13 dezembro, 2014

TEMPO DE NATAL



festas, papai noel


Já vou avisando: pode pular fora desse post, ele está muito chato. Escrevi sobre o Natal, mas estava pensando em tantas coisas... 

Ceia, festas, troca de presentes, cartões, música, decoração, árvore de natal, luzes, guirlandas, presépio e Papai Noel carregado de presentes. Sigo namorando essas coisas lindas na telinha do meu note, enquanto passa pela minha cabeça as caras felizes dos meus netos, abrindo os presentes. E num relance me pego pensando nas crianças pobres. E penso no dinheiro que a corrupção rouba do povo. E penso no Natal. Tudo ao mesmo tempo. E -- porque sonhar não custa nada --, sonho com um país sem corrupção, onde o dinheiro público seja bem empregado e sirva para alimentar, alegrar e dar saúde e dignidade a milhões de crianças que vivem em situação de miséria extrema.

Crianças que neste momento estão querendo comer e não têm nada. Algumas escrevem ao Papai Noel pedindo um pedaço de bolo de presente. Sonham com uma boneca, uma bola. Uma barra de chocolate, a primeira de suas vidas. Pedem um sabonete, um colchão, um travesseiro. Um copo de leite. E, qualquer uma dessas coisas é verdadeira extravagância diante da miséria em que vivem. Fizemos muita coisa pelas crianças pobres em geral, muita inclusão social, muitas leis, muitos direitos. Mas penso que não podemos nos orgulhar de nada do que temos feito até agora, porque ainda não lhes fizemos justiça.

E daí? Elas que esperem. A Justiça tem andado muito ocupada defendendo o direito de criminosos ricos. A Justiça está aparelhada pelo governo para dançar a música que eles tocam. Crianças pobres, miseráveis? Deixa pra lá.

Mas elas têm sonhos de criança e isso me aperta o coração.

Essas crianças fazem parte do mundo em que eu vivo. Elas não são personagens, elas existem de verdade. São viajantes do mesmo tempo que eu e, embora a fome lhes tire a dignidade e as torne invisíveis, seus direitos carecem de respeito. E o que mais me dói, é reconhecer que avançamos tanto, social e juridicamente, e apesar de tudo, ainda não conseguimos atingir um grau de justiça equitativa, eficaz e comum a todos, indistintamente, de qualquer lugar e de qualquer classe social. Parece que quanto mais elevada a cátedra dos juízes, mais difícil é o entendimento de que, na trajetória da vida estamos todos irmanados. A Justiça no Brasil está contaminada pela parcialidade. Tenho certeza que você concorda comigo: se uma criança pobre furtasse um pedaço de pão para matar a fome, seu destino estaria traçado com mãos de ferro. Muito diferente dos VIPs da política, por exemplo, -- adultos, figuras públicas -- muitos deles condenados em processo regular, continuam aí, sorridentes, rindo da nossa cara, ostentando sua riqueza nojenta, roubada de nós. (Aqui um parênteses, porque meu coração de vó, quer banimento, guilhotina, abdução, sei lá o quê. Rigor para gente que enriqueceu à custa da miséria e da dor das nossas crianças).

Mas como sonhar não é pecado, continuo sonhando: Ah, se não houvesse corrupção, ah, se esse pobre Brasil não fosse tão saqueado, ah, se os ladrões fossem obrigados a devolver o dinheiro que roubaram... Ah, se esse dinheiro devolvido voltasse agora, neste Natal e alimentasse as crianças...

Ta bom, chega de falar besteira, quem quer saber disso agora? nossa, nem eu me aguento! 

Hora de continuar meus preparativos, tanta coisa a fazer, festas a planejar, a decoração, a ceia, os doces. Já comprei os presentes, fugi do megastress. Meus netos, a meu pedido, formularam seus desejos com antecedência. E até que foram modestos, reconheço. De minha parte, vou fazer o que posso para agradá-los, porque Natal é Natal, e criança só se é uma vez na vida.

Boas Festas.

Marli Soares Borges
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