31 maio, 2010

BLOGAGEM COLETIVA - VIDA SIMPLES NO LAR

Olá!


Para mim, vida simples no lar inclui uma diversidade de coisas e momentos que a gente vivencia no dia-a-dia, em nossa casa. Quero mostrar a vocês um momento extremamente simples de minha vida, mas que considero um luxo. Imagine só, em pleno agito dos dias, ainda temos a chance de achar um tempo para sentar e matear tranquilamente, de bobeira, em paz, sem culpa nenhuma.

Beleza? Pois é exatamente isso que eu e meu marido costumamos fazer aos domingos de manhã bem cedinho:  sentamos na varanda e ficamos observando a vista esplendorosa da natureza, enquanto tomamos nosso chimarrão gaúcho. Momentos de silêncio e troca de idéias. Papos descompromissados. Intensa desconexão com o mundo lá fora. Nossa, como isso é bom pra gente se energizar!

E então, não é um luxo? Bom, pelo menos eu acho. E é bem simples.

Well. Agora é hora de dar uma olhadinha na foto.


Seguinte. Ontem de manhã ao levantar, enquanto observava meu marido aprontando o chimarrão pra nós, me deu um estalo e lembrei da Blogagem coletiva. Taí! É com esse que eu vou!! Corri, peguei a câmera e, discretamente, click! Tinha que ser essa foto, nenhuma outra. Estou plenamente convencida, tem certas coisas que simplesmente não dá pra dizer em palavras. Nem vale a pena tentar.

Imagine, eram 7h da manhã, um friozinho gostoso, chuvinha leve. Aí vejo essa cena. Ora, tudo que eu mais queria naquele momento era sentir o gostinho amargo e quente do chimarrão! Humm, my God, delícia! (Me dá água-na-boca só de escrever, não é segredo, sou louca por chimarrão). E lá fomos nós, aproveitar muito bem aquele horário que antecede à chegada dos filhos, netos, parentes, telefones, e-mails, visitas, etc., afinal, domingo, sabe como é.  Moramos no meio do mato, mas a civilização fica logo ali. E, além do mais, a gente não pode deixar em segundo plano o que realmente importa na vida: a convivência harmoniosa, o olho no olho, a calmaria e a arte de estar a dois.

Um momento de vida simples no lar. Um momento casual mas ao mesmo tempo requintado, uma mistura que não deixa ninguém na mão.

Beijos. Fui.
Blogagem coletiva do blog "Mila's Ville". O tema proposto é "Vida Simples no Lar".

30 maio, 2010

VIRANDO O JOGO

Olá pessoal!

Li anteontem uma crônica que Luiz Fernando Veríssimo escreveu sobre George Clooney.

Sou fã de carteirinha do Veríssimo, mas a dita crônica me tirou do sério, (hahahaha) onde já se viu caluniar aquele gato maravilhoso, deixa ele, não mexe com ele. A gente só olha, acha lindo e segue tocando nossa vida. Paciência homens, entendam que ele é bonito e pronto, isso ninguém muda. Nada de calúnias contra Clooney. Quem tem que levar umas e outras são essas mulheres lindas que vivem nas revistas.

Essas sim deixam a gente sem defesa, pois os homens além de olhar, conseguem ficar embasbacados, numa pasmaceira só, de boca aberta. -- Essas engraçadinhas, tudo no lugar, sem uma gordurinha, pele de cetim, olhos maravilhosos, braços, pernas, grrr! -- E nós, só no aé. Quem se habilita a caluniar?

Não, não é por aí, pensando melhor o problema não são elas, são ELES que vivem em permanente estado de adoração. Insanidade até. Elas estão apenas trabalhando, eles é que não. Mas você sabia que é possível acabar com esse festerê?

Conheço duas saídas: a primeira dá mais trabalho, mas diz que é definitiva. Trata-se de convencê-los de que correm sério perigo, que as fotos são radioativas, etc, vale até incursões pela nanotecnologia, e que se andarem olhando, já era, serão atingidos, tóin!!! A partir daí a única coisa que poderão mesmo fazer será somente olhar!

Crie, invente, dê tratos à bola. Que tal uma tese atemorizante, algo tipo "Sequelas Sexuais Causadas em Homens que Idolatram as Mulheres das Revistas." Sei lá, um título qualquer, bem sugestivo. Espalhe na internet e mande o arquivo no email particular dele. Dá até pra ilustrar com fotomontagens dos sequelados (hehe), afinal, o photoshop tá aí pra quê?

Dizem que é tiro-e-queda, que eles abandonam definitivamente esse hábito insuportável de idolatrar mulheres nas revistas. Aí você terá a chance de ser a única, para todo o sempre, amém.

O outro método é bem mais fácil, porém, (ah, sempre tem um porém...) precisa ser reforçado de tempos em tempos. Esse método é superconhecido e aposto que você até já ouviu falar. É o famoso "Jogo-bruto". Como? Não, esse é bem simples: corpo-a-corpo e baixaria. Sim, funciona. Testei aqui em casa, show de bola, rsrs! Provas? Pergunte ao meu marido se ele acha a Angelina Jolie bonita.\o/

Bem, por enquanto é só.
Tchau, beijos.

28 maio, 2010

FORA DE MODA

Olá!

Desconfio que a naturalidade esteja fora de moda. Não tenho mais coragem de dizer que a cor da cortina daquela sala poderia ser mais clara, que ficaria melhor assim ou assado.


Tenho medo de rir fora-de-hora, de falar abertamente sobre problemas comuns que uma simples troca de idéias poderia amenizar, de fazer um cumprimento, um elogio simples ou uma crítica construtiva. Posso ser mal interpretada, rotulada, posso ferir suscetibilidades. Os politicamente corretos, donos-da-verdade, chatos de galocha, estão sempre de plantão, com seus livros especializados em tudo, frases feitas e opiniões formadas. Está proibida a comunicação espontânea, os gestos devem ser contidos, a escrita deve observar um rígido formalismo (piegas e obsoleto) e os ambientes devem ser impecáveis... e frios. Ah, e para inspirar respeito, a cara-amarrada-estressada não pode faltar! Deus! Estou fora!!! Adoro falar bobagem, adoro rir, adoro aprender e não me importo de errar. Decididamente essa moda não me interessa, quero distância dela.

Era isso. Até breve. Fui.

26 maio, 2010

O TEMPO

Olá!

Pode falar? Ok, amanhã eu ligo. Caracas, ninguém tem tempo. Acertou, é sobre o tempo que pretendo falar..., tá bom, esquece essa parte, vou postar um pequeno trecho de um texto poético, uma linda poesia, mas não é qualquer uma, é a poesia, e já vou dizendo que acho fantástica, portanto prepare-se, o que você vai ler é inesquecível, diferente do que anda rolando por aí. É isso que acho, mas entenda, sou suspeita pra falar porque fui cativada pela delicadeza desse poema e agora, sempre que volto à leitura, me emociono e me empolgo! É que esse autor é, digamos, ímpar, e, nesse poema ele impregnou as palavras de uma verdadeira energia vital, ele trouxe para dentro do texto a magia poética, mas com a real possibilidade de concretizar-se no aqui e agora. Nossa! Agora me superei!!!! Mas é isso mesmo que você ouviu. Ele nos apresenta o tempo numa ótica que enaltece as passagens verdadeiramente importantes da nossa vida numa simbiose com a própria linha do tempo, que, sabemos, é inexorável. Gente, chamo a atenção, isso é só uma palhinha do que esse autor escreve. Já li dois livros dele, sem respirar! Aproveitem. Com vocês, Raduan Nassar, em O TEMPO.



O     T E M P O

O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor.
Embora, inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento.
Sem medida que eu conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza. 
Não tem começo, não tem fim.
Rico não é o homem que coleciona e se pesa num amontoado de moedas, 
nem aquele devasso que estende as mãos e braços em terras largas.
Rico só é o homem que aprendeu piedoso e humilde a conviver com o tempo, 
aproximando-se dele com ternura. 
Não se rebelando contra o seu curso. 
Brindando antes com sabedoria para receber dele os favores e não sua ira.
O equilíbrio da vida está essencialmente neste bem supremo. 
E quem souber com acerto a quantidade de vagar com a de espera que deve pôr nas coisas, 
não corre nunca o risco de buscar por elas e defrontar-se com o que não é. 
Pois só a justa medida do tempo, dá a justa 'natureza' das coisas.

Legal, não? Se não gostou, tudo bem, aceito, mas nem me fale, você já sabe minha opinião... (rsrsrsrs)
Bem, por enquanto, era isso. Fui. Até breve.

25 maio, 2010

QUANDO EU NÃO ESTIVER MAIS POR AQUI

Olá!

Gente, há pouco estive visitando blogs de amigos. Vida de blogueiro(a), sabe como é. Ok.  Mas acho que acabei sendo teleguiada pelas forças do "blogus" e dei de cara com uma poesia, tão linda, mas tão linda, que quase desabei!!!  Verdade. Ah, não deu outra, já pedi autorização e estou publicando ela aqui pra vocês lerem.  Os versos são tocantes e comoventes. O nome do autor é James Pizarro.  Ele tem um blog recheado de coisas interessantes e articuladas. Vale a visita.















QUANDO EU NÃO ESTIVER MAIS POR AQUI...

A ilha é linda.
A ilha é mágica.
Mas nestes dias sem sol a gente fica soturno.
Sombrio por dentro.
Bate uma saudade do meu pai morto.
Que se faz mais vivo do que nunca.
Bate uma saudade dos barrancos da Silva Jardim.
Onde fui guri.
E sonhei ser desenhista.
E clarinetista de banda de jazz.
E acabei fazendo tudo pelo avesso.
Embora tenha me realizado na plenitude como professor.
Não saberia fazer melhor outra coisa do que falar.
Passar adiante conhecimentos.
Mas bate uma saudade dos meus tempos de guri mesmo.
Quando eu acreditava em bruxas.
E pensava que meu pai era imortal.
Hoje - perplexo diante da velhice -
Sinto o tempo encurtar.
E bate até uma saudade de tudo que me cerca hoje.
E uma inveja do tempo futuro.
Quando não estarei mais por aqui...


Créditos:
AUTOR : James Pizarro - Link para o post aqui

Enjoy
Beijos. Fui.

24 maio, 2010

BLOGAGEM COLETIVA - COLORINDO A VIDA - MINHA COR PREDILETA

Olá!!!

"Abou!" (repete meu netinho quando digo que acabou o chocolate, rsrs). Todo mundo pensava que as postagens das cores haviam acabado na semana passada, mas, não! Ainda tem a "rapa-do-tacho", como se diz por aqui, nos pagos do sul. E hoje a gente escolhe uma cor e manda ver!!!

Meu problema é que, de uns tempos para cá, (suponho que seja a idade, hehe) ando gostando muito de todas as cores. Uma cor única já não me satisfaz. E também não me contento só com as cores. Quero cores, cheiros e sabores, tudo. Ih, lá vem você me olhando desse jeito, rsrs, take it easy!  Com essa tela que estou postando, nem precisaria dizer mais nada. Tire um minutinho só e observe, vale a pena. É de Cézanne, um pintor incrivel que dispensa apresentações. Ele acredita que a cor responde por inúmeras sensações, que ela dá vigor e solidez na composição. E assim pensando, abriu a mais revolucionária possibilidade de exploração artística do século XX, a Arte Moderna! E então?

Veja como é bacana utilizar a cor nessa amplitude, repare no resultado. Não há sequer a preocupação com a perspectiva, my God!! Só as cores transmitem as sensações: o ambiente, as formas, a beleza, o aconchego, os cheiros e os sabores, humm, delícia...

Okay, stop. Apresentei as cores. Agora chegou a vez de apresentar OS MEUS HAIKAIS! Leiam, prestigiem, espero que gostem. :))


Still Life With a Basket (Kitchen Table)
1890-95 - Musée d'Orsay - Paris

Frutas na mesa -
Festival de sabores,
aromas e cores!

Frutas na mesa -
Aromas em profusão
em todos os tons.

Frutas na mesa -
Dispostas sutilmente,
delicadamente.






Equilibrio -
Cores que se completam
em harmonia.


Impossível não postar esse símbolo. Você já sabe o meu pensar.
Por enquanto era isso.
Beijos. Fui.

22 maio, 2010

E, DAÍ, QUAL É O PROBLEMA?

Olá todo mundo!

Espero que vocês gostem. Gente, sigam meu conselho. É dos bons, hehe!!! Tem gente que diz que se conselho fosse bom ninguém dava. Vendia. Mas não me importo. Eu dou.  :))


Se você amanhecer, com saudade não-sei-de-quê,
Acredite é vontade, de abraçar o bem-querer.  
De jogar conversa fora, e ficar sem fazer nada.
De parar por uns instantes, não calcular a jogada.  
Tudo bem podem pensar, que isso é pura bobagem.
Mas esses adejos nos dão, muita energia e coragem. 
É tão bom de vez em quando, ficar na vagabundagem!
E daí, qual é o problema, desligar só um pouquinho? 
Dar risadas, se alegrar, em casa ou num barzinho? 
Se você acordar assim, querendo um kara-o-que,
Desligue seu corre-corre, e cai no sambalelê! ;))


A propósito, você gosta das pinturas de Renoir? Eu adoro. Principalmente porque ele tinha uma mania (aliás, ótima, rsrs) de retratar o que é bonito e agradável.

La colazzione dei canottieri


La Moulin de la Galette

Ele levava para o mundo das artes, apenas o que lhe fazia bem aos olhos e a alma e deixava os problemas e as coisas feias para o universo do mundo real.  Uma vez ele disse que nunca havia pensado em retratar a realidade, mas que retratava apenas a impressão (ele era impressionista, lembra?) que essa realidade lhe causava num determinado instante. Lindo não?

"A dor passa, mas a beleza permanece" - Pierre Auguste Renoir (França - 1841-1919)

Enjoy.
Beijos e bom final de semana.

21 maio, 2010

É DIFÍCIL MUDAR

Olá!

Gente, leiam essa fábula e depois me digam se não tenho razão. Penso que, um pouco, é por isso que as coisas estão do jeito que estão. Também não sei..., já nem sei mais nada, hehe. Então proponho pensarmos juntos. Eis aí pra você "A FÁBULA DOS PORCOS ASSADOS", que recebi por email em 2008. Gostei e guardei, veio sem autoria, se alguém souber, por gentileza, me avise. A mensagem é muiiito legal.
"Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque e alguns porcos morreram assados. Os homens da região, experimentaram carne assada e acharam deliciosa. Desde então, quando queriam comer porco assado, incendiavam um bosque.
O novo SISTEMA de comer porco se propagou, mas muita coisa precisava ser aperfeiçoada. Ora os porcos fugiam das chamas, ora ficavam apenas tostados. Havia necessidade de se aprimorar a assadura de porcos, bem como a formação de bosques para serem incendiados.

O Governo passou a formar especialistas: Cursos de Porcologia. Congressos anuais com apresentação de trabalhos sobre o assunto. Surgiram mestres em Piroporcotecnia. Seminários sobre como colocar os porcos em pontos estratégicos dentro dos bosques, antes de se atear fogo. As escolas criaram a especialidade para incendiadores de bosques de assar porcos. Foi incentivada a anemometecnia, com a formação de anemometécnicos, especialistas na aferição da velocidade e direção dos ventos. Pois dependendo de onde eles vinham os porcos poderiam sair dos bosques crus ou mal passados. Eram milhares de pessoas empregadas na preparação dos bosques que logo seriam incendiados.

Formou-se um Ministério para estudo de formação de bosques com árvores próprias para a queima necessária. Deveriam crescer rapidamente, não ter folhas, nem frutos e de fácil reposição. Era problemática a colocação dos porcos antes de serem queimados nos bosques. Precisaram-se de professores especializados nessas construções.

Surgiram Movimentos Sociais para que se desse à população pobre um pedaço de terra para formação de bosques para assar porcos. Mas pouco adiantaria o atendimento. Eles não teriam porcos para assar. As universidades criaram cadeiras sobre a matéria. Nos Encontros anuais os Porcólogos sugeriam, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo, depois de determinada velocidade do vento, posicionando enormes ventiladores em direção oposta para guiar o fogo sobre os porcos.

Um dia, um Conselheiro, que fora Phd em incêndio, chamado João Bom Senso, pediu uma audiência pessoal com o Rei. Disse ao Monarca que os problemas poderiam ser facilmente resolvidos. Bastava simplesmente: Matar, limpar e colocar o porco numa armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor (e não as chamas) assasse a carne.

O Rei ficou indignado com a sugestão.
Você está doido? Eu quero solução. Não problema. O que vou fazer com os anemometécnicos? Onde vou empregar o conhecimento dos especialistas acendedores? E os tecnocratas em sementes? E com as árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadoras de ar? Milhões de bosques plantados? E o Programa de Reforma e Melhoramentos do Sistema que vai ser implantado pelo Ministério dos Bosques? Onde vou colocar os engenheiros formados em Piroporcotecnia? Temos que melhorar o sistema. Não transformá-lo radicalmente. Você é um maluco, para não dizer aloprado.
João não disse mais nada. Saiu de fininho. E daí em diante Bom Senso nunca mais participou de qualquer reunião da Monarquia. E quando alguém perguntava ao Rei sobre o João Bom Senso. Ele dizia:
─ Aquele pirado? Não sei. Nem quero saber.
─ Assar porco na brasa? Olha o cara... meu!!! 
Por isso é que até hoje se diz, quando há reuniões de Reforma e Melhoramentos do SISTEMA: Que falta faz o bom senso!
Beijos, até a próxima.

17 maio, 2010

BLOGAGEM COLETIVA - COLORINDO A VIDA - COR BRANCA

Bom dia, pessoal. Por aqui, dia lindo ensolarado, temperatura ótima!! Hoje é o encerramento das blogagens coloridas. Foi ótimo, amei, amei, amei.

Trago então, algumas palavras sobre uma flor maravilhosa, cujos significados muito me sensibilizam, e que eu amo de paixão.

Abram alas, com vocês a flor da liberdade!!!
Maravilhosa, subversiva,
majestosa,
iluminada e guerreira:
A camélia branca!


A    B E L E Z A

A folhagem é brilhante. A flor é linda, esplendorosa! Seu nome? Camélia. Tem várias cores, mas sou louca pela camélia branca. Ela embeleza o jardim e quando colhida, enfeita nossa casa. E como faz bem ao coração!!! É a primeira a florir depois do inverno, anunciando a chegada da estação das flores. Cheguei!!!

O     E L A N

Já disse, sou louca pela camélia branca, e depois que fiquei sabendo de suas passagens maravilhosas pela história do Brasil, então nem se fala! É tudo junto, é a beleza da flor aliada à sensibilidade, inteligência e articulação de pessoas conectadas no mundo, que souberam transformá-la num símbolo magnífico, num verdadeiro elan para a vida de quem tanto sofria nos tempos de antigamente. Confesso que às vezes me bate uma nostalgia, um não sei que, ao ver, hoje em dia, pessoas tão desligadas dos problemas do mundo, que parecem viver noutro planeta. Deixa pra lá, taí a idéia pra uma crônica.

Mas o que importa dizer é que a camélia branca simbolizou no passado um movimento libertador, um movimento underground, subterrâneo e subversivo. Você sabia? Sim, no final do séc. XIX ela esteve superenvolvida no Movimento Abolicionista, tanto que hoje é o símbolo oficial da Abolição.

Olha só como foi. Na época da escravatura a Lei não permitia que ninguém desse abrigo aos escravos fugitivos e quem os ajudasse pagava pesadas multas. Evidente que os abolicionistas tinham que andar de boca fechada e guardar segredo sobre os esconderijos (quilombos) dos escravos que conseguiam fugir. E o que fazer para se identificarem?

Adivinhou. Usavam na lapela, uma camélia branca. A camélia então era o "logo" dos abolicionistas, a senha que os identificava. Ter uma camélia branca na lapela era sinal de ajuda e compromisso com a causa. Não é maravilhoso?  A propósito, será que a moda da flor na lapela não surgiu daí?


Cada vez me apaixono mais, acho ela mais linda ainda!!!!

E tem aquela da Princesa Isabel. Quando o imperador Dom Pedro II foi pra Europa, ela promoveu o "Baile das Flores". Seu vestido? Todinho aplicado com camélias brancas! Nem é preciso dizer que os conservadores ficaram p... da vida! Viram? Os abolicionistas tinham o aval, não só de Rui Barbosa, como também da Princesa Isabel.  E todo mundo de bico calado!!!

Que coisa, quantos segredos contidos na camélia branca, e ninguém nunca nos contou. Fiquei sabendo que se não fosse o discurso de um tal de Silva Jardim (desculpe, era um figurão da época, não sei  nada dele..., hehe.) que registrou esse episódio e algumas pistas garimpadas pelo historiador Eduardo Silva, (Instituto da Casa de Rui Barbosa) e a gente não saberia nadinha. Vamos aplaudi-los, é só o que podemos fazer agora!!! Clap,clap,clap!!! Boa gurizada!!!

Bom, agora deixa eu contar pra vocês outras coisinhas interessantes.

Quem ainda não viu Chanel com sua bela camélia branca sobre a lapela negra?
Isso mesmo, ela escolheu a camélia para ser o símbolo de sua grife porque sentiu que estaria muito bem representada, uma vez que integrava o contingente de mulheres que conseguiram  escolher outro lugar no mundo, fugindo das convenções. Aliás, escolha bem adequada, penso eu, já que na França a camélia era o símbolo das prostitutas, artistas, atrizes, cantoras e dançarinas de cabaret, ou seja, simbolo de gente nada convencional.


Nossa(!) tem zilhões de coisas envolvendo essa flor.  Ela é muiiito famosa! Só o fato de Alexandre Dumas Filho (1824-1895) ter escrito sua peça "A Dama das Camélias", já bastaria para a fama, mas uma coisa puxa outra e a referida peça teatral acabou inspirando Verdi a escrever a aplaudidíssima ópera "La Traviatta". É mole?

E como não poderia deixar de ser, "A Dama das Camélias" também virou um filme com o mesmo nome, que foi protagonizado pela belissima Greta Garbo (1905-1990). Gente, eu vi esse filme. É tri. E..., vou ficando por aqui. Ops, até rimou, rsrs!

Mas ao encerrar esse post, não posso deixar de lado o contraponto, característica básica da cor branca. E qual é esse contraponto? A cor preta. Branco e preto, preto e branco, Yin e Yang, antiga representação chinesa do dualismo. O Yin é o feminino, o Yang é o masculino. Esse antigo símbolo mostra que um só faz sentido ao lado do outro, um só existe porque o outro também existe. Há necessidade de integração das duas forças.


Yin atrai Yang que atrai Yin e assim infinitamente.
Não há conflito ou disputa entre preto e branco, feminino e masculino, mas sim a complementação de um pelo outro.  Mulheres e homens, homens e mulheres, companheiros de jornada.

Espero que gostem do post.
Saiba mais: link
Beijos. Fui.

16 maio, 2010

O RON RON DO GATINHO

Olá!

Hoje é domingo e eu trouxe pra vocês um poema supermimoso, pelo menos eu acho. Foi escrito por um poeta maranhense, um gatófilo muito especial, iluminado, que, não sei como, ainda não tem em seu currículo um prêmio nobel de literatura. Mas estou aqui torcendo, um dia é um dia. 

Que tal essa frase "A arte existe porque a vida por si só, não basta"?  É dele. Precisa mais apresentações?  Seu nome: Ferreira Gullar. Nome do poema: "O RON RON DO GATINHO".

Na foto, minha nora Michelle e Hoe.

 

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho.



Beijos e bom domingo.

13 maio, 2010

JUSTIÇA ATRASADA

Olá!

Rui Barbosa tem essas palavras que, desde que tomei conhecimento, concordei e concordo. Diz ele que "Justiça atrasada é injustiça, qualificada e manifesta". Que a Justiça deve ser feita na hora, no momento do ultrage, do sofrimento, do dano. Sem delongas, porque se for tardia, não mais será justiça, mas se transformará em vingança, que ao Direito repudia. Pois bem. Li ontem uma notícia que trago aqui pra vocês lerem comigo, pensarem e comentarem.  


Milan Kundera denuncia o absurdo da situação vivida por Polanski Agência AFP

PARIS - O escritor tcheco-francês Milan Kundera manifsetou seu apoio a Roman Polanski em uma nota publicada no jornal Le Monde, onde denuncia o abusrod da situação do cineasta em prisão domiciliar na Suíça desde 4 de dezembro de 2009.
Negando-se a comentar o aspecto jurídico do caso Polanski, o escritor afirma que a "arte europeia, sua literatura, seu teatro, nos ensinou a rasgar a cortina das regras jurídicas, religiosas, ideológicas e a ver a existência humana em toda sua realidade concreta".
"Fiel a esta cultura", acrescenta Kundera, "me nego a ficar cego ante o absurdo da situação de Polanski, perseguido por um ato que ocorreu há 33 anos, que foi há muito tempo perdoado por todos os atores do drama e cujo julgamento prolongado até o infinito não proporcionará nada de bom a ninguém, a ninguém, a ninguém".
"Se a Europa continua sendo a Europa, se continua sendo herdeira de sua própria cultura, não poderá suportar o silêncio absurdo desta cruel pantomima representada em um chalé suíço", escreve o autor de "A insustentável leveza do ser", que afirmou que não conhece Polanski pessoalmente.
Perseguido pela justiça nos Estados Unidos em 1977 por ter mantido relações sexuais com uma menor, o cineasta chegou na ocasião, depois de 42 dias de prisão, a um acordo com a justiça, mas precisou fugir para se exilar na França depois de uma mudança de opinião do juiz.
Polanski foi detido em cumprimento de uma ordem de captura internacional americana em 26 de setembro passado, ao chegar a Zurique para assistir a um festival de cinema. Foi libertado em 4 de dezembro sob fiança e se encontra desde então sob prisão domiciliar em seu chalé de Gstaad.  06/05/2010.
Leia direto na fonte: JBONLINE
Era isso. Fui. Até breve.

12 maio, 2010

EXPERIÊNCIA TEM SEU VALOR

Olá!

Gente, recebo diariamente uma tonelada de emails, a maioria imprestável, puro lixo eletrônico, mas às vezes, acho algumas coisas interessantes e acabo guardando. Dia desses, fazendo uma limpezinha básica no lap, encontrei essa pérola. Olha, eu achei um barato, espero que vocês gostem. Se não gostarem, que posso fazer, mas saibam que a intenção foi das melhores. Enfim, é uma bobagem, mas no fundo, tem razão de ser, de certo, foi por isso que guardei. Confiram! Quem escreveu? Não sei, tô passando pra você do jeito que recebi.

 
"O fazendeiro resolve trocar o seu velho galo por outro que desse conta das inúmeras galinhas. Ao chegar o novo galo, e percebendo que perderia as funções, o velho galo foi conversar com o seu substituto:
- Olha, sei que já estou velho e é por isso que meu dono o trouxe aqui, mas será que você poderia deixar pelo menos duas galinhas para mim?
- Que é isso, velhote?! Vou ficar com todas.
- Mas só duas, insistiu o galo.
- Não. Já disse! São todas minhas!
- Então vamos fazer o seguinte, propõe o velho galo, apostamos uma corrida em volta do galinheiro. Seu eu ganhar, fico com pelo menos duas galinhas. Se eu perder, são todas suas.
O galo jovem mede o velho de cima abaixo e pensa que o velho não será capaz de vencer.
- Tudo bem, velhote, eu aceito.
- Já que, realmente minhas chances são poucas, deixe-me ficar vinte passos a frente, pediu o galo.
O mais jovem pensou por uns instantes e aceitou as condições do galo velho.
Iniciada a corrida, o galo jovem dispara para alcançar o outro galo. O galo velho faz um esforço danado para manter a vantagem, mas rapidamente está sendo alcançado pelo mais novo. Então o fazendeiro pega a sua espingarda e atira sem piedade no galo mais jovem. Guardando a arma, comenta com a mulher:
- Num tô intendendo, uai! Já é o quinto galo boiola que a gente compra esta semana! Ele largou as galinha e tava correndo atrás do galo velho, Vê se pode????????

Moral:
Nada Substitui a Experiência!"
Era isso. Até mais. Fui.
Imagem: Releitura do Galo de Aldemir Martins por Kátia Almeida (Google).

10 maio, 2010

BLOGAGEM COLETIVA - COLORINDO A VIDA - COR VERDE

Olá!

Obrigada por estarem sempre aqui me prestigiando com seus comentários! Esse carinho não tem preço, vocês sabem.

Ao post verde.

Parece fácil, mas não é. Escrever o quê, com esse festival de verde ao meu redor? Como fazer escolhas com excesso de opções? Deixe-me ver. Tem a natureza, toda vestida de verde, esplendorosa, celebrando a juventude do mundo. Tem o mar, num verde azulado, imenso, brilhante e único. E tem aquele garotinho bronzeado, com seu olhar verde-água, meu Deus, aquele olhar translúcido não merece um post?

E o verde-bandeira do meu Brasil? Ah, esse tom de verde é muito lindo, de um fascínio sem par. E isso me lembra, na mesma hora, daquele pintor brasileiro que não tem vergonha de pintar nossas cores. Sim senhor, e o verde é uma constante em sua obra. Quer mais? Ele tem projeção internacional. Seu nome? Aldemir Martins, 88. Oh, my God, esse eu não saberia reverenciar.



E o sapo? É, daria um post bem legal, pois é. Mas porque diabos o sapo não lava o pé? Será mesmo que ele não qué? Maldição, nem os filósofos conseguem descobrir. Tá bom, nada de sapo com chulé.

Não esqueço da esmeralda, pedra preciosa, jóia majestosa, chiquérrima, uma poesia sem palavras. Mas, sinceramente, eu nem saberia o que dizer, até porque a considero uma das mais puras magias da natureza.

E o nosso chimarrão gaúcho, quente, revigorante, amistoso, verde-profundo? Mas bah tchê, esse aí, até pra falar nele tem que ter um ritual e, caso eu esqueça algum detalhe, vocês vão me detonar. Okay, mas não deixo por menos: o chimarrão gaúcho é um baita ajuntador de amigos!

E o limão? Cheiroso, saboroso, energético. Você já provou o chá de limão? Prove e depois me conte. E a limonada então, com aquele gostinho de frescor?  E tem também o abacate. Humm, a-do-ro, é tri. Sei, sei. Tem um montão de coisa boa... mas entenda, eu é que não me dou bem escrevendo sobre sabores. Grrrr.

Que tal falar na cor-símbolo das artes médicas: o verde das togas que os médicos usavam lá na Idade Média, simbolizando a imortalidade? E se eu abordasse a esperança, a calma que o verde supõe? Caracas, tô é muito chata. Mas tenho cá minhas razões, pois esses temas superiores, a turma da blogosfera, certamente, vai mandar muito bem com suas poesias, textos, crônicas e lindas imagens. E eu?  Help.

Bom, já vimos, até aqui, nada feito. Mudarei de direção, seguirei outras veredas.

Quer saber? Vou mesmo é homenagear alguém. Não, não é dondoquice não. Ele foi o meu herói dos quadrinhos durante um tempão, meu fetiche na adolescência. Ele é ótimo, um fofo, verde, verde, verde... e andei lendo que ele vai ressurgir ultramoderno agora, num longa. Parece que é pra 2011. Ops!!! Acabei de descobrir uma coisa: já sei de onde saiu minha vocação jurídica. Óbvio, ele fundou a Liga da Justiça! E arregimentou uma tropa! Taí. Veja você, se não fosse essa blogagem coletiva, juro que seguiria pelo resto da vida atribuindo minha vocação ao meu-alto-senso-de-justiça, o que, convenhamos, seria injustiça com o meu herói.

Então, já adivinharam quem é quem? Ah não? pois então vejam:



L A N T E R N A    V E R D E

O Lanterna Verde é um super-herói dos quadrinhos, que surgiu em 1940. O Lanterna Verde atual foi lançado nos quadrinhos da década de 60, e sua identidade era a de Hal Jordan, membro fundador da Liga da Justiça da América.  Em 1970 ele foi repaginado e apareceu numa nova série de quadrinhos, de cunho social. Foi então que consolidou-se definitivamente como herói popular, pouco importando que nas séries seguintes os temas abordados fossem mais cósmicos.




Quem quiser saber mais, já sabe: direto no Google.
Ah, e aqui tem um link para os aficcionados (como eu, rsrs!).

Beijos. See you later. Fui.

09 maio, 2010

MANHÊEEE...

Olá, todo mundo!

Hoje é dia das mães e eu quero homenagear aqui, em primeiro lugar minha mãe, dona Odete, depois minha filha Daniela (que também é mãe), e a seguir, minha nora Michelle (que um dia será mãe, e tomara que seja logo, rsrs!) e, na sequência,

t o d a s    a s    m ã e s    d o    m u n d o.

É certo que embora a tecnologia tenha inventado milhões de coisas para agradar às mães, ainda não inventou algo que substituisse essas palavras tão simples, mas que, com toda a sinceridade, anuncio aos quatro ventos:

Mãe, eu te amo. Feliz Dia das Mães!

Pra fazer essa homenagem, aproveitei a cara de hoje do tio Google, que achei muito fofa e além do mais, ele é megapopular e suponho que todas as mães irão apreciar. E por falar em apreciar, APRECIE SEM MODERAÇÃO!!!!












Um pouquinho de mamãe!

Minha mãe é ariana das boas, disciplinada, pra-frente, amiga. Tem 76 e parece minha irmã. Não é metida e nem enche o saco de ninguém. Já passou um montão de trabalho na vida, (que eu sei) e continua numa boa, nem parece. É gente finíssima. Nossa diferença de idade é mínima,  por isso ela tem mais é que "me respeitar", oras!  Hoje à tarde irei na casa dela, dar meu abraço filial. Vou aproveitar e bater uma foto de nós duas pra vocês verem como tenho razão, parecemos duas irmãs. Gente, na idade em que nós estamos, 16 anos não é diferença. Mesmo.
Beijos. Fui

07 maio, 2010

DOLCE FAR NIENTE

Olá!














Beleza,  final de semana chegando, muitos planos, ou nenhum, apenas ficar em casa, no dolce far niente. Quer coisa melhor?  Eu acho ótimo, só no bem-bom, rsrs.

Gente, aproveitando a sexta, achei legal brincar um pouquinho com as rimas. Olhaí o resultado. Espero que gostem. Enjoy!
  
Sexta-feira, maravilha!
É Dia da Alegria
É hoje!!! Vem abraçar
O Sorriso e a Magia.

Eu sei, o sorriso foge
quando as coisas não vão bem.
Mas é possível lutar
E a cabeça levantar.

Abra as portas pra Alegria
Deixe o sorriso chegar
E ao menos por instantes,
a vida iluminar!

Acredite, assino embaixo
a alegria faz milagres,
ilumina o pensamento
e acalma os pesares.

Não perca nenhum minuto
Aproveite bem o dia
Cante alguma melodia
Se embriague de energia.

Sim! Insista em festejar
o Dia da Alegria
Por favor, ande mais leve
Encare o mundo e sorria!

Fiquem com Deus. Fui. Beijos.

Ah, ia me esquecendo, ontem assisti um video da Isabel Allende. Uma palestra maravilhosa. Coloquei o link no final do post anterior, aí embaixo. Estou avisando porque acho que muita gente não viu, pois foi só ontem que achei, e o pessoal já tinha lido o post e comentado. Fica aqui a sugestão pra quem quiser. Agora sim, tchau.

05 maio, 2010

A CASA DOS ESPÍRITOS


Quando li pela primeira vez o livro de Isabel Allende "A Casa dos Espíritos", gostei muito, e tempos depois, quando tornei a ler, com uma bagagem de vida um pouquinho (hehehe!) maior, simplesmente adorei! Sou fã de realismo fantástico e este é um dos fios condutores da escrita de Allende. (Notáveis influências de Garcia Marquez, que é outro escritor que amo de paixão).

Quando foi lançado, em 1985, "A Casa dos Espíritos" foi um sucesso absoluto. O livro tem quase 500 páginas e a gente entra num mundo mágico desde a primeira frase. A história é comovente, marcada pela magia, pelo amor e pela tragédia. Arrependi-me de não ter feito esse post no dia 08 de março, o tal de "dia da mulher". É que Isabel Allende, nesse livro, presta tributo às mulheres do mundo inteiro, na medida em que traz à tona, a dor de toda uma geração de mulheres chilenas. E ao mostrar a violência do regime totalitário, do machismo e da misoginia do poder patriarcal (sempre fortalecido no aparelho repressivo do Estado), ela nos convida a exorcizar a culpa e a refletir sobre a liberdade e a justiça. Pelo que sei, boa parte da história é verídica e ela própria, quando questionada a respeito, afirmou que as mulheres da história realmente existiram. Bom, é só ler a dedicatória: "A minha mãe, minha avó e às outras mulheres extraordinárias desta história." E atenção, o livro é também um alerta aos que vivem acostumados à anestesia do esquecimento: "É a perda da memória, e não o culto à memória, que nos fará prisioneiros do passado".

O romance se passa, no início do século XX e conta a história das famílias Del Valle e Trueba, com suas ideologias totalmente opostas. A revolução no Chile que terminou com o golpe militar de 1973 e derrubou o presidente Salvador Allende (tio da autora) é o cenário que influenciou a dinâmica da narrativa.

Tudo gira ao redor do patriarca Esteban Trueba, mas a narrativa é feminina, sob a perspectiva das mulheres (do clã), que lutam pelo que acreditam. Mas, a meu ver, não é uma narrativa feminista, é bem mais profunda do que isto, pois mostra a luta da mulher pelos seus direitos, numa sociedade tipicamente masculina. No decorrer da leitura, a gente se depara com dois discursos, de um lado a verdade masculina-conservadora, e de outro, a feminina-progressista. No entanto, e, no meu pensar, esse é o grande diferencial da obra, o leitor tem possibilidade de reconhecer as razões de cada personagem, num exercício dialético que democratiza o próprio espaço textual.

Clara, Clarividente como era chamada, é o personagem principal e está presente na história, desde a infância até sua pós-morte. Ela é o alicerce da família, o equilíbrio e o elo de ligação entre todos. Com seus incompreendidos poderes premonitórios e visão espiritualizada da vida, desde pequena, Clara surpreendia a todos com suas capacidades telepáticas - conseguia ler a sorte, mover objetos com o pensamento e prever o futuro. Sua capacidade telepática era tão acentuada que os objetos movimentavam-se como se tivessem vida própria. Em seus cadernos de anotar a vida, escrevia o que sentia e colocava lá tudo o que acontecia no dia-a-dia. − Aliás, a saga da família, Alba só conseguiu relatar porque Clara (sua avó) deixou registros em seus "cadernos de anotar a vida". − A morte misteriosa de sua irmã Rosa, "a Bela", fez Clara emudecer de culpa, achando que sua previsão teria dado causa àquela morte prematura. Só quebrou o silêncio, nove anos depois, para anunciar que se casaria em breve. O noivo? Esteban Trueba, que ela já havia previsto, muito tempo antes, que se tornaria seu marido.

Para os padrões da época, Clara não foi uma boa dona-de-casa. Estava sempre às voltas com suas telepatias e premonições. Vivia num mundo à parte, ajudava os necessitados e conversava com os espíritos. Era ausente, mas sempre presente na família. Era avessa a assuntos fúteis e não sentia ciúmes do marido, "nem ao menos percebia quando ele a desejava ou sentia ódio por ela, era distraída". Com sua inteligência brilhante, ela sabia que o medo era o alicerce do sistema de dominação a que os camponeses e as mulheres eram submetidos naquele momento histórico. (E essa inteligência sensível sempre irritou seu marido, afinal ele era a autoridade, o pai e senhor... Jamais ele poderia imaginar que seu temperamento impulsivo, violento e cruel e que suas idéias arcaicas refletiriam com tanta contundência no futuro de sua família).

Esteban Trueba era um homem truculento, representante ferrenho da sociedade falocrática, que nega à mulher voz e participação na sociedade. Acreditava que Nívea (mãe de Clara) estava "mal da cabeça" porque ela lutava para que as mulheres tivessem direito ao voto. Ele nunca compreendeu a força do silêncio de Clara, ao contrário, ele o considerava (o silêncio) uma virtude.(!) Era dado a acessos de raiva e Clara sofreu muito nas mãos dele. Também costumava descarregar sua ira contra os trabalhadores, que no seu entender não tinham direito nenhum, apenas deveres. Mas ao ler a gente acaba percebendo que também ele, era fruto de uma época, cujos valores o tornaram um homem solitário, amargo e rancoroso. Associava o autoritarismo ao paternalismo, transformando em dependentes os que o cercavam, e comprava-lhes a fidelidade com alguns litros de leite e bônus cor-de-rosa (trocados nos armazéns da fazenda que eram seus), casinhas de alvenaria e uma escola, mas era partidário de que os camponeses não tivessem muitos conhecimentos, pois sabia que a ignorância daquele povo é que eternizava os privilégios que possuia.

Cada um dos personagens está retratado na história com seus questionamentos existenciais e suas formas de participar no contexto social de sua época.

Impressionou-me o significado dos nomes das mulheres: Nívea, Clara, Blanca e Alba. Observe a escolha que a autora fez desses nomes. Todos eles estão carregados de simbologia, compondo uma cadeia de sinônimos que aponta para a LUZ. Alba, último elo dessa cadeia, é o alvorecer de um novo dia, uma esperança e uma promessa. Aliás, a própria estrutura circular da escrita, que começa e termina com a mesma frase, nos remete para uma idéia de recomeço: "Barrabás chegou à casa da familia por via marítima". Há ainda outra mulher, de importância ímpar, chama-se Férula, cujo nome também é simbólico. Ela é a irmã e o "carma" de Esteban. Como se vê, Allende brilhou também nesse particular.
Chega, vou parar senão me empolgo e conto o livro. ;)

Que livro!
Era isso. Fui. Até breve.

A t u a l i z a n d o : esqueci de falar no filme. Não gostei, não tem nada a ver com o livro, muda completamente o foco.  A meu ver, transforma e banaliza uma história tão linda!( Aff). Não é que o filme seja ruim, entenda. Acontece que não é a história contada no livro, ah isso não!! Não é mesmo!! Ouvi dizer que Allende abominou, parece até que surgiram alguns problemas, mas não tenho certeza. Mas se é verdade, ela está com toda a razão.

Gente, olhem essa palestra de Allende, é de chorar!

04 maio, 2010

CHARLES CHAPLIN

Olá, pessoal!


... e aí vem ele. De novo. Meu querido Charles...
E agora, aonde andam as palavras para apresentá-lo? Não sei, não as encontro, sumiram. Ok, então vou improvisar: Charles Chaplin, ele é tudo e mais um pouco! Charles Chaplin!

"Esta maneira de querer fazer com que a pobreza do próximo seja atraente é péssima. Eu ainda não conheci um pobre que sinta falta da pobreza ou que se sinta livre sendo pobre."
"Cada segundo é tempo de mudar tudo para sempre.”

A t u a l i z a n d o : Gente, minha amiga Deia, fez um comentário tão legal e deixou um link bacanésimo que até vou postar aqui para compartilhar com vocês. Obrigada Deia, adorei.

Deia disse...
Marli, tenho tanta simpatia pelo mestre do cinema mudo! Complementando seu post inspirado, segue a música cuja letra tem como autor o seu homenageado.
Smile!
http://www.youtube.com/watch?v=iu-rLA4POkI
Espero que gostem
Ah, não deixem de ler o mini-post aí embaixo sobre os direitos animais!
Tchau. Fui.

CURSO SOBRE DIREITOS ANIMAIS SERÁ REALIZADO EM PORTO ALEGRE - RS

Olá!

Estou divulgando o curso “A PRÁTICA DOS DIREITOS ANIMAIS NAS RELAÇÕES COM SERES HUMANOS” que será realizado nos dias 28 e 29 de maio e 04 e 05 de junho, em Porto Alegre-RS.

Esse curso é muito importante, por infinitas razões. Os seres humanos precisam, com a máxima urgência, se darem conta de algumas coisinhas, que o nosso conhecido Pitágoras, já sublinhou há muito tempo atrás:
"Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor."
Só pra desabafar: tem uma coisa em que penso muito: a preparação para o crime (contra animais e pessoas) começa bem cedinho, lá na infância. Veja. As crianças pequenas pensam (naturalmente) que os bichinhos de estimação são de pelúcia ok? E fazem o que querem deles! E os pais acham tão bonitinho seu filhinho maltratando o animalzinho! Que amor! E não ensinam. E depois não querem criminosos na sociedade? Essa não!!!  Bom, mas isso é assunto pra outro post.

Pouca gente sabe, mas os mecanismos de proteção aos animais estão previstos na Legislação Nacional e podem ser exigidos por qualquer um de nós. Esse curso objetiva exatamente isso: clarear a situação.

É preciso dar um basta nessas atrocidades que são cometidas contra os animais. Penso sinceramente que, no ponto que chegamos, só o conhecimento e ação judicial concreta e articulada podem impedir o avanço desses crimes.

Clique na imagem para ler o folder
Veja a notícia inteira aqui.

Por enquanto era isso.
Fui.

03 maio, 2010

BLOGAGEM COLETIVA - COLORINDO A VIDA - COR ALARANJADA

Olá, a blogagem coletiva de hoje é sobre a cor alaranjada.

Vamos lá. A cor alaranjada é uma cor afirmativa, uma cor de vibração, de sucesso, de movimento, das delícias. Então pensei de cara, nos fractais de Mandelbrot, que acho uma loucura, dinamismo puro! E geram imagens ma-ra-vi-lho-sas! Uau. Gente, tem cada imagem de cair o queixo. No final do post vai um link pra você dar uma espiada.

Caso não saiba o que são fractais, você não está só, tem zilhões de pessoas que nunca ouviram falar. Então vou dar uma pincelada. Fractais são figuras geométricas não-euclidianas, geradas em computador, que retratam fenômenos da natureza. A palavra fractal foi criada por Benoit Mandelbrot para descrever um objecto geométrico que nunca perde a sua estrutura qualquer que seja a distância de visão.

A bem da verdade, não existe uma definição precisa a respeito dessas figuras. Mas a gente pode dizer que "uma figura é um fractal quando ela é formada por diversas partes, que lembram, cada uma, o desenho da figura inteira". (Mandelbrot e Michael Frame, in "Chaos Under Control: The Art and Science of Complexity").

Bem que eu gostaria de ter trazido aqui, imagens fractais que a gente encontra na natureza, oh my God, são perfeitas! E tem tantas... (brócolis, por exemplo). Mas daí a encontrar a dita imagem na cor alaranjada, complicou..., hehe.

Pronto, agora você já está diplomado, rsrs em geometria fractal! É hora de ver a linda imagem que resultou da dupla dinâmica: cor e forma, haikais e fractais. Enjoy.


MSBd3

Arte digital --
Fractais alaranjados
explodem no ar.





Fernando Pessoa, tinha esta visão dos objetos da natureza, embora não tivesse conhecimento da Geometria Fractal:

‘..E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.”


A t u a l i z a n d o :  Achei agora, nesse instante, um modelo de fractal que a gente encontra na natureza. Aposto que esse você já conhece e eu até já falei nele aí em cima: hummmm e fica uma delícia gratinado!!!  Óbvio, é o brócolis! Pena que não é alaranjado, hehe.

MSBd2

Coisa mais linda!
Natureza gerando
padrões fractais.


Eis o link da imagem digital.
Se quiser saber mais, o tio Google está recheado, é só digitar fractal.
Blogagem coletiva. Blog Café com bolo.
Beijos, até breve.