvir, eu ia logo dando um palpite e acabava fazendo uma confusão do que a pessoa dizia com o que eu queria dizer. Um dia dei de cara com a poesia de Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Pensei, pensei. Silêncio dentro da alma? Demorei a perceber o desafio que envolve a arte de ouvir. Entendi que para OUVIR é preciso paciência, contemplação e silêncio. Silêncio dentro da gente, nada de pensamentos, nada de julgamentos. Quando me dei conta disso, comecei a esforçar-me para ouvir o que as pessoas estavam querendo me dizer. E nesse exercício silencioso e atento, já consigo, algumas vezes, captar os sons que existem nos intervalos das palavras. Tem um poema da H. Kolody que diz: "ouvir com os olhos e afirmar: eu compreendo; nem é preciso dizer nada". 

Marli Soares Borges, 2013

19 julho, 2014

NÓS PODEMOS MUDAR ISSO

nós podemos mudar isso
Imagem: Google

Reconheço que para a elite vermelha, aquela da estrela no peito, o Brasil vai muito bem. Eles estão sorridentes, saudáveis e bem tratados pelo sistema. Mas para o contingente de pessoas que paga imposto, dá emprego ao povo e realmente trabalha para manter o país em pé, a situação vai de mal a pior. Esse governo petista faz uma farra tão grande com o nosso dinheiro que chega a embrulhar o estômago. O que rola de dinheiro público, nas nossas barbas, em troca de votos é de uma imoralidade assombrosa. Nunca antes na história deste país se viu tanto toma-lá-da-cá, tanta gente mamando nas tetas do povo brasileiro. 

Os mais pobres são aliciados e mantidos no cabresto pelo governo, por causa do Bolsa Família. E os ricos da elite vermelha navegam no mar das mordomias: trabalham em cargos de confiança e são muito bem pagos para exercerem funções estratégicas indispensáveis aos interesses do partido governista. É mole? 

A propósito, esclareço que não sou, não fui e jamais serei contra o Bolsa Família, por dois motivos: primeiro, porque é uma questão de justiça social com os desamparados; segundo, porque eles (os desamparados) têm direito constitucional a essa assistência. Ponto. Aí a gente pensa, como assim ganhar dinheiro, todos os meses, sem trabalhar? Óbvio, isso é coisa que não cabe na cabeça de ninguém. Mas aposto que se houvesse transparência e esclarecimento, se essa assistência ocorresse sobre outras bases e se funcionasse direito, sem roubalheiras, o cenário seria outro. Mas não! O governo PT resolveu orquestrá-la através de uma verba mensal, distribuída segundo dizem, aos 'necessitados'. Aí entornou o caldo porque - como amplamente noticiado - teve muita gente recebendo sem precisar e parando de trabalhar para ficar só com "a" bolsa, como eles dizem. Ora, não precisa ser um expert para saber, que uma verba distribuída assim, de paraquedas, sem prazo de validade, sem controle e sem monitoramento eficaz, transforma-se rapidamente em flagrante incentivo à vagabundagem. E tanto isso é verdade que já é voz corrente que o Brasil, além do maldito jeitinho brasileiro, agora é o país dos vagabundos! 

Estamos mal na foto. 

Mas o que mais me impressiona é a desfaçatez desse governo oportunista, que se apropriou indevidamente de um direito existente na Lei Maior e fez o povo crer que é um favor idealizado pelo PT. Não é! Nunca foi! Está escrito lá na Carta Magna para quem quiser ver. E para piorar, as pessoas que recebem essa verba são propositadamente mantidas na ignorância. Não sabem que são titulares de um direito social assegurado na Lei Maior. Ora, em não sabendo, acabam com medo de perderem o "favor". Pronto, saíram do forno as "máquinas de votar" do PT! 

Está na hora de mudar isso. De livrar essa pobre gente da ignorância, de alforriá-los para que votem com suas próprias consciências, pois o fato de receberem uma verba assistencial não significa que possam ser escravizados, lembrando que é com esse estratagema subterrâneo que o PT vem mantendo esse governo autoritário no poder. E ademais, o governo - federal, estadual, municipal - não pode chamar a si a propriedade do dinheiro dos impostos e portanto, não pode utilizar o Bolsa Família como máquina eleitoral. Quem assiste os desamparados com a referida verba é o povo brasileiro com o dinheiro dos impostos. O governo é apenas o representante do povo, mas no caso do PT o governo vai além e age como "atravessador". O conhecido levador de vantagens! E você sabe quem primeiro começou a cumprir esse mandamento assistencial previsto na Constituição? foi o FHC. Aí o governo petista se intitulou o 'dono' da ideia e a seu bel prazer, modificou e remexeu tanto, que transformou tudo de bom que estava sendo feito pelo governo anterior, nessa tal 'bolsa' rasgada, furada, esculhambada, jogada como se fosse um favor, na mão de um povo que, de tão pobre, é capaz de se vender por um pedaço de pão! Tudo ao deus-dará, sem a menor seriedade, sem o menor respeito com o dinheiro público. Assim é fácil. Acabou o dinheiro? Dá-lhe imposto! e o povo que se rale para pagar a conta; que carregue o piano e que continue morrendo à míngua nesse lindo e desgovernado país chamado Brasil, onde falta tudo: água, luz, educação, saúde, segurança, comunicação e milhares de serviços considerados essenciais. E onde abunda a corrupção! (sem trocadilhos, por favor, rsrsrsrs). Enquanto isso, a elite vermelha continua com aquele sorrisinho imoral estampado na cara.

Calma madame, a democracia virá. 

Ok, por hoje chega, deixo só um recadinho: nós podemos mudar isso, as eleições estão na nossa porta. Primeira medida: tirar essa troupe do poder, livrar-se desse governo rasteiro. Na sequência é encher os pulmões de ar e trabalhar para mudar o Brasil.

- Marli Soares Borges -

13 julho, 2014

GRUDAR E DESGRUDAR, EIS A QUESTÃO


Antes da Copa o governo associava a vitória da Seleção à imagem do partido. Depois do "Vexame dos Vexames", eles mudaram o discurso e estão dizendo que não têm nada a ver, que futebol é futebol e política é política. Eles querem agora desvincular o que antes, eles mesmo vincularam. Pode? Antes eles falavam que os pessimistas, coxinhas, urubus, etc estavam azarando. Depois das vaias que a presidANTA recebeu e tem recebido em todos estádios, por todo o país, eles passaram a atacar a elite branca, a classe vip. Okay. E a elite vermelha do PT, porque eles não atacam? Ora, porque são eles próprios a tal elite e como diz o ditado "lobo não come lobo". A corrupção é coisa muito triste mesmo. Querem que a gente esqueça que eles pararam o Brasil durante quatro anos e que durante esse tempo a única coisa que fizeram foi trabalhar nos aprontes para a Copa. Nada de hospitais, escolas ou quaisquer bens e serviços necessários à população. Só fizeram estádios. E para quê? Qual o retorno disso tudo para o povo? Eu simplesmente não entendo: se apareceu dinheiro para construir estádios, porque não construíram hospitais? porque jogaram a saúde pública às traças? E a educação? E a segurança? E as comunicações? A internet é uma droga. E eles sabem muito bem dessas mazelas, mas não estão nem aí, o povo que se dane. Pois é. Mas agora bateu o pavor e eles querem esconder a sujeira debaixo do tapete. Sinto muito, mas agora não vai dar, o povo brasileiro está cansado de maracutaias. Calma Brasil, logo teremos eleições. É a nossa chance de virar o jogo e expulsar esses oportunistas do poder.

Update - Não sou e nunca fui contra, apenas acho que a Copa não deveria ter sido no Brasil.

- Marli Soares Borges -

09 julho, 2014

O TEMPO E O STATUS




Não tenho tempo é o que mais se ouve na atualidade. Ninguém pode perder tempo com nada e com ninguém, afinal tempo é dinheiro e a corrida do ouro não para. A cultura que nos alimenta vê a escassez de tempo com bons olhos e faz da falta de tempo um status. Se você não tem tempo é sinal de que está muito bem de vida, é requisitado, respeitado, então deve ser muito importante. Com certeza é um ser bem ajustado ao mundo real. Nessa ótica, é correto dizer que quanto menos tempo, mais importante a pessoa deve ser. Em contrapartida, se você tem tempo, você perde status, perde o respeito e ninguém liga para você. Como um marginal você é literalmente descartado pelos seus amigos. Mas eu discordo dessa lógica. Para mim, esse é um conceito que deve ser revisado, pois talvez as pessoas que mais tenham a nos ensinar e nos oferecer neste mundo, sejam aquelas que, embora ocupadas, têm tempo, que não priorizam essa correria generalizada. Se você precisar, elas certamente terão tempo para você, para te ouvir, refletir, trocar experiências e até mesmo ensinar. As demais, muito importantes, nunca têm tempo. Pense nisso. 

Marli Soares Borges